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Tragédia no museu Arc Neville

Prólogo:                                                                             Wake Street
08h30min AM
Inglaterra


- Gregory Willians? – O professor de Oxford? – O que você está dizendo Hering? Ele foi assassinado? Ele mesmo, respondeu Hering. Foi assassinado ontem no museu Arc Neville logo após dar uma palestra sobre símbolos e códigos.
Port, largando seu café de lado, pega o jornal das mãos de Hering e folheia atentamente as páginas 5 e 6 do editorial procurando maiores detalhes sobre o caso.
- Não estou entendendo uma coisa Hering, porque a polícia não nos procurou ainda? Uma tragédia como essa não pode passar, sem que nós dois tomemos conhecimento dos fatos, das pistas, enfim não podemos deixar de entrar nessa investigação.
-Harold, não podemos interferir! Se eles não nos procuraram é porque não querem nossa ajuda, e de alguma maneira vão resolver isso sozinhos, ao modo deles.
-John, por favor não me faça nenhuma pergunta, pegue suas coisas e me acompanhe, temos um trabalho a fazer.
O capitão John Hering, conhecia muito bem seu amigo Harold Port e podia julgar com absoluta certeza de que algo o estava incomodando, pois ele nunca interferia num trabalho da polícia sem ser convidado para o caso.
Enquanto Hering se aprontava, Port como sempre fazia quando saía para investigar algo ou se encontrar com algum detetive, foi até seu cofre, digitou a combinação e pegou sua valise. Vestiu o sobretudo, o chapéu e apagou as luzes.
Hering já estava na porta o esperando, quando Port quase chegando ao seu encontro, para de repente no meio da sala e como num estalo de lembrança, dá meia volta e vai ao seu escritório buscar um pequeno livro, guarda no bolso de seu sobretudo, e finalmente sai de sua residência acompanhado de seu amigo.
-Port, o que é isso?
-Meu pequeno caderno de anotações! Com certeza terei muitos dados para notar hoje.
Port e Hering pegaram o elevador, desceram, passaram pelo portão 2C da garagem e entraram no carro.
Port guarda seu caderninho no porta-malas, deixa a valise no banco de trás e liga o carro.
- Harold, posso saber aonde estamos indo?
- John, quero que você ligue para o Investigador Greene e pergunte se pode vê-lo agora!Quero que você tente descobrir o que a polícia está fazendo em relação a esse assassinato e o porquê de não terem pedido nossa ajuda.
-Mas, eu?Somente eu? E você Port, o que vai fazer?
-Eu vou me dirigir ao museu Arc Neville e tentar obter algumas informações e é claro investigar o que ocorreu lá ontem a noite.
Hering tinha conseguido entrar em contato com Jared Greene e marcado um encontro com ele no departamento médico da Delta One. Port estava dirigindo mas parecia que sua mente não estava ali naquele momento, olhava as paisagens de Wiscoin admirando-as de um modo diferente, como se nunca estivessem presentes ali, como se aquilo não passasse de um sonho. Mas seu pensamento longínquo foi rapidamente interrompido por Hering.
-Port, acorda homem! Estou falando com você! Já chegamos na Delta, o que você tem?
Uma freiada brusca faz com que o carro de Harold pare quase em cima da placa de segurança da entrada da principal delegacia de polícia de Wiscoin.
-Desculpe John! Estava apenas organizando minhas idéias.
-Vou deixá-lo aqui e assim que você conseguir extrair o máximo de informações de Jared me ligue para que possamos nos encontrar.
-Ligo para você assim que terminar!
Port arrancou com o carro e afastou-se definitivamente da Delta One.
O capitão John Hering, homem alto e magro, com seu jeito bastante desengonçado, caminhava com um semblante preocupado estampado em seu rosto. Pensava consigo mesmo que não era uma boa idéia estar interferindo no trabalho da polícia.
Um guarda armado, com crachá de identificação 01603, segurança especial DO(Delta One) se aproximou de John, pedindo para que ele parasse.
- O senhor possui autorização para entrar?
- Meu nome é John Hering. Vim visitar um amigo que está me esperando: Jared Greene.
Depois de ter confirmado pelo rádio, o segurança abre o portão e encaminha John para a sala de Greene.




