Os crimes de Hércules/ Terceiro Crime.

TERCEIRO CRIME.

   A cidade de Mor estava aterrorizada pelas duas recentes mortes, os vereadores da cidade de Mor ficaram aterrorizados; marcaram com urgência uma sessão extraordinária para poderem empossar o presidente da câmara como novo prefeito da cidade. O medo era generalizado, não havia quem não comentasse as recentes mortes. Teorias das mais absurdas surgiam entre os moradores, dando ao misterioso assassino inúmeras identidades.

   O delegado Apolo e o detetive Abderis com sua equipe tiveram que alugar uma sala provisória no centro da cidade, era sala bem espaçosa de forma que poderiam melhor cuidar do complicado caso que tinham em mãos, um painel enorme foi montado nesta sala, na ponta superior deste painel ficava a fotografia do prefeito, um pouco mais abaixo a de seu vice, em ambas uma descrição com detalhes sobre a morte de ambos, e a data da morte e outras descrições referente às vítimas. O detetive Abderis ligou para a capital solicitando reforços para a equipe de investigações, e também policiais especializados, de pronto o atenderam. O delegado Apolo estava com as fotos das cenas dos crimes nas mãos, coçava a cabeça, tentava descobrir algo de novo que talvez tivesse passado despercebido; em sua boca um cigarro Hollywood acesso, e uma xícara de café expresso ao lado, era costume do delegado fumar quando estava muito nervoso.

  - Abderis veja só o que eu encontrei nessas fotos -- disse o delegado levantando-se rapidamente de onde estava.

  - Esses desenhos parecem...

  - Desenhos de signos, iguais ao que vemos nos jornais, não é mesmo detetive, de só uma olhada se não são idênticos.

    - O senhor tem razão, são mesmo desenhos de signos do zodíaco, como não percebemos isso, o da primeira vítima é o símbolo de Áries, já o da segunda vítima é de Touro, muito estranho… Não me recordo de tê-los visto lá, mas é uma pista interessante, e de relevância importância.

   - Será essa a ordem usada pelo assassino.

   - Quais eram as datas de nascimento das vítimas?

    - Se não me falhe a memória detetive, a data de aniversário do prefeito é doze de Abril, a do seu vice em vinte e dois de março.

     - Faz sentido delegado, o signo do prefeito é de Áries, conforme a foto, e do seu vice de Touro, o assassino usou um padrão aqui, sem dizer que ambos eram políticos corruptos, se ele segue essa ordem, os políticos desta cidade correm risco, só não entendo a motivação dele para fazer isso.

   -Olha meu amigo, o povo anda dizendo por aí que o assassino é um justiceiro, então, temos um possível justiceiro à solta por aí.

    - É só o que me faltava delegado, temos que colocar todas essas informações em nosso painel e tentar desvendar esse mistério, se o assassino for mesmo um serial Killer justiceiro, ele seguirá o mesmo padrão para todas as suas vítimas, seria bom se tivéssemos reforço policial, e o mais rápido possível.

    - Vou ver o que posso fazer quanto a isso, mas não vá se animando, as coisas por aqui são difíceis.

    - Se a nossa teoria estiver correta, a próxima vítima terá o signo de Gêmeos, sua data de aniversário deverá ser entre vinte e dois do cinco e vinte e um do seis, correto Delegado.

     - Correto meu amigo, é isso mesmo, vou providenciar as datas de aniversário de todos os políticos e de algumas pessoas influentes da cidade, quem sabe antecipamos os passos desse canalha -- Concluiu o delegado.

     Passou uma semana desde a última vítima, e nada de novo tinha acontecido, a cidade começava a se acalmar, já não se comentava tanto assim sobre as mortes, a equipe de criminalística solicitada pelo detetive havia chegado fazia dois dias e já trabalhava nos casos, o delegado fez uma reunião com todos os que haviam chegado da capital colocando-os a par dos fatos ocorridos. A equipe de criminalística era composta de quatro pessoas, e ficariam na cidade de Mor até solucionarem todo o caso. O suposto assassino em nenhuma das duas cenas do crime deixou evidências que revelassem sua verdadeira identidade, como digitais ou outras pistas, eram apenas enigmas, essa era a única coisa em evidência, como se o assassino quisesse brincar com o departamento de política.

    A câmara dos vereadores e a prefeitura foram reforçadas com um novo efetivo policial, o novo prefeito da cidade solicitou guarda pessoal para ele e toda a sua família, tudo parecia bem, os cidadãos de Mor sentiam-se mais seguros com os novos policiais nas ruas. Na sala alugada pelo delegado a equipe trabalhava no intuito de descobrir quem era o misterioso assassino, o delegado havia saído para providenciar junto ao juiz uma autorização para entrarem na casa do prefeito assassinado que fica sua fazenda. Enquanto isso, os detetives ficariam na sala alugada tentando descobrir algo de novo.

  - Já temos em mãos as datas de aniversários de todos os políticos e de algumas pessoas influentes de toda a cidade, isso nos possibilita focar melhor o caso, alguns já estão sob proteção policial, duvido que esse maluco tente alguma coisa -- Disse um dos investigadores.

   - Só não entendo o motivo do assassino se denominar pelo nome de Hércules, o delegado disse que não conhece ninguém aqui com esse nome -- Argumentou outro rapaz da equipe.

     - Não sei te responder, mas é o que descobriremos, eu pedi ao delegado para que solicite autorização para entrarmos na casa do prefeito que fica na sua fazenda, vamos ver se descobrimos alguma evidência por lá.

