ZEFERINO
Ali naquela terra de mato rasteiro, Zeferino como queria foi enterrado sem caixão, sem vela, sem choro, sem flor...Só uma carcomida velha rede de pano amarelado pelo tempo envolvia seu corpo magro desnudo.
Não demorou muito, a noite logo baixou seu véu negrume, todo enfeitado de luzes prateadas e douradas, com luas e estrelas, e cometas, e quasares... tudo para confortar aquela terra, ali ainda quente de um dia de Sol impiedoso.
Por causa da música das cigarras o mato rasteiro não adormece, prefere dançar a dança do vento que espalha lágrimas do sereno da madrugada, umedecendo a terra fofa, quebrando o silêncio de Zeferino que ora de alma presente, multiplicando-se em árvores, em flores, em vaga-lumes, em vagamundos, animando a vida nascente da fé.
Ubirajara Rodrigues
Enviado por Ubirajara Rodrigues em 24/10/2011
Código do texto: T3294759
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