Capítulo 1

Já passavam das dez, quando Port havia entrado no museu Arc Neville, localizado ao sul de Wiscoin, e que trazia em sua entrada um monumento que atraía muitos turistas para sua visitação, uma enorme arca adornada em ouro que cobria a entrada principal. Port encontrava-se no segundo piso em uma sala de segurança, onde trabalha o vigia-chefe da segurança do Arc Neville, Sr. Erick Brown.
- Então Sr. Erick como lhe disse não quero tomar muito seu tempo. Preciso apenas que me dê algumas informações.
- O senhor trabalha para a Delta One, detetive?
- Não. Eu faço um trabalho a parte e muitas vezes ajudo a polícia de Wiscoin a elucidar os casos. E o motivo pelo qual estou aqui no museu é tentar descobrir o que aconteceu com o professor que foi assassinado ontem nesse museu.
 Erick levou Port até o salão principal onde grandes escritores, professores, pintores e filósofos, davam palestras sobre arte, sobre seus trabalhos, suas pesquisas e até mesmo para divulgar quadros e esculturas. No teto o céu estrelado, uma constelação de enigmas fazia com que os visitantes pudessem viajar na imensidão azul pensando naquela beleza. Nas paredes laterais, figuras de anjos, grandes filósofos, professores e pintores se misturavam contemplando a beleza daquele salão imenso que conseguia acomodar até 200 pessoas quando a palestra era liberada ao público.
Port estava encantado com a beleza do Arc Neville não só por fora mas como está vendo, por dentro também. Virou-se para Erick e perguntou:
- Então, esse foi o local onde o professor Gregory deu sua palestra ontem?
-Exatamente!
-Quantas pessoas estiveram presentes?
- Foram apenas oito pessoas. Não era aberta o público. Participaram: o também professor, Richard Barton, leciona a disciplina de Simbologia e Ocultismo em Oxford, o pesquisador, Ryan Carragher, o pintor, Henry Bernett, o mago, Vincent Yale, o escritor John Gray, o jornalista Michael Briggs, o padre Leonard Rivera e o curador do nosso museu, Andréas Neville.
- E o senhor esteve presente fazendo a segurança da palestra?
-Não Sr.Port! Nós temos aqui como pode ver uma câmera instalada na lateral onde acompanhamos em um dos vários monitores da nossa sala de segurança máxima tudo que ocorre nas salas principais do museu.
-E ontem não notou nada de estranho aqui no salão durante a palestra?
-Não, tudo transcorreu normalmente, o professor Gregory terminou as oito e meia, como havia combinado e depois dirigiu-se ao terceiro piso e pediu um acesso para a Cúpula Sagrada, uma sala reservada e trancada com porta de aço, senha e identificação digital na entrada.
- E o que tem nessa sala exatamente, Sr. Brown?
- Essa sala, possui vários microscópios, um telescópio gigante no centro, diversos livros, manuscritos, aparelhos de som, de vídeo e todo equipamento necessário para os simbologistas, pesquisadores, professores fazerem seus trabalhos, pesquisas, investigações com a privacidade e conforto necessários. Muitas vezes examinavam símbolos, códigos, faziam pesquisas mais refinadas e por isso o museu fez com que esse acesso fosse rispidamente restrito.
-Então, o professor Gregory logo depois de terminar sua pesquisa foi até essa sala, onde pesquisou algo, ficou lá algum tempo e quando foi deixar o museu com pressa como havia me dito antes foi assassinado no primeiro piso próximo aos banheiros?
-Exatamente! A última pessoa a vê-lo com vida foi a nossa recepcionista do terceiro piso, Jully Caldwell que cuida da cúpula sagrada.
- E quando vocês descobriram o corpo?
- Quem achou o corpo por volta das dez e meia, pouco antes do museu fechar foi o faxineiro que iria fazer a ultima ronda nos banheiros para ver se estava tudo limpo para o dia seguinte. Ele havia entrado no banheiro masculino e sentiu um cheiro muito desagradável que chegou a lhe dar náusea, viu uma poça de sangue debaixo da porta de um dos sanitários, e quando abriu viu o corpo do professor jogado no chão com a garganta cortada.
- Então há uma grande possibilidade do assassino ter matado o professor no banheiro mesmo, mas se foi algo premeditado seria muito estranho ele ter esperado o professor entrar ali.
-Já não sei mais o que pensar Sr.Port! Nunca aconteceu nada dessa natureza aqui no museu.
-Sr Erick, será que você permitira que eu fosse a sala da cúpula sagrada apenas por alguns instantes fazer uma busca e anotar algumas coisas?
-Se for para ajudar a achar esse criminoso, claro que pode Sr.Port.



Capítulo 2

      O capitão John Hering e o investigador Jared Greene haviam se conhecido no porão do High Monetary durante uma perseguição ao assassino Jeremy que fazia charadas desafiadoras para Harold Port. Agora estavam ali, frente a frente novamente na sala de autópsia do departamento médico da polícia Delta One.
- John, o professor Gregory Willians, foi encontrado assim no banheiro do museu Arc Neville ontem 2 horas depois de ter dado uma palestra. A garganta foi cortada e a morte foi instantânea pelo que os nossos legistas detectaram. Uma tragédia e ainda não temos a menor pista de quem poderia ter feito algo tão cruel e dentro do museu mais famoso de Wiscoin.
- John Hering, ainda olhando apavorado para o corpo do professor, o suor escorrendo em sua testa e suas pernas trêmulas, parecia não acreditar ainda como um professor famoso havia sido assassinado brutalmente dentro de um museu com tantas câmeras de segurança e tantos vigias. Lançou um olhar confuso e intrigado para Jared:
- Greene, porquê você não procurou o Harold? Você sabe que ele pode ajudá-lo muito nesse caso difícil.
- John, a polícia de Wiscoin tem que trabalhar com seus próprios homens, com sua própria investigação. Conheço o Harold faz tempo e sei do potencial dele, mas ele trabalha sozinho, na verdade vocês dois trabalham sozinhos, vocês não são da polícia, são detetives particulares, e você sabe muito bem que a polícia não gosta da intervenção de detetives no trabalho dela.
- Mas Greene, se você der uma chance ao Port ele com certeza te trará o criminoso e o motivo dele ter cometido esse crime e você poderá prendê-lo e fazer o trabalho que a polícia sabe fazer de melhor, botar criminosos na cadeia.
- Você venceu Hering. Não tenho nenhuma pista mesmo e nem idéia de por onde começar a investigar esse caso.
-Muito bom Jared, trabalhar em equipe é sempre melhor. Diga-me uma coisa, quem chamou vocês ontem ao museu?
- Foi o vigia-chefe, Erick Brown.
- E o que ele disse?
- Ele falou que tinha acontecido uma tragédia, para nós irmos ao local o mais rápido possível que um professor havia sido assassinado.
- Vocês já conseguiram alguma informação da vítima?
- Sim! Tinha 47 anos, chamava-se Gregory Willians como vocês já sabem, professor de Símbolos e Códigos da universidade de Oxford, reside na Bridge Avenue, morava sozinho não era casado.
- Port vai querer saber essas informações. Vou ligar e marcar para encontrá-lo agora, você nos acompanhará Sr. Greene?
-Com certeza, quero acompanhar a investigação de Harold bem de perto.
Hering falou ao telefone com Port, e saiu com Jared Greene em direção ao museu Arc Neville para encontrá-lo.






