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RELIGIÕES ENGANADORAS

por: Rosa R. Regis - Natal/RN

Leitor, este nosso mundo
De sofrimento e dores
É cheio de falsos santos,
Grandes aproveitadores
Da dor do desavisado
A quem tão somente é dado
Sofrimento e dissabores.

E as igrejas vão surgindo
À medida que alguém
Descobre que é um dos meios,
Dos melhores