    Respondeu Abderis, que chefiava a equipe de criminalística. Neste momento o delegado retorna, entra na sala quase sem fôlego, sua voz rouca quase não saiu, o semblante assustado deixou todos apreensivos.

   - O que foi Apolo, que cara é essa, pelo amor de Deus diga logo o que aconteceu -- Perguntou o detetive Abderis.

   - Fui a casa do advogado do prefeito, Dr. Busiris, a autorização para adentrar na casa teria que ser negociada com ele, quando cheguei na sua casa a porta estava aberta, não havia ninguém, os vizinhos disseram que a dois dias não o viu entrar ou sair da casa. Entrei para dar uma olhada, e não tinha ninguém, estava tudo arrumado, sem nenhum sinal de arrombamento ou roubo, não havia ninguém lá.

   - Não é possível, onde esse cara foi se meter, será que viajou, sendo ele o advogado do prefeito ele conhecia todas as falcatruas do seu cliente, acho melhor procurarmos esse cara.

   - Ele tanto pode ser vítima, mas também suspeito. Disse Abderis.

   Embora o detetive fosse muito experiente com investigações e casos assim, esse em questão o desafiava, enquanto o delegado e o investigador e mais dois policiais foram tentar achar o advogado, o restante da equipe ficou na sala de investigações.

    Tentaram encontrá-lo em diversos lugares, na câmara dos vereadores, na prefeitura, até em algumas casas, a movimentação dos policiais deixou a população apreensiva, passaram o dia todo procurando pelo advogado sem obter resultados, quando estavam para desistirem, um senhor que foi um dos funcionários do prefeito na sua fazenda, aproximou-se do delegado com uma estranha informação.

 - Delegado.. Um minuto, por favor delegado.

   Disse aquele estranho senhor.

  - O que foi? Em que posso ajudá-lo senhor.           Respondeu o delegado um pouco ríspido.

  - Lembra-se de mim, eu trabalhava na fazenda do prefeito Diomedes.

Dizia ele apontando o dedo para si mesmo.

  - Sim claro, eu me lembro de você agora, desenterramos partes dos cavalos que mataram o prefeito.

 - Hoje era o meu último dia de trabalho na fazenda, o advogado do prefeito tinha acertado tudo com agente, isso já faz uns dias, hoje antes de sair fui dar uma conferida para ver se eu não tinha esquecido nada, ferramentas jogadas, essas coisas sabe, quando me aproximei da casa do prefeito percebi que a porta estava aberta, se bem me lembro, os senhores tinham fechado tudo e lacrado, percebi um cheiro horrível vindo de lá de dentro, cheiro igual a de bicho morto, pensei em entrar, mas achei melhor chamar os senhores.

    - Fez muito bem senhor, muito bem, iremos lá agora mesmo.

   Respondeu o delegado.

   - Vamos na minha caminhonete -- Disse Abderis que estava próximo dos dois -- cabe quase todo mundo, o restante vai na viatura policial.

   Eles foram na mesma hora para afazenda do prefeito que ficava a alguns quilômetros, o sol já começava a declinar no horizonte, quando chegaram na fazenda a noite tinha chegado, o ambiente escuro da fazenda tinha um ar sinistro, tudo estava escuro, nenhuma lâmpada havia ficado acesa, ao aproximarem da casa o mal cheiro que o empregado tinha relatado, estava ainda mais forte, parecia cenário de filmes de terror. Com lanternas nas mão eles entraram, passo a passo, a sala de estar estava aparentemente normal, não tinha sinal de bagunça e nem de arrombamentos, parte da equipe ficou do lado de fora ao redor da casa; conforme o delegado dirigia-se para a cozinha da casa, o mal cheiro aumentava, sua velha lanterna mau iluminava, quando de repente, ele foi tomado por um grande susto e quase derrubou a lanterna. Bem a sua frente estavam duas enormes serpentes, o delegado chamou pelos outros, ele ficou apavorado, morria de medo de serpentes.

  - O que foi Apolo? Achou alguma coisa.

  Disse Abderis.

  Apolo estava estático, sem dizer uma palavra, iluminava a terrível imagem a sua frente, a lanterna do detetive direcionou-se para o mesmo local, o susto foi grande, bem à frente deles, cercado por duas cascavéis enormes, estava o corpo do advogado, Busiris, todo amordaçado e com duas maçãs na sua boca, as maçãs estavam pintadas na cor de ouro.

   O delegado chamou o restante da equipe, fotos foram tiradas, na testa da vítima o mesmo nome, Hércules e o número três, e o símbolo do signo de Gêmeos, enquanto a equipe retirava o corpo para leva-lo ao necrotério, o detetive sentado em uma cadeira com as mãos sobre o rosto, não acreditava no que via. Quem menos eles esperavam, o único que não tinha recebido proteção policial, foi a vítima escolhida pelo assassino misterioso.

    O clima de terror voltou a assolar não só a cidade de Mor, mas todas as cidades circunvizinhas. Essa era a terceira vítima em um mês e nenhuma evidência foi deixada pelo assassino, nenhuma digital, nada, tudo estava perfeitamente em seu devido lugar, como se o corpo tivesse sido colocado ali cuidadosamente.

Tiago Macedo Pena
Enviado por Tiago Macedo Pena em 26/05/2017
Reeditado em 31/05/2017
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