Capítulo 3

         

          Port foi acompanhado do Sr. Erick até o terceiro e último piso do museu. Chegaram até a recepção da sala da grande Cúpula Sagrada. Port examinava cada detalhe nas paredes, no chão, no teto, fazia algumas anotações em sua caderneta, enquanto o Sr Brown se dirigia à mesa da recepcionista July Caldwell. Falaram por alguns instantes, pegou um cartão magnético com ela e voltou-se ao encontro de Port. Harold, lembrando-se de quando entrou no salão principal com Erick vira um gancho envergado com sete pontas laminadas que ficavam em um dos cantos próximo a porta de entrada, onde os cavalheiros deixavam seus sobretudos, chapéus e outros apetrechos para poderem acompanhar as palestras no local. Vinha em sua mente algo muito estranho, havia reparado que tinha uma mancha de sangue no gancho, havia sido uma de suas principais anotações mas tomado pela ansiedade da história contada por Erick da Cúpula Sagrado acabou deixando algo para trás.
Exultante, Port encaminhou-se para a porta de saída, mas foi interrompido por Erick que puxou-lhe pelos ombros:
- Sr Port, onde vai?Já consegui o seu cartão de acesso! Não vai entrar na sala?
Port pegou o cartão e guardou-o em sua valise.
-Muito obrigado. Antes de entrar na sala tenho que voltar ao salão principal. Tem algo que me deixou intrigado.
Erick sem entender nada apenas olhou-o sem questionar e respondeu:
- Com quiser Sr.
Port voltou rapidamente ao salão principal no segundo piso do museu, olhou os dois cantos próximo a porta e viu dois ganchos semelhantes mas como tinha visto antes o da esquerda da porta estava com uma mancha de sangue. Tirou uma lupa de sua valise e um pequeno frasco vazio. Analisou por algum tempo todo o gancho. Vestiu suas luvas que havia trazido em sua valise e retirou uma lâmina a qual usou para raspar um pouco do sangue que havia no objeto, colocou-o no frasco e guardou na valise.
Andava cautelosamente pelo salão procurando por algo que poderia ter passado-lhe despercebido. Mexia as poltronas, olhava o chão atentamente, até que encontrou algo próximo a base do gancho quase imperceptível no carpete que haviam colocado no dia anterior especialmente para o evento que ocorrera. Usou novamente suas luvas e o guardou em sua valise. Fez mais algumas anotações em sua caderneta e já esboçava um pequeno sorriso como se algo estivesse começando a clarear em sua mente.
Port seguiu novamente para o terceiro piso em direção ao seu próximo compromisso: a Cúpula Sagrada.




Capítulo 4

     
        O capitão John Hering e o Investigador Jared Greene acabavam de chegar ao museu Arc Neville quando viram um vigia na porta colocando uma placa na parte frontal. Se aproximaram dele quando John perguntou:
- Senhor, por favor! O museu hoje não vai abrir?
O vigia-chege virou para os policias e respondeu com um ar preocupado:
-Não. Tem um detetive aqui dentro fazendo uma investigação e a presença do público só iria atrapalhar até mesmo para o efeito de colher as pistas nas quais ele está trabalhando.
-Perfeito, exclamou Hering!
-Espantado, o vigia perguntou:
-Vocês conhecem o detetive que está aqui? Também são investigadores?
-Isso mesmo, respondeu Greene! Investigador Jared Greene e Capitão John Hering. Viemos acompanhar o detetive Harold Port.
-Pois não, senhores. Meu nome é Erick Brown, sou vigia-chefe do museu. Lmebro-me do Sr Greene, foram seus homens que estiveram aqui ontem quando o Sr. Gregory morreu, certo?
-Exatamente! Preciso que nos leve até o Harold o mais rápido possível.
-Claro! Me acompanhem. Ele deve estar no terceiro piso.
Capítulo 5


           Port estava no interior de um verdadeiro caos do universo, um mundo imaginário, uma ciência deslumbrante. A Cúpula Sagrada era um ambiente sombrio, parcialmente escuro, usava apenas as luzes das pequenas luminárias, tinha um telescópio gigante no centro da sala, diversos equipamentos sonoros, microscópios, alguns monitores de vídeo, um pequeno acervo de livros de títulos variados como: Ocultismo, Simbolismo, Códigos, Magias e Encantos, Fé e ciência, Pesquisando o inexplicado, Mitos e Crenças.
Tinham ainda nove bancadas separadas uma da outra espalhadas pela sala com pequenos armários embutidos e uma placa com o nome de seus donos: Richard Barton, Ryan Carragher,  Henry Bernett, Vincent Yale, John Gray,  Michael Briggs, Leonard Rivera ,Andréas Neville. E apenas uma estava sem nome.
- Oito pessoas assistiram a palestra, nove  bancadas, todos eles ligados pela ciência. Todos estavam interessados no assunto debatido pelo professor de Símbolos e Códigos, praguejava Port consigo mesmo. De quem será a última bancada?
Olhando-a mais de perto, Port percebeu que seu cadeado estava destrancado. Puxando a porta vagarasomente, Port deparou-se com uma caixinha como se fosse um pequeno baú aberta, seja o que fosse que estivesse ali, com certeza havia sido roubado.
Começou a folhear alguns dos livros do acervo, olhou atentamente cada equipamento contido na sala e suas adjacências e fez suas anotações.
Ao sair da sala da Cúpula, viu seu amigo detetive, John Hering e o Investigador Jared Greene falando com Erick Brown no corredor.
-Port, finalmente o encontramos.
-Chegaram na hora certa Hering. Como vai Jared?
-Muito bem Harold! Me desculpe não ter lhe chamado para esse caso, mas o Capitão Hering já me convenceu a aceitar a ajuda de vocês. Não tinha a menor idéia sobre esse assassinato. O que você já descobriu?
-Muita coisa Jared, depois conversamos melhor.
Port voltou-se para a Srta. July Caldwell e olhando fixamente para ela perguntou:
- Preciso saber uma coisa de extrema importância e preciso que seja sincera.
-Pois não Sr., o que é?
-Quem é o ocupante da bancada que não tem o nome identificado?
-Era do professor Gregory. Faz pouco tempo que ele veio a fazer parte da Cúpula e dizia que preferia ficar oculto.
-Muito obrigado!
Hering e Jared ficaram ali parados olhando para Harold sem entender o motivo daquilo mas seguiram-o percebendo o olhar discreto que ele havia lhes lançado.



