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2-4-0: Assassinato, traição e chantagem (parte 7)

O fim de semana passou e Janice voltou à sua sala para trabalhar.
         - Está melhor doutora? Perguntou Silvio.
         - Estou chefe, pronta para voltar ao caso.
         Janice estava lendo os autos do processo quando seu telefone tocou.
         - Alô? Disse Janice.
         - Janice, sou eu, Saulo, precisamos conversar.
         - Tudo bem. Mas quando?
         - Hoje na hora do almoço. Eu passo aí.
         - Tudo bem então.
         Saulo desligou e a promotora sentiu pavor na voz do jornalista.
         Janice encontrou o jornalista na porta do Ministério Público e os dois foram a um restaurante.
         - Então – disse Janice. O que aconteceu?
         - Eu tenho recebido ligações de pessoas, estou sendo ameaçado.
         - Por quem?
         - Sei lá, acho que era um advogado ao telefone. Mais, eles me mandaram fotos de um cara morto e perguntaram se eu queria acabar que nem ele, mas eu nem conheço esse sujeito.
         - Eu conheço, é meu amigo Jefferson, ele faz uns bicos como detetive pra mim. Foi o último serviço dele e por culpa minha os filhos o perderam pra sempre.
         - Mas o que eu tenho a ver com ele?
         - Não é o que você tem ou não com ele, é o que você tem comigo. De algum jeito ele sabe que vocês estão me passando informações. É melhor que você fique longe disso daqui pra frente, ou vai acabar igual ao meu outro amigo. Você tem família, eu não quero tirar o pai de mais ninguém. Eu te mando pelo correio o material, é melhor não nos encontrarmos mais, você estaria se arriscando muito, na verdade já está.
         - Tudo bem, até acabar o maldito caso eu não falo com você.
         - Ótimo.
 
         Janice teve alguns dias de relativa paz e harmonia, nesse intervalo de tempo aproveitou para brincar com os filhos quando chegava do trabalho e fazer alguns trabalhos domésticos pendentes. Infelizmente a paz durou pouco, ela soube que seu amigo Saulo sofreu um acidente de carro, mas saiu vivo, infelizmente não era um acidente real e sim um acidente causado. Janice ligou novamente para Silvio.
         - Eu quero um novo encontro com aquele criminoso – disse a promotora com um tom de fúria.
         - Tem certeza?
         - Se tenho, preciso arrancar algumas coisas dele.
         - Você não vai tirar férias não heim?
         - Depois querido, depois, antes eu tenho dever a cumprir.
         - Já vi que de nada adianta discutir, vou avisar o delegado para supervisionar a sua visita ao preso.
         - Eu não quero o delegado nos supervisionando.
         - Não discuta, estou visando sua segurança.
         Janice não gostaria de ter a polícia por perto, pois não queria que ninguém escutasse o que seria discutido lá dentro, mas seria reservada para o encontro uma sala com paredes a prova de som e um espelho de duas direções, pelo qual os policiais observariam tudo, mas não escutariam nada.
         A promotora foi buscar seus filhos na escola, a diretora pediu para conversar com ela.
         - As crianças fizeram alguma coisa? Perguntou Janice.
         - Por favor, siga-me até minha sala.
         Chegando lá a diretora começou:
         - Estou preocupada com seus filhos Dra. Janice.
         - Como assim? O que eles fizeram?
         - Eles? Nada, são muito comportados. É outra coisa que me deixou nervosa.
         - Fale logo, você é que está me deixando nervosa.
         - Nos últimos dias um homem ligou três vezes para cá perguntando se os seus filhos estudam aqui e todos esses dias um mesmo homem ficava parado na saída da escola observando as crianças. Eu me preocupo demais, pois além de ser a diretora essa é uma escola de classe média alta e já houve seqüestro de alunos daqui. Eu sei que sua empregada costuma buscar seus filhos de carro todos os dias, mas nesses últimos dias tive muito medo.
         - Como é esse homem que ficava na saída da escola? Sabe como eu posso identificá-lo?
         A diretora mostrou uma foto dele.
         - Meu deus, é ele.
         - Conhece esse homem promotora?
         - Eu o vi num parque observando meus filhos brincarem e senti medo.
         - Olha, se você prefere que eles não venham para a escola por uns dias ou que elas vão para uma filial daqui por um tempo, eu entendo e posso te ajudar nisso.
         - Muito obrigada por se preocupar tanto com meus filhos, mas vou resolver sozinha.
         - Deixe-me ajudá-la doutora. Isso não é brincadeira, pode ser um problema muito sério e a segurança de nossos alunos vem em primeiro lugar.
         - Tudo bem, eles ficarão em casa por uns dias, até voltar tudo à normalidade.
         - Agradeço por conversar comigo promotora.
         Ao chegar em casa, Janice foi ter uma conversa com seu marido:
         - Precisamos fazer algo, nossos filhos estão correndo perigo.
         - O que aconteceu?
         - Eu conversei com a diretora da escola. Um homem anda ligando lá e pergunta por eles, ultimamente tem um homem todos os dias na saída da escola.
         - Precisamos colocar um segurança protegendo a empregada e as crianças na hora da saída delas da escola.
         - Meu deus! Eu sabia que com esse meu cargo e com o nosso dinheiro estaríamos correndo risco, mas essa possibilidade começou a parecer uma realidade distante. Apesar de sermos ricos nós não saímos ostentando o que temos para todo mundo ver, temos uma vida mais discreta possível.
         - Você pensou em algo provisório? Perguntou o marido.
         - A diretora sugeriu que eles ficassem em casa por uns dias e concordei com a idéia, perguntou também se eu não queria mudar nossos filhos para outra filial da escola.
         - Acho que as crianças vão gostar de faltar alguns dias, mas não acredito que queiram mudar da escola e também não acredito que seja uma boa idéia.
         - Também não quero fazê-los mudar.
         - Não se preocupe minha promotora, vamos achar uma solução – disse Marcos, beijando a testa da esposa. Agora vamos nos preocupar com o nosso jantar.
Farah
Enviado por Farah em 21/10/2007
Código do texto: T703499

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 31 anos
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Farah