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2-4-0: Assassinato, traição e chantagem (parte 6)

Segunda-feira, Janice entra na sala de seu chefe.
          - Pode começar a falar o que você sabe – disse Silvio.
          - Eu fui até uma cidadezinha aqui ao lado, onde o assassino morou a maior parte de sua vida, fui procurando uma tia que o criou quando ele ficou órfão.
          - Falou com ela?
          - Não. Chegando lá descobri que ela está internada, tem um tumor no cérebro, mas na cidade conversei com o padre de uma igreja do centro da cidade, ele também conhecia o assassino e era seu amigo.
          - O que o padre te contou?
          A promotora contou ao chefe tudo que ouviu de Francesco.
          - O que parece é que temos um caso de um fanático religioso – disse o promotor de justiça – isso deve explicar a cruz no peito das vítimas. Mas e o número?
          - É só ligar tudo agora. O assassino sempre pôs a culpa no pai, que traía a mãe constantemente. Pelo o que eu pesquisei, todas as vítimas dele tinham algum caso extraconjugal, ligando tudo é possível concluir que o assassino matava pessoas que cometiam constantemente ou alguma vez cometeram adultério. Agora não é difícil descobrir o que significa o código numérico – Janice pegou um Código Penal velho, abriu na página do artigo e mostrou ao chefe.
          - Meu deus. Como não pensei nisso logo que você falou em adultério?
          - É por isso que ele disse que eu sabia melhor do que ele o significado do número.
          - Mas o adultério não é mais considerado crime – disse Silvio
          - Acho que ele não se importa se é ou não, basta trair o parceiro para dar um motivo a ele.
          - Mas é estranho, até onde vimos, ele matou apenas homens, nunca soubemos vítimas mulheres. É muito estranho o fato.
          - É mesmo – concordou Janice.
          - Bom, agora só temos que prosseguir com o processo – disse o chefe – e condenar o desgraçado.
          Na terça-feira Janice estava em sua sala quando bateram na sua porta trazendo um envelope para ela.
          - Obrigada – disse a promotora ao funcionário.
          Janice obviamente estranhou, pois não esperava nada de qualquer pessoa, inclusive o envelope não tinha remetente. Mesmo assim abriu, mas não foi nada agradável o conteúdo encontrado, dentro do envelope havia fotos e em todas elas encontrou o rosto de Jefferson, todas as fotos mostravam-no morto.
           - Jesus – exclamou a promotora, aquilo tinha acabado com o seu dia
           Vasculhando no envelope encontrou um bilhete, escrito pelo assassino:
           “Gosta de investigar a vida das pessoas? Venha conversar comigo, conto algo sobre mim e você me diz algo sobre a sua vida.”
           Janice não conseguia pensar direito, apenas desmaiou em sua sala. Após alguns minutos ouviram um barulho na sala dela e quando entraram viram-na estirada no chão, sem pensar duas vezes socorreram a promotora.
           Uma hora depois estavam Janice e seu chefe tomando um café no refeitório.
            - O que aconteceu para você desmaiar?
            - Deve ter sido uma queda de pressão na hora.
            - Você está muito estressada.
            - Já ouvi isso antes.
            - Mas é sério. Você precisa descansar, não posso deixar que você tenha alguma coisa por causa do processo.
            - E eu não posso abandonar o caso agora. Sinto muito Silvio.
            Janice voltou para sua sala.
            - Como é teimosa – disse Silvio. O que eu faço com essa mulher?
           
            Dia seguinte, Janice foi ao enterro de Jefferson. Foi cumprimentar a esposa e expressar seus sentimentos à família, a esposa os recusou.
          - A culpa é sua, ele morreu por sua causa. Meu marido já tinha parado com esse negócio, mas você colocou mais dinheiro na mão dele e agora meus filhos não têm mais um pai. A culpa é sua, toda sua.
          Ao chegar em casa a promotora começou a chorar.
          - Meu deus, eu sou um monstro.
          - Não se culpe meu amor. Quem poderia imaginar que o Jefferson ia morrer? Perguntou o marido.
          - Eu podia, nunca devia ter pedido a ele. Agora eu destruí uma família, tirei o pai de seus filhos. Nunca poderei reparar esse erro meu.
          Marcos levou a esposa para a cama afim de que ela descansasse do enterro, em seguida ligou para o chefe da promotora pedindo uma folga para Janice. O promotor concedeu sem questionar, disse que ela precisava repousar e que podia ficar mais dois dias em casa.
          Nos três dias que ficou em casa, Janice aproveitou-os com os seus filhos, eles fizeram café da manhã para ela todos os dias, ela assistiu desenhos e comeu brigadeiro com eles. Realmente viu que estava um pouco renovada para enfrentar o que viesse embora nunca fosse tirar da cabeça o que ouviu no enterro. De repente a capainha tocou, Janice foi atender e viu um pacote na porta com um bilhete: “Não quero o seu dinheiro, estou devolvendo o que você deu ao meu marido. Aliás, qualquer coisa que me lembre você já me dá ódio”
         - Quanto orgulho – pensou Janice, mas depois viu que a viúva estava certa em devolver o dinheiro, não era obrigada a aceitar aquilo como um presente.
Farah
Enviado por Farah em 19/10/2007
Código do texto: T701134

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 31 anos
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Farah