Capítulo 6


      Quando chegaram ao salão principal, Port trancou as portas e colocou sua valise sob uma das poltronas. Pediu a Hering e Greene que se sentassem e começou a falar:
- Meus amigos, descobri algumas pistas que podem ser um grande passo para acharmos esse criminoso. Mas vou precisar da ajuda de vocês.
Antes de lhes dizer o que poderão fazer por mim vou lhes mostrar algumas coisas. Tirando de sua valise, Port mostrou a eles o frasco com o sangue que havia retirado do gancho e um pequeno obejto. Greene olhando ainda sem entender, vira-se para Port:
- Mas o que é isso Port?
-Isso é um pedaço de tecido que estava caído próximo ao gancho usado para colocarmos nossas vestes e apetrechos na parte esquerda disse apontando para o mesmo. Esse sangue que colhi também estava no gancho. Comecei a interpretar os fatos que poderiam ter acontecido, e o que consigo ver claramente em minha mente é que com certeza o criminoso é uma das oito pessoas que assistiram a palestra ontem do professor Gregory. Ao entrar na sala alguém passou o braço com força pelo gancho rasgando assim um pedaço do tecido. Mas isso por enquanto não nos ajuda em nada, a única coisa que pode nos ajudar caso tenha algo relacionado com o criminoso é o fato de podermos identificar o sangue. Quando o Sr. Erick me falou da Cúpula Sagrada, o local onde cientistas, professores, pesquisadores e outros fazem pesquisas importantes, fazem testes, trabalhos e tudo com privacidade, me atentei para o fato da palestra ter sido sobre códigos e símbolos. Fui até lá e descobri um armário com o cadeado destrancado, o qual pertencia como vocês viram ainda pouco, ao professor Gregory.
O motivo do crime naturalmente foi algo que o professor guardava dentro de uma caixa em seu armário.
Hering ficava olhando Port falar e ficava imaginando como podia esse homem raciocinar tão rapidamente e já esclarecer parte do mistério.
Virou-se para ele:
- Port, então você acha que mataram o professor pelo que ele tinha naquele armário?
-Sim Hering, e o que me leva a ter mais certeza disso é que logo após a palestra ele foi até a Cúpula, entrou ficou no máximo 5 minutos e saiu de lá segundo a Srta July.
-E o que podemos fazer para ajudá-lo Port?
- Greene, você vai levar essa amostra de sangue ao seu laboratório e esse pedaço de tecido e tentar descobrir de qual dos oito era. Me mantenha sempre informado. E Hering, quero que você vá até a sala de vídeos com o Sr.Brown e veja com ele o vídeo da palestra, repare bem em todas as perguntas feitas e principalmente quero que você me diga qual dos participantes estava com a roupa rasgada, repare bem em todos os detalhes e veja se nota alguma reação estranha.
-Tudo bem Harold, mas e você?O que vai fazer?
-Vou visitar cada um dos presentes aqui ontem e tentar extrair o máximo de informação.
Acabaram a conversa, e se separaram os três, Hering foi até a sala de vídeo, Port foi até a entrada principal do museu pegar a lista dos convidados com a recepcionista com os endereços de cada um deles, enquanto Greene voltou a Delta One para levar as amostras ao laboratório.




Capítulo 7

        John Hering procurava por Erick Brown na sala de vídeos mas não obtinha resposta em suas batidas na porta. Tentava olhar pelas pequenas frestas nas laterais mas não obtivera sucesso. Já havia desistido quando foi surpreendido por uma presença repentina logo atrás de seu corpo.
- O que está procurando em minha sala, detetive?
- Sr. Erick, procurava justamente por você. Será que poderíamos entrar por um minuto?
- Claro! Siga-me.
Erick abriu a sala e levou John até o final do corredor onde estavam os monitores de vídeo e várias fitas empilhadas em cima de uma mesa grande e circular. Sentaram-se nas cadeiras de comando dos vigias da sala principal de segurança do museu Arc Neville.
-Então detetive, diga-me, porque queria entrar em minha sala?
- Quando conversou com Port hoje, disse a ele que tinha câmeras de segurança em praticamente todo o museu, inclusive no salão principal, onde aconteceu a palestra de ontem, certo?
-Exatamente! Só não temos câmeras próximas aos banheiros.
- Será que eu poderia dar uma olhada na fita gravada de ontem durante a palestra?
- Claro! Vou pegá-la! Mas já a vi diversas vezes e não tem nada que possa nos ajudar! Tudo pareceu tranqüilo, sem nenhum tipo de anormalidade.
John Hering ficou aguardando enquanto Erick procurava a fita no meio daquela pilha enorme que vira assim que entrou na sala.
Seus pensamentos iam e vinham, quando imaginava o que Port poderia estar descobrindo ao interrogar os possíveis suspeitos do crime. Ficava olhando todos aqueles monitores de vídeo, todas aquelas fitas gravadas, botões de alarme geral e não conseguia entender como um museu tão seguro foi o palco de um crime hediondo como aquele visto na noite anterior?
Quando voltou a realidade, John notou o semblante de Erick mudar radicalmente, gotas de suor escorriam-lhe pelo rosto e as mãos já trêmulas perdiam-se meio a uma fita e outra, os olhos fixos na mesa circular, um olhar tão apavorado que fez com que John levantasse rapidamente para ajudá-lo.
- O que houve, Erick? Onde está a fita?
- Errrr, Euuu, Euuu não sei! Era para estar bem aqui, pois eu assiti ela ontem várias vezes. Não estou acreditando nisso. Roubaram a fita.
-Como assim roubaram Erick? Sua sala fica trancada o tempo todo?
-Fica. Não sei o que houve mas alguém de alguma maneira entrou na sala e roubou a fita.
Já tentando se acalmar e controlar também o vigia-chefe do museu, Hering pediu que sentasse e tentasse imaginar onde pudesse ter colocado a fita. Andou pela sala olhando cada local possível e analisando as frestas laterais, a porta da frente, a qual não havia nenhuma marca de arrombamento e ao verificar a porta dos fundos viu algo que chamara sua atenção, o cadeado que trancava o fecho principal do lado de fora estava aberto e a maçaneta havia sido forçada, a porta estava aberta. Erick estava de cabeça baixa na mesa tentando imaginar o que poderia ter acontecido em sua sala quando foi despertado pelo grito de Hering:
-Erick venha aqui ver isso!
Ao chegar próximo da porta, não acreditava no que via.
- Mas como é possível? Só quem tem a chave desse cadeado sou eu. Como conseguiram abrir a porta dos fundos?
-Erick, com certeza quem roubou a fita desse vídeo é a mesma pessoa que assassinou o professor. Ele deve ter lembrado que poderia ter sido flagrado pelas câmeras em alguma situação que poderia culpá-lo do crime. Agora nossa grande chance de pegá-lo foi-se embora. Port não vai gostar nada disso.
- O que vamos fazer agora, detetive?
- Quero que você faça uma ronda no museu. Há ainda uma chance do criminoso ainda estar por aqui. Preciso ir novamente ao salão principal.
- Sim senhor.
Erick pegou seu molho de chaves de todo o museu enquanto John foi até o segundo piso.



