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Caso Vivaldi (6)


No jantar Mariano e Heloísa estão conversando sobre tudo que acontecera até aquele momento.
     - Amanhã minha família dará o primeiro depoimento - disse Mariano.
     - Você acha que ele pode suspeitar de alguém da sua família? Perguntou Heloísa.
     - De quem ele poderia duvidar?
     - Quem sabe de você.
     - De mim? Perguntou Mariano assustado.
     - Eu sei que você não é culpado, mas o delegado tem uma cabaça diferente e pode pensar que você poderia ter encomendado o assassinato por inveja do irmão.
      - Henrique era o meu melhor amigo.
      - Eu nunca duvidei disso, mas o delegado não sabe.
      - Para acontecer isso só se o delegado fosse a minha mãe - falou Mariano tirando sarro.
      - Que droga.
      - O que foi? Perguntou Heloísa.
      - Não posso deixar minha mãe fazer a cabeça dele, ela me odeia e é bem capaz que queira me incriminar pela morte do filho.
      - Acho mais provável que ela coloque a culpa em mim – respondeu ela.
     
       Acabando o jantar Mariano leva Heloísa de volta para casa e acompanha a moça até a porta.
       - Está entregue – disse ele.
       - Muito obrigada pelo jantar, agradeceu e lhe deu um beijo na testa.
       - Eles ficaram se olhando durante um bom tempo ameaçando um beijo, mas Mariano interrompeu.
       - Tenho que depor amanhã, vou para casa dormir e me concentrar.

       São onze horas da noite e Matias ainda está na sua sala, de repente alguém bate à porta.
       - Pode entrar - disse o delegado.
       - Foi aqui que pediram um detetive bom de verdade?
       - Orlando. Finalmente.
       - O ônibus chegou atrasado na rodoviária.
       - Sei. Você sempre tem uma explicação.
       - Esquece isso. Tava com muitas saudades, desde o caso da família Mourão a gente não se vê.
       - Pois é rapaz, mas agora tem um caso mais complicado para você me ajudar.
       - Nada é muito complicado pra mim. O que pode ser mais difícil que aquele seqüestro?
       - Assassinato. As evidências não aparecem. A única coisa que a gente sabe é que o criminoso entrou quebrando o vidro da janela do escritório.
       - Antes vamos nos concentrar no depoimento de amanhã - disse Orlando.
       - Está certo - concordou Matias.

       No dia seguinte os dois batem à porta dos Vivaldi. Marco atende a porta e pede para que eles entrem.
       - Senhor Vivaldi este é Orlando Massa, um detetive amigo meu que vai acompanhar o caso comigo.
       - Muito bem. É muito bom que tenha mais gente trabalhando, vamos descobrir o assassino mais rapidamente.
      A senhora Vivaldi chega à sala:
      - Ele precisa estar sempre junto?
      - Certamente senhora, Orlando é muito eficiente - disse Matias.
      - Para mim o culpado é a maldita esposa do meu finado filho. Podem prendê-la.
      - Fique quieta Madalena. Peço desculpas pela minha mulher Dr. Matias e Senhor Orlando.
      - Não se incomode eu encontro todos os tipos de pessoas no meu trabalho.
      - Muito bem. Vamos começar – disse Orlando.
 
                O primeiro foi o Senhor Vivaldi. Declarou que Henrique era um filho perfeito, que faltava muito pouco para que ele assumisse a presidência do banco de uma vez por todas, falou ainda de mais qualidades do primogênito. Mariano declarou que Henrique sempre foi seu melhor amigo, apesar de suas visíveis diferenças os dois eram muito unidos em tudo.
Os gêmeos não tinham muito que declarar e acabaram falando que sentiam muito a perda do finado irmão. Madalena, a mãe deu um espetáculo de depoimento, disse que Heloísa roubara o filho querido, no fim acabou chorando e foi amparada pelos filhos gêmeos. Mariano sentiu um clima um pouco falso no depoimento da mãe.
 
                 Depois dos depoimentos individuais o delegado começou a perguntar sobre Henrique e Heloísa.
                  - Como eles se conheceram?
                  - Em uma festa beneficente promovida por nós mesmos – disse Marco.
                  - Mas se apaixonaram mesmo em Bariloche – completou Mariano.
                  - Bariloche? Indagou Orlando.
                  - Sim. Fizeram uma viagem para lá por uma semana. Eu teria ido também, mas estava doente naquela época.
                  - Era só para descansar mesmo ou tinha algo a ver com negócios?
                  - Não tinha nada de negócios. Era só descanso mesmo. Na verdade não tem muito descanso por lá, muita coisa para fazer naquela cidade. E foi lá que eles iniciaram o romance.
                   - Eles demoraram muito para casar? Perguntou Matias.
                   - Seis meses apenas – respondeu o segundo filho.
                   - O que aconteceu na noite do crime?
                   - Henrique e Heloísa tiveram uma discussão, ela se irritou, pegou o carro e foi para a casa dos pais. Aí ele ligou para mim – disse Mariano.
                   - Ele mencionou o motivo da briga?
                   - Sim, mas infelizmente eu não lembro agora.
               
                   Matias observou o relatório que fizera e viu que por aquele dia já tinha feito bastante no interrogatório. Disse que teria que ir embora, que voltaria outros dias e que se precisassem dele era só telefonar ou procura-lo na delegacia.
Farah
Enviado por Farah em 16/08/2006
Código do texto: T218164

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 30 anos
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Farah