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Ecilop - Justiça feita com as próprias mãos (2)

1h da madrugada de uma quarta-feira.

      Há muitas viaturas da polícia ao redor do local, um homem está estatelado no chão, a polícia olhou aquilo e logicamente deduziu que ele havia se atirado de um prédio, mas não de um andar muito alto. O corpo foi identificado, era de um policial aposentado famoso, que fora responsável por muitos massacres em penitenciárias. O delegado Carlos Moreira falou para o seu assistente, detetive David para que recolhessem o corpo e levassem ao IML, mas antes de colocarem o corpo na ambulância a vítima ainda conseguiu pronunciar algumas palavras. O delegado perguntou o que havia acontecido, mas o ex-policial só conseguia falar em um homem fantasiado, com uma máscara e um chapéu, após essa informação a vítima não suportou e veio a falecer.
      A notícia da morte do policial aposentado José Carlos Marinho foi anunciada em todos os jornais do país. A dúvida era se ele havia cometido o suicídio ou se alguém havia pressionado e feito ele se atirar do seu apartamento, o policial havia mencionado um homem fantasiado com chapéu e máscara, mas não foi levado muito a sério, pois achavam que ele estava delirando, já que estava muito próximo da morte.
      Não muito longe dali um homem acaba de acordar, Marcos é um homem de 32 anos, da classe média, trabalha em uma fábrica. Essa é a vida normal dele, nas madrugadas ele é o tal homem mascarado e usando um chapéu, odeia a polícia, pois um dia já quis fazer parte dela. Ele se levanta da cama, arruma-se e sai para trabalhar. Ao passar por uma banca de jornal vê a notícia da morte do policial estampada na primeira página.
      - Ele foi um grande homem, apesar de ter cometido muitos erros. Não entendo o motivo pelo qual ele teria cometido suicídio – disse o jornaleiro.
      - Vai ver ele não agüentou a culpa por ter comandado tantos massacres – disse Marcos.
      Marcos chegou a fabrica aonde trabalha, seu dia foi normal, apenas mais um dia em sua rotina. Ao voltar para casa pegou uma lista e riscou o nome de José Carlos Marinho. Perto da meia-noite ele pegou sua fantasia e saiu à caça de mais um policial.
       Na manhã seguinte Marcos pediu demissão do emprego, tinha que ficar o máximo que pudesse em casa, não podia ser visto na rua, pensou em mudar de cidade, mas não tinha dinheiro suficiente para isso. À tarde a campainha de seu apartamento toca, é ela de novo.
       - Estranhei você ter sumido ontem – disse Marcos, fingindo não ter acontecido nada.
       - Pois é eu lembrei que tinha que acordar cedo, desculpe por não ter me despedido.
       Instaurou um clima ruim naquela hora.
       - Eu sei que você descobriu tudo – disse Marcos.
       - Tudo o quê?
       - Não se faça de desentendida, eu sei que você descobriu a roupa, a máscara e o chapéu, viu os recortes e a lista. Depois ficou apavorada e fugiu.
       - Realmente eu fiquei com muito medo, mas nunca vi um assassino ser tão gentil.
       - Eu não sou um assassino de verdade. Eu assassinei pessoas, mas não é por que eu tenho prazer de fazer isso. Isso tudo que eu faço é para vingar meu irmão.
       - O que têm seu irmão? Por que você mata policiais? Você tem tanto ódio assim pela polícia?
       - Eu odeio por que um dia já quis fazer parte dela. Meu irmão era um exemplo para mim. Quando ele entrou para a polícia foi o momento de maior alegria para mim, meu irmão foi ganhando cada vez mais destaque na polícia e eu queria ser como ele, mas infelizmente o sucesso do meu irmão despertou a raiva dos invejosos. Há uns 20 anos atrás, quando eu tinha 12 anos ainda alimentava esse sonho de ser policial, mas infelizmente ocorreu uma fatalidade, em uma operação numa favela, cinco policiais fizeram uma armadilha para matar meu irmão, deixaram ele levar um tiro de um dos traficantes e depois completaram o serviço, um policial que viu tudo avisou ao delegado, mas os policiais não foram punidos pelo que fizeram, inclusive são acusados de outras atrocidades.
       - E matando eles você acha que vai vingar o seu irmão?
       - Eu não acho, eu vou.
       - Pois eu acho que seu irmão não deve estar gostando do que você está fazendo, matando um bando de policiais e achando que está se vingando de uma injustiça que não foi reparada.
       - Agora é mais por mim mesmo do que pelo meu irmão, eu estabeleci esse objetivo para a minha vida.
      Lívia, esse era o nome da moça, interrompeu Marcos e lhe deu um beijo na boca, depois foram para a cama dele.
      - Se você parar com essa matança vai ter o meu corpo só para você.
      Marcos concordou sem ao menos pensar no que estava fazendo, estava deixando de lado sua sede de vingança para saciar a sede de sexo de Lívia.
Farah
Enviado por Farah em 01/11/2006
Código do texto: T279642

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 30 anos
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Farah