Capítulo 8


       Harold Port, acabara de chegar em Brighton Avenue 53. Subia a pequena escadaria até o apartamento de Richard Barton, o também professor de Oxford. Tocou a campainha diversas vezes, até ser atendido por um homem de estatura mediana, usando óculos grande e com armação semi-quebrada, cabelo grisalho e barba espessa. Olhava espantado para Port:
- O que deseja?
- Boa tarde! Meu nome é Harold! Harold Port! Gostaria de ver o Sr. Richard Barton, por gentileza?
- Sou eu mesmo. O senhor me conhece?
- Sou detetive e estou investigando o assassinato do professor Gregory. Estou aqui para conversar a respeito da palestra na qual o Sr. Esteve presente, certo?
- Sim estive sim. Que tragédia! Incrível esse mundo em que vivemos não é mesmo detetive?
Ontem mesmo estive lá ouvindo o meu colega de trabalho e hoje ele simplesmente não está mais aqui nesse mundo conosco. Ainda não acredito.
Mas faça o favor de entrar. Pode sentar-se ali por gentileza, disse aprontado para o sofá branco no centro de sua sala que ainda estava em tamanha desordem devido a recente mudança.
Port fez uma pequena reverência e entrou acomodando-se no sofá.
-Aceita alguma bebida, detetive?
- Não, obrigado. Sr. Richard, vou direto ao ponto, pois ainda tenho mais sete convidados para interrogar. Sobre o que era a palestra do professor Gregory?
- Ele falou sobre diversos tópicos envolvendo o simbolismo e os códigos.  Uma parte da história desde a antiguidade, dos desenhos feito em cavernas para expressar as idéias, de códigos escritos e falados e outros assuntos ligados a esses temas centrais.
- Entendo. Todos tinham liberdade para perguntar qualquer coisa ao professor durante essa palestra, não é mesmo?
-Claro! Todas as palestras do professor Gregory davam brecha para que cada um pudesse debater e comentar o tópico abordado por ele.
- Em algum momento você notou o professor nervoso ou preocupado ao responder alguma pergunta, ou ao ser perguntando sobre algo?
-Nervoso ou preocupado não sei dizer ao certo. Mas quando ele foi perguntado sobre a Tribo Azdull e a pedra colossal ele demorou um tanto para responder.
- Pedra colossal? Essa não é a fictícia pedra que a antiga Tribo Azdull acreditava que dava vida eterna para aquele que a possuísse?
- Quase isso detetive! O único engano que comete é ao dizer que é fictícia. Nós pesquisadores e professores desse ramo da história acreditamos que a pedra existe e que passou de geração em geração e hoje está bem guardada com alguma outra Tribo ou por algum membro mesmo que seja descendente da suposta extinção da Tribo Azdull.
Port parou por um tempo imerso em seus pensamentos, quase que imóvel ao ouvir essa informação. Pensava consigo mesmo:
- A pedra, não é possível! A pedra, será que ela existe mesmo? Aquele pequeno baú que encontrei no armário do professor, ele tem o espaço perfeito para guardar uma pedra daquela dimensão.
- Sr Port?? O senhor está bem?
- Sim, respondeu Harold voltando a realidade.
- Poderia me dizer só mais uma coisa?
-Claro! Se eu puder ajudar?
- Quem fez a pergunta sobre a pedra?
- Sinceramente não me lembro se foi Ryan Carragher ou Andréas Neville. Afinal ambos debateram muito o assunto com o professor Gregory.
- Muito obrigado pelas informações Sr. Barton. Por enquanto é só isso.
- Sr. Port, acha que o assassino foi um de nós que estiveram presentes na palestra?
- Tenho que avaliar todas as possibilidades respondeu Port em um tom mais seco e frio.
Richard conduziu Port até a porta e despediu-se dele com um aceno.
Port foi até o próximo endereço de sua lista, a residência de Ryan Carragher.
Tocou, e foi atendido prontamente por uma jovem com rosto angelical, cabelos loiros e um ar tão sereno e tão cordial que deixou Port encantado vendo até o céu mais azul.
- Pois não? Em que posso ajudá-lo?
- Srta., boa tarde! Meu nome é Harold Port! Estou procurando por Ryan Carragher, ele está?
- O que deseja com meu pai?
-Sou detetive, disse Port mostrando-lhe a credencial. Preciso fazer algumas perguntas a ele.
- Meu pai não tem nada para falar com a polícia. Adeus! A jovem ia fechando a porta quando Ryan apareceu e bloqueou-a na mesma hora.
- Pare com isso menina! Eu não te dei educação não? Vai fechar a porta na cara do detetive?
A menina virou as costas e foi embora deixando-os sozinhos na porta.
-Queira me desculpar detetive. Escutei da cozinha a conversa e vim ver o que estava acontecendo. Minha família aprendeu exageradamente o conceito do “não fale com estranhos”
-Não é problema algum Sr. Carragher! Ela está até certa, pois nesse mundo em que vivemos não podemos confiar em ninguém.
- Queira entrar, por favor!
- Port recusou o convite a se sentar e começou a falar rapidamente:
- Sr. Ryan Carragher serei o mais breve possível e não tomarei muito o seu tempo. Estou aqui para saber algumas informações sobre a morte do professor Gregory. Ele parecia seguro durante toda a apresentação?
-Só um instante. Acho que não estou entendendo bem. Você acha mesmo que foi um de nós que assistiram a palestra que matou o professor?
-Não falei isso em momento algum. Estou apenas tentando extrair algumas informações preciosas daqueles que estiveram lá. E pelo que tudo indica é muito provável sim que um dos oito participantes tenha assassinado o professor Gregory. Agora, responda-me ele parecia seguro?
- Sim. Não demonstrou nenhum tipo de fragilidade durante sua apresentação, só ficou um pouco impressionado com a pergunta do Neville, querendo saber sobre a tribo Azdull e a pedra colossal.
- O que o Sr. achou disso?
- Detetive, em que isso irá ajudar?
- Apenas responda minha pergunta.
- Achei interessante, afinal muitos pesquisadores estudam e procuram por essa pedra que afirmam existir.
- E é claro, o Sr. como pesquisador achou muito interessante?
- Mas é lógico. Afinal saber mais sobre essa pedra é fundamental para minhas pesquisas.
- Me diga só mais uma coisa Sr. Barton, faria qualquer coisa, digo qualquer coisa mesmo para ter essa pedra?
- Claro que sim! Não vai me dizer que você a encontrou detetive?
- Sinto decepcioná-lo, mas não encontrei não. Era apenas uma curiosidade. Alguma outra informação que possa me dar sobre os outros participantes?
- Bom, não sei se isso é relevante, mas o mago ficava o tempo todo olhando para algum objeto em suas mãos, e a roupa que o Sr. Neville estava usando era um tanto quanto esquisita, lembrava uma túnica, ou bata usada pelos antigos monges.
- Muito importante essas informações.
Port anotava cada vírgula, cada palavra que era dita pelo pesquisador. Levantou-se e agradeceu muito pelo diálogo, sendo acompanhado até a porta por Ryan. Segui até algumas quadras do prédio em que estava e foi até a Igreja Saint Ellen. Procurava pelo padre Rivera mas não obtivera sucesso. Conversava com outro padre que estava no local.
- Padre, não gostaria de perturbá-lo, sei que você tem uma missa para rezar daqui a pouco, mas preciso que me diga aonde o padre Rivera foi. Preciso muito falar com ele.
- Não sei aonde ele foi. Não me disse nada. Eu apenas o vi sair com um homem essa manhã.
- Poderia descrevê-lo para mim?
- Ele era baixo, bastante encorpado, estava trajando uma estranha túnica, bem parecida com as usadas pelos monges, não sei descrever ao certo como era. E até o momento ele não retornou.
-Você nunca tinha visto o padre falar ou sair com esse sujeito?
-Nunca! Você acha que pode ter acontecido alguma coisa com ele, detetive?
-Espero que não padre. Preciso ir. Obrigado por tudo e desculpe-me novamente incomodá-lo.
-Que deus o acompanhe detetive. E proteja Rivera.
Port, saiu da Igreja completamente balanceado, afinal era muita informação preciosa chegando ao mesmo tempo, e o sumiço do padre o preocupara bastante. Port seguiu em seu carro até a biblioteca BooksWorld para fazer mais algumas anotações.




