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A noite de "natal" da Judite

Já se fazia tarde, os carros para transportes públicos já escasseavam. E eu ali parado. Mas o que fazia eu ali??? – Me perguntava a cada 15 segundos, e eu mesmo respondia que estava a espera de Judite!
Passaram “trocentas” possibilidades pela minha cabeça, sobre o que poderia ter acontecido com Judite, mas nenhuma delas chegou, sequer, perto do realmente aconteceu.
Judite e eu tínhamos saído para comemorar, Judite fazia 27 anos de vida. E como toda homem romântico e apaixonado eu ficava bobo de alegria, fazias as coisas mais idiotas possíveis, era o mais ridículo dos homens quando estivesse com ela. Saímos da casa dela por volta das 18 horas, fomos ao teatro, eu queria, como sempre, contemplar o seu lindo sorriso, depois fomos ao restaurante que tinha mesmo em frente ao teatro. Nunca lá tinha entrado, só já tinha ouvido falar do seu ambiente acolhedor. Mas não imagina de tal forma acolhedor e fascinante. Luz fraca, mesas baixas, com pouco mais de 20 cm de altura, nada de cadeiras, esta apenas se avistavam no bar, no seu lugar grande almofadas quadrangulares e confortáveis, e uma música suave.
Expliquei ao garçom, sem que Judite percebesse, o motivo da ida à aquele restaurante naquele dia, e ele, gentilmente, pediu que esperássemos no bar e ofereceu, para encurtar a espera por mesa, duas taças de vinho tinto, levemente gelado. Fiz uma ronda rápida pelo restaurante e algo me intrigou, haviam muitas mesas desocupadas ali, então, porque é que ele nos mandou esperar? – Eu me perguntei. Mas me mantive ali sentado como se nada tivesse se passado por volta de 5 minutos ate ele voltar com alguém se apresentou como sendo Roger, o gerente do restaurante. Este nos conduziu para outra cave, onde ficava uma sala mais reservada e apropriada para uma comemoração a dois. Era mais calma, menos movimentada e com uma banda que tocava musicas bem suaves. Fomos conduzidos a uma mesa no centro da sala. Depois de comer a entrada Judite levantou-se dizendo que ia retocar a maquilhagem. Ela dirigiu-se a cozinha para que Roger a visse e a abordasse. E assim aconteceu, Roger, foi ter com ela para saber o porquê da ida à cozinha. Ela respondeu que se tinha enganado no caminho ao W.C., e fez-lhe inúmeros pedidos de desculpas, mas Roger, sempre gentil, fez-lhe entender que não havia motivos para tal. Antes de voltar de voltar a mesa, Judite entregou-lhe um pedaço de papel e disse: antes de sair quero que fale comigo, quero consultar-lhe algo. E voltou a mesa. No pedaço de papel, estava escrito: Rua José de Almeida, 14-2, Bairro das aves. 22 Horas.
Roger, sorriu depois de ler o papel e pensou – vai ser seu presente de aniversário. Ele olhou para o seu relógio, eram vinte e uma horas e dois minutos, e ele só saia as duas da manha – vou falar com o Júnior, ele vai me fazer o favor de me substituir, só esta noite! Pensou.
Quando eu e Judite nos dirigíamos a porta, Roger, agradecer a preferência e recomendar que voltássemos lá mais vezes. Judite então perguntou se ele iria ao lugar recomendado, e ele disse que iria.
Já no carro, perguntei a ela do que falava e ela disse que Roger queria uma sugestão de um lugar para levar a namorada que fazia anos e eu sugeri a exposição sobre o funcionamento do corpo humano. Bem pensado, iremos lá este fim-de-semana – murmurei. Ao virar a esquina, Judite disse: Meu Deus! Esqueci – me de Isabel, tenho que ir busca-la!
- Onde? – Perguntei meio espantado.
- Coisas de mulher! Isto, não te posso dizer, e nem te posso levar comigo!
- Estava a pensar em ir te deixar no tal lugar.
- Eu estou a pensar em te deixar em algum lugar e levar o carro. Encontramo-nos no mural da praia em 1 hora!
 Ok! Desci então do carro, ela passou para o lugar do condutor, e foi encontrar Roger na casa dela. Eu fui a praia esperar por ela, mas ela já esta atrasada 2 hora, são 2 da manha e começou a chover. Bem, uma coisa eu sei, não posso ficar aqui e molhar, tenho que me abrigar e Helena vive à dois quarteirões daqui – pensava eu.
Fiz o que pensei e fui a casa de Helena, minha ex-namorada que diz ainda estar apaixonada por mim e vive sozinha. Ora, que solução tinha eu? Estava a chover, meus pertences ficaram no carro, eu só tinha comigo a carta de condução e não podia ir para casa a pé!
Helena me acolheu carinhosamente, e para meu espanto, me deu uma muda de roupa que tinha lá ficado na época em que ainda namorávamos. Depois de muito conversar, Helena começou um jogo de sedução e, pelo facto dela conhecer meus pontos francos, não foi difícil para ela me envolver no jogo dela. Eu tentei resistir mas depois de algum tempo me rendi aos seus encantos, do mesmo jeito que, naquele exacto momento, sem sequer ter a ideia que tal acontecia, Roger se rendia aos encantos de Judite. O mais curioso disso tudo é que Roger é namorado de Helena, e como Judite acha que nada acontece por mero acaso, dai ter ido ter com Judite.
Se formos pelo a seguir a ideia de Roger e Judite, então teremos que procurar o recado que o destino nos quis dar, pois, na óptica deles, nada acontece por acaso!







QUE RECADO É ESSE, QUE É DADO DE FORMA TÁO ESTRANHA???

ccadete
Enviado por ccadete em 24/11/2007
Reeditado em 29/05/2008
Código do texto: T750135
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ccadete
Maputo - Maputo - Moçambique, 27 anos
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