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A SAGA DE UM POETA

     

Coitado, insone, lá estava ele em seu canto a escrever sobre coisas que guardara em sua memória, coisas que ele conhecia muito bem, dessas que nós, pobre mortais, nem mais ouvimos falar...
Num lampejo reverso, ele foi despertado e trazido de volta à sua crua condição. Incrédulo, parou de escrever e ficou observando as estrelas que cintilavam em círculos sobre sua cabeça prateada. Num infinito esforço físico e mental, levantou-se lentamente do colo aconchegante de sua velha poltrona. Seus olhos estavam rubros como brasas. Com as mãos à cintura, ajustou a espinhela arqueada à sua velha condição de “homo erectus”.

"Meu D'us - pensei -, que sina a desse coitado. Ele precisa mudar a rotina, fazer algo diferente, essas coisas que todo mundo faz para “sobreviver”: dormir, comer, beber, relacionar-se, sabe-se lá o quê; talvez assistir pela televisão as ocorrências do mundo exterior.

Ele tinha que parar de escutar as interferências em seu rádio mental, quase sempre “mal” sintonizado. Precisava fazer algo diferente... Hum! Quem sabe tomar um bom banho quente para relaxar e se higienizar? Mas não! Primeiro pensava em sair e caminhar e, porventura, encontrar alguém para conversar sobre os seus planos; quiçá beber algo bem mais profano do que o habitual.

Enfrentando esta dúvida cruel, abriu uma janela, pôs a cabeça para fora e só viu trevas. Esfregou os olhos e não acreditou: o seu lindo céu, outrora enluarado e estrelado, não mais existia. Dali, não viu nada nem ninguém. Pensou: “O que está acontecendo com tudo?”. Pareceu-lhe que o mundo se esvaía, ficava pequeno, parando de funcionar.

Será que o velho poeta, cada vez mais distante de tudo, estava enlouquecendo, ou algo parecido?
Ele se concentrou e achou por bem não correr mais nenhum risco desnecessário. Sentindo o tempo urgir, rapidamente fechou aquela janela obscura e voltou  para o seu canto. Não queria perder mais tempo.

Agora, mais consciente de sua responsabilidade, sentou o magro traseiro na velha poltrona de chefe. De volta ao seu local preferido, o zumbido mental cessou. Novamente sintonizado, ele voltou a sorrir e a sonhar. Enfim, pôs a sua "Fábrica de Felicidades" para funcionar novamente. Inspirado, escreveu sobre coisas muito lindas, de um outro mundo: coisas de amor, da alma, solidariedade, humanidade, respeito, natureza, perseverança, fé em D'us etc.

Palavra por palavra, escrevendo várias peças, lá estava ele construindo uma vida nova, maravilhosa e esperançosa para todos. Queria de todas as formas substituir por coisa melhor essa realidade já muito usada, desgastada e cheia de pecados.
Afinal, para que servem os poetas senão para criar um novo e maravilhoso
 Coitado, insone, lá estava ele em seu canto a escrever sobre coisas que guardara em sua memória, coisas que ele conhecia muito bem, dessas que nós, pobres mortais, nem mais ouvimos falar...
         Num lampejo reverso, ele foi despertado e trazido de volta à sua crua realidade. Incrédulo, parou de escrever e ficou observando as estrelas que cintilavam em círculos sobre a sua cabeça prateada. Num infinito esforço físico e mental, levantou-se lentamente do colo aconchegante de sua velha poltrona.
     Estava com os seus olhos rubros como brasas. Com as mãos à cintura, ajustou a espinhela arqueada a sua velha condição de “homos erectus”.
     "Meu D'us - pensei - que sina a desse coitado, ele precisa sair dali, fazer algo diferente, essas coisas que todo mundo faz para 'sobreviver': Dormir, comer, beber, se relacionar, sabe-se lá o quê, talvez assistir pela televisão as ocorrências do mundo exterior. Tinha que parar de escutar as interferências em seu rádio mental, quase sempre 'mal' sintonizado".
     Ele precisava fazer algo diferente... Hum! Quem sabe tomar um bom banho quente para se refrescar e se higienizar. Mas não! Primeiro pensava em sair e caminhar, quem sabe encontrar alguém para conversar sobre os seus planos e, quiça, beber algo bem mais profano que o habitual. Enfrentando essa dúvida cruel, abriu uma janela, pôs a cabeça para fora e só viu trevas. Esfregou os olhos e não acreditou... O seu lindo céu enluarado, outrora estrelado, não mais existia. Dali, não viu nada e nem ninguém. Pensou: “O que está acontecendo com tudo?” Pareceu-lhe que o mundo estava se esvaindo, ficando pequeno, parando de funcionar. Será que o velho poeta é que estava ficando louco, cada vez mais distante de tudo, ou sei lá...
     Ele pensou e achou por bem não correr mais nenhum risco desnecessário. Sentindo o tempo urgir, rapidamente ele fechou aquela janela obscura e voltou  para o seu canto, já não queria mais perder tempo. Agora, mais consciente de sua responsabilidade, sentou o magro trazeiro na velha poltrona de chefe. De volta ao seu local preferido, o zumbido mental cessou. Novamente sintonizado, ele voltou a sorrir e a sonhar, enfim, pôs a sua "Fábrica de Felicidades" para funcionar novamente. Inspirado, escreveu sobre coisas muito lindas, de um outro mundo: coisas de amor, da alma, solidariedade, humanidade, respeito, natureza, perseverança, fé em D'us, etc.
     Palavras por palavra, escrevendo várias peças, lá estava ele construindo um mundo novo, maravilhoso e esperançoso para todos nós. Queria de todas as formas substituir esse atual, em final, já muito usado, desgastado e cheio de pecados.

     “Afinal, para que servem os poetas, senão para criar um novo e maravilhoso mundo para nós”.



ZIBER
Enviado por ZIBER em 14/09/2007
Reeditado em 08/12/2014
Código do texto: T651942
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
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São Vicente - São Paulo - Brasil, 70 anos
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