Capítulo 9

          Jared Greene estava impaciente, andava de um lado para o outro, esperando pelo resultado da análise do sangue e do tecido colhidos por Port no museu Arc Neville. Preocupado, entrou em um dos laboratórios de seu pessoal, e chamou um dos rapazes que trabalhavam a todo vapor dentro daquele imenso centro de análises.
- Por favor, venha até aqui! Não é possível, nenhuma resposta ainda da análise?
- Sim senhor! Já foi concluída e mandamos para o setor da investigação criminal para verificar se é de algum criminoso fichado.
-Então, por favor ligue-me no ramal do Cole, preciso saber se já temos alguma coisa.
Depois de algumas tentativas, finalmente Jared conseguira falar com seu companheiro:
-Então Cole, a análise dos materiais que te enviaram, conseguimos alguma coisa?
- Greene, o sangue, as digitais colhidas do gancho  são de Charles Smice, criminoso condenado a prisão perpétua, cometeu vários homicídios e escapou da prisão fazem três anos.
-Então esse canalha, esteve no museu?
-É o que parece Greene. Temos que pegá-lo antes que seja tarde demais.
-Deixa eu ver a foto dele Cole! Estou indo em sua sala agora mesmo.
Desligou o telefone e correu até a sala da chefia, quase cruzando a lateral do corredor, entrou numa sala enorme com várias bancadas e computadores ligados onde os investigadores da Delta One faziam seu árduo trabalho policial todos os dias sem parar. Foi em direção a mesa do investigador Morgan Cole e teve um choque ao se deparar com a foto do criminoso fichado que aparecia na tela do computador:
- Não é possível! Eu conheço esse cara. Gritava Jared balançando o corpo de Morgan pra frente e para trás.
- Quem, é Jared?
- Ele é o vigia-chefe do museu. Erick Brown, ninguém mais e ninguém menos. Como não reconheci esse criminoso hoje quando estive lá?
Tenho que avisar o Port o mais rápido possível.
Se ele matou ou não o professor, ainda não sabemos, mas temos motivo de sobra para colocar esse cara atrás das grades novamente.
Mande toda a unidade Delta 1B para o museu agora mesmo Cole.
Jared tentava desesperadamente falar com o celular de Harold.







