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Caso Vivaldi (12)

Mariano chega ao restaurante do clube e encontra Heloísa aguardando em uma mesa para dois. O rapaz dirige-se a ela e falando:
                      - Que bom que você resolveu conversar. Primeira coisa que eu tenho a fazer é pedir um milhão de desculpas.
                      - Calma – disse a moça. Também tenho que pedir desculpas, eu fui grossa com você aquele dia, não quis compreender o seu lado.  Por que você falou aquilo? Você está realmente apaixonado por mim?
                      - Eu não estou eu sou apaixonado por você, desde que te conheci. Mas eu nunca poderia ter contar antes, pois você se apaixonou e casou com o meu irmão, uma revelação como essa poderia esfriar o casamento de vocês.
                      - Mas por que você disse que o casamento foi um momento de alegria misturado com amargura?
                      - Henrique sempre foi meu melhor amigo, apesar de nossas diferenças éramos muito unidos. Mas havia uma grande diferença que ficava relevante: o charme dele, o jeito sedutor com o qual ele conquistava as mulheres, eu tinha as minhas mulheres também, mas as dele eram muito superiores. Quando conhecemos você ficamos impressionados com tamanha beleza, mas jurei que seria diferente, que eu iria conquistá-la. Aquela viagem para Bariloche foi marcada para quatro pessoas, eu não pude ir porque fiquei doente e a outra pessoa era uma amiga de Henrique que também teve que cancelar.
                      - Você não guarda rancor do seu irmão por causa disso. Não é?
                      - Claro que não, até fiquei feliz por ele, pois ele tinha recém saído de uma desilusão amorosa. Torcia para que ele conseguisse esquece-la, mas infelizmente foi com você que ele fez isso. Agora você entende meu lado?
                      - Estou começando a entender e quero me desculpar de novo.
                      - Eu também, pela revelação e pelo beijo, agi por impulso nas duas situações. Desculpe por dificultar as coisas desse jeito, ainda mais fazendo tão pouco tempo da morte do Henrique.
                      - Tudo isso que tem acontecido me deixa cada vez mais confusa, a morte de Henrique, minha relação com você, tudo ocorreu rápido demais.

                      O tempo passou rápido e Heloísa percebeu, já estava na hora de ir embora. Pediu carona a Mariano, não queria incomodar o motorista da família àquela hora da noite. Chegando a casa de Heloísa Mariano saiu do carro e abriu a porta para a moça, levou até a porta da mansão e mais uma vez pintou aquele clima estranho, mas desta vez Heloísa tomou a iniciativa e os dois se beijaram. Heloísa se desculpou, falou que devia ser o efeito do vinho, mas Mariano retribuiu o beijo e falou: - Eu não acho. Chamo esse efeito de outra coisa. Os dois ficaram se curtindo até tarde da noite, depois Mariano viu que estava na hora de ir pra casa e se despediu de Heloísa com mais um beijo.
                       No dia seguinte Dominique e Franco entraram no quarto de Mariano para conversar. Notaram que o irmão estava muito alegre.
                       - Como foi o jantar com Heloísa? Perguntou a irmã
                       - Bom demais.
                       - Nossa você está muito contente.  O que aconteceu?
                       - Aconteceu o que eu sempre pedi desde que a conheci.
                       - Não acredito. É sério?
                       - A mais pura verdade.
                       - Nunca estive tão feliz.
                       - Olha, nós não mandamos na sua vida, tomara que você consiga conquistá-la, mas não desrespeite a memória do nosso irmão.
                       - Nunca farei isso. Mas eu quero fazer com ela uma viagem para Bariloche, aquela em que eu não pude ir.
                       
                       Mariano quis fazer uma surpresa para Heloísa e foi à casa da moça sem avisar, no caminho comprou um buquê de rosas. Tocou a campainha e o mordomo Hugo atendeu, foi direto ao quarto de Heloísa e encontrou a moça ainda deitada na cama.
                        - Trouxe rosas para minha amada – disse Mariano.
                        - Que horas são?
                        - Onze e meia da manhã, hora de moça preguiçosa acordar.
                        - O que aconteceu ontem? Ah, nós nos beijamos na frente de casa.
                        - Sim, eu vim para falarmos do nosso futuro – disse Mariano.
                        - Futuro? Como assim?
                        - Sobre o nosso relacionamento amoroso.
                        - Eu te dei um beijo e você já pensou nisso?
                        - Eu não tenho o direito de pensar?
                        - Olha Mariano, aquele beijo foi um acidente.
                        - Desculpe, mas não acredito mais em acidentes entre nós.
                        - Foi o vinho, o efeito é de matar.
                        - Não bebemos vinho ontem. Eu cansei das suas desculpas, você me convidou para jantar, ouviu o que eu tinha a dizer e falou que entendia meu lado. Você me beijou e vem me falar disso, deve estar achando que eu sou idiota.
                        - Não é nada disso. Eu preciso pensar no que aconteceu.
                        - Eu já pensei, não importa como foi para você, só sei que para mim significou muito. Se você tentasse só um pouquinho compreenderia meus sentimentos.
                        Mariano deixou o buquê na cama e saiu, estava irritada com a falta de consideração de Heloísa por ele. Foi para o banco trabalhar e chagando lá encontrou seu pai esperando por ele.
                         - Estava esperando por você, quero conversar.
                         - Sobre o banco?
                         - Não, sobre a sua relação com Heloísa.
                         - Nós somos ótimos amigos.
                         - Desculpe filho, mas você não vai me enrolar com esse papo furado. Eu sei sobre o que aconteceu lá em casa, sua irmã me contou. Vocês dois estão tendo um caso?
                         - É muito mais complicado que isso.
                         - Fale o que está acontecendo, pode se abrir comigo. Eu quero te ajudar.
                         - Eu sou apaixonado por ela, sempre fui, mesmo antes do casamento com Henrique, antes do noivado deles.
                         - Isso é verdade?
                         - Você acha que eu ia mentir para o meu pai sobre meus sentimentos
                         - Henrique sabia?
                         - Jamais, nunca tive coragem de discutir isso com meu irmão. Qual seria a reação dele?
                         Mariano começou a chorar e seu pai o abraçou tentando consolar o filho.
Farah
Enviado por Farah em 14/09/2006
Código do texto: T240143

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 30 anos
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