Capítulo 10


         John Hering, olhava tudo em volta do salão principal, procurava por algo que pudesse ter passado despercebido por Harold. Analisava todos os quadros, as poltronas, olhou fixamente para a câmera de segurança e viu algo que chamou-lhe a atenção, bem embaixo da parede lateral onde a câmera ficava, não havia como ser filmado, pois era apenas uma câmera no salão. Começou a avaliar a estrutura das paredes laterais e percebeu uma certa diferença na grossura dessa parede logo abaixo da câmera para as demais. Botou a mão nessa mesma parede para analisar e descobriu uma pequena abertura quase imperceptível se não olhar bem de perto e viu uma escuridão estranha do outro lado da parede. Começou a pensar consigo mesmo:
- Não é possível, isso não pode ser o que estou pensando! Uma passagem secreta?
Fez força para o interior empurrando a parede e quase tombou junto ao chão com a força e rapidez com que a estrutura girou e colocou-a para dentro do cômodo secreto no qual vira pela pequena abertura. Com um leve sorriso no canto da boca John tentava enxergar em meio a um breu completo. Tinha em seu bolso um isqueiro e tentou acendê-lo para enxergar o que tinha ali dentro mas pouco consegui ver mesmo com a chama acesa. Foi seguindo por um largo corredor ainda se apoiando em meio as paredes e deparou-se com uma escada. Subiu as pressas até o último degrau e encontrou uma parede enorme com uma pequena luz que imergia de dois orifícios bem no canto direito. Hering aproximou-se e tentou olhar por entre os buracos mas não conseguira de primeira. Parecia que havia algo travando. Tentou denovo e agora sim conseguia ver nitidamente, para sua surpresa o que estava diante de seus olhos era a sala da Cúpula Sagrada.
Impressionado com tudo aquilo que acabara de descobrir, falava sozinho:
- Então foi por aqui que o assassino viu o professor entrar na Cúpula. Agora tudo faz sentido. Tenho que encontrar a droga daquele vídeo.
Hering correu saindo da sala secreta e forçando bem para que ninguém descobrisse a entrada, e foi até a sala de vídeo no primeiro andar. Viu que Erick já não estava mais lá. Começou a olhar pela porta dos fundos, agora trancada, as brechinhas que davam para o interior da sala tentando ver se havia alguma maneira de entrar ali sem ser percebido. Não havia pensado em nada nem descoberto algum jeito de entrar, não pensou duas vezes: Tirou o revolver e disparou dois tiros na já quebrada fechadura jogando o cadeado longe. Entrou na sala e começou a procurar desesperadamente o vídeo que Erick não conseguira encontrar. Mexia em todos os locais possíveis e nada. Estava desesperado, afinal estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe de descobrir o assassino do professor Gregory.
Já ia saindo da sala pela porta da frente quando pisou em algo e foi verificar: Uma fita sem nenhuma identificação.
Parecia que a sorte voltava a sorrir para seu lado. Foi depressa até o vídeo colocar a fita para ver a palestra mas para sua surpresa viu algo muito mais surpreendente. A fita era uma gravação do primeiro piso e não do segundo, a mesma câmera que ele olhava agora pela porta dos fundos, e o que ele viu na fita foi a imagem de Erick Brown, o vigia, quebrando o cadeado de sua própria sala com uma marreta e a maçaneta também.
Sorria sozinho e suspirava:
- Erick Brown, quem diria? Você está muito encrencado. Por isso a fita sumiu. Ele está encobrindo o próprio crime e quis nos enganar o tempo todo nos dando a lista dos participantes. Tenho que avisar ao Port e ir atrás desse bandido.





Capítulo 11


         Port estava concentrado em sua leitura, um livro sobre as antigas tribos e mitos quando foi novamente interrompido pelo toque do seu celular. Resolveu atender dessa vez e ouvira quase uma voz berrante do outro lado:
- Harold, volte pro museu correndo. Descobri o criminoso. Erick Brown é quem estamos procurando. Esqueça os participantes da palestra e venha imediatamente.
-Estou indo agora mesmo Hering.
Port fechou o livro que estava lendo e já tinha anotado tudo que precisava saber.
Foi acelerando e ultrapassando todos os sinais em direção ao museu.  Seu carro chegou com tanta velocidade que quase bateu junto ao monumento da grande Arca.
 Pegou o celular novamente enquanto se dirigia a entrada principal e viu uma ligação perdida de Greene, mas foi logo surpreendido pelo próprio Green em sua frente:
- Port, finalmente consegui encontrá-lo. Minhas patrulhas já estão chegando ao local, estamos fechando o cerco, parece que descobrimos o assassino. As digitais e o sangue analisados batem com o de Erick Brown.
- Greene, recebi uma ligação do Hering agora mesmo me falando a mesma coisa. Mas precisamos achar o padre Rivera. Ele sumiu essa manhã e tenho certeza que o criminoso está com ele.
- O que você está dizendo, Port?
Port ainda com o livro que havia trazido da biblioteca, mostrara um trecho ao investigador, leia essa parte Greene:
“ Adoradores do sangue eterno, da vida eterna, servirão fielmente ao Deus Azdull, e aquele que for digno de possuir a pedra colossal será agraciado com a imortalidade.”
“ ....  o ritual deve ser feito no berço do Deus Azdull, dentro da Arca Sagrada, feito por um padre usando a pedra colossal.”
- Port, se isso que diz no livro for verdade, a Arca Sagrada é o museu e o assassino está mesmo com a tal pedra? Ele vai fazer o ritual com o padre?
-Exatamente! E o assassino não é Erick Brown.
-Como não, Port? E as digitais, o sangue, tudo?
- Ele foi cúmplice Greene. Cúmplice de tudo. Como eu tinha imaginado desde o início o criminoso deveria conhecer bem o local, por isso não poderia ser ninguém melhor para isso do que o curador do museu Andréas Neville. Segundo informações do pesquisador Ryan Carragher ele estava usando uma roupa de monge durante a palestra, coisa muito incomum para habitantes de Wiscoin, ele fizera a pergunta ao professor sobre a pedra colossal e a tribo Azdull, quando fui na sala da Cúpula investigar as bancadas de todos os participantes encontrei algo que me chamou muita atenção no armário dele: um cordão com um símbolo esquisito de uma arca cortada. Quando fui pesquisar nesse livro descobri que esse símbolo é o usado por seguidores da tribo Azdull. Neville queria saber mais sobre a pedra quando perguntou ao professor Gregory e ao descobrir que ela realmente havia sido passada de geração em geração e ao ver que o professor usava o mesmo cordão ele seguiu-o de alguma maneira até a Cúpula onde viu ele retirar a pedra pois deve ter ficado justamente com medo de perdê-la. Seguiu o professor até o banheiro e ali longe das câmeras de segurança e de qualquer maneira protegido pelo seu cúmplice que cuidava da segurança do museu, assassinou o professor no banheiro e roubou a pedra. Agora temos que descobrir o esconderijo dele que é aqui mesmo no museu.
Ao mesmo tempo, que iam conversando, Port e Greene iam entrando no museu, e acabaram encontrando com John Hering que estava muito suado e com a arma em punho:
- Port, que bom que chegou. Investigador Greene. Preciso da ajuda de vocês para fecharmos o cerco e pegar o canalha do Erick.
O barulho ensurdecedor das viaturas da Delta One já ecoavam nos ouvidos dos detetives e do Investigador.
-Port, vá com Hering tentar descobrir o esconderijo do Neville. Eu vou vasculhar o museu todo com meus homens para pegar o Brown.
Foi correndo em direção ao segundo piso e deixou os detetives para trás.
-Port, ele falou Neville, escutei bem?
- Sim Hering! Você me ajudou muito nesse caso descobrindo o cúmplice dele, Erick Brown. Mas o criminoso é o Andréas Neville. Ele que matou o professor. O sangue e toda aquela informação que o Jared descobriu na análise, foi em relação ao Brown, provavelmente na hora em que ele saiu com pressa do salão principal para voltar a sala de vídeo para destruir a fita da palestra ele se cortou ao passar pelo gancho próximo a porta. A única coisa que me faltou foi descobrir como Neville descobriu que o Gregory havia pego a pedra no armário. Pelo que a Srta July me disse apenas o professor entrou na sala ontem.
- Foi por uma passagem secreta Harold. Ele viu tudo por um orifício em uma parede atrás da sala da Cúpula.
- Mas que engenhoso esse cretino. Vamos logo Hering! Acho que sei onde é o esconderijo dele.
Port e Hering se encaminharam para a entrada do museu e pararam em frente ao grande monumento da Arca.
- Port, o que vamos fazer aqui? Ficar olhando o monumento esperando o assassino aparecer?
- Claro que não! Ele tem que fazer o ritual com um padre em uma Arca Sagrada de acordo com o livro que eu li. Nós estamos exatamente em cima da grande Arca Sagrada disse Port pisando em uma imensa placa de ferro que sustentava aquele imenso monumento.
- E como vamos entrar aí?
- Você não me disse que encontrou uma passagem secreta? Esse cômodo com certeza é oculto a todos a não ser a quem conhece o museu com a palma das mãos. Você verificou se tinha algum lugar para descer Hering?
-Port não acredito! Fiquei tão compenetrado na parte de cima com a Cúpula que sai correndo depois que descobri aquilo e nem verifiquei o resto do cômodo. Vamos voltar lá agora, rápido!
Corriam para o salão principal quando ouviram gritos do investigador Greene:
- Port, pegamos o infeliz do Erick Brown. Ele estava escondido no banheiro. Deixo o Neville em suas mãos.
- Traga alguns de seus homens aqui Greene. Já sabemos aonde ele está escondido, vamos invadir e pegá-lo.
Greene mandou alguns agentes com Port e saiu com outros policias levando Erick Borown algemado em seu carro.
Os dois detetives acompanhados dos agentes conseguiram chegar ao salão principal, entraram pela passagem secreta que Hering havia descoberto e agora com iluminação bem melhor de várias lanternas descobriram uma pequena escada de degrais bem curtos que levava a um poço enorme. Desceram todos com muita cautela e foram até o final.
Estavam ouvindo vozes estranhas como se fosse uma reza ou algo do tipo e se aproximavam cada vez mais. Foram encostados em uma grande pilastra inclinada que era exatamente a dimensão aprofundada da Arca que eles viram por fora do museu, e conseguiram ver um homem encorpado deitado no chão dentro de um círculo imenso com várias velas em volta e um padre com as mãos atadas, fazendo uma reza, ajoelhado diante de uma pedra avermelhada brilhante.
Após um sinal de positivo dos detetives, os agentes entraram gritando: Mãos para o alto! Ninguém se mexe! Delta One no local! O homem apavorado no chão rolou pro lado e tentou sacar uma arma, mas levou um tiro certeiro no braço e largou-a logo em seguida.
Um grito de dor e olhava assustado para os agentes que já dominavam todo o local.
Port e Hering foram até o padre desamarrá-lo e perguntar se estava bem.
Harold Port olhou bem de frente para o homem já algemada pelos agentes federais, da Delta One e falou:
- Sr. Andréas Neville, você está preso por matar o professor Gregory Neville.
-Me soltem!Soltem-me, seus policias inúteis! Vocês não terão vida eterna! Só eu posso! Só eu, gritava desesperadamente o curador do museu.
- Você cometeu muitos erros Sr. Neville, e cometer erros com Port, é fatal! Deveria ter instruído seu cúmplice melhor, afinal ele deixou para nós todas as evidências de que precisávamos.
- Eu vou me vingar de você, detetive! Isso não acaba assim não!Quero minha pedra de volta.
Port, ignorando completamente o criminoso pede que os agentes levem-no para a cadeia. Hering, tentava acalmar o padre Rivera que ainda estava com as mãos e pernas trêmulos por causa de toda a situação.
Os dois detetives levaram o padre com eles, entraram no carro e foram até a Igreja. Deixaram o padre, que agradeceu muito tudo a eles e entrou.
Harold Port e John Hering voltaram para casa depois de resolverem mais um caso complicado.
Hering, vira-se para Port e pergunta:
- Harold, como as pessoas enlouquecem com facilidade não é mesmo? Pensar que uma pedra pode lhe trazer vida eterna?
- Pois é meu amigo, ainda vamos enfrentar muitos casos de loucura pela frente. O importante é sempre ter consigo sua caderneta de anotações, afinal as evidências não mentem.
Os dois foram sorrindo e abraçados até a cozinha para fazerem sua primeira refeição desde que tomaram seu café no início desse dia tão tumultuado.
- Port, agora o museu será fechado, pois a Arca de Neville nunca mais será a mesma.
- Com certeza John! Mas isso não é de preocupar. Ainda temos outros grandes monumentos em Wiscoin.
Comiam bem devagar apreciando cada momento de glória daquele sucesso que tinham obtido trabalhando o tempo todo em parceria.Uma parceria que ainda vai durar muitos e muitos anos.


Olá amigo leitor! Por favor deixei seu comentário sobre esse meu terceiro conto!!!!
Sua opinião é muito valiosa para mim.
Estou escrevendo meu quarto livro, dessa vez o gênero é terro, o nome é: o labirinto.
Leia também meus contos policias já publicados aqui:
Mistério na mansão Rimbauer e Uma charada para Port.
Aguardo seu comentário.
Obrigado a todos!
Quem quiser entrar em contato comigo mande e-mail para diegoaug@fgv.br






















       


       





Diego Greene
Enviado por Diego Greene em 25/07/2006
Código do texto: T201472
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Sobre o autor
Diego Greene
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
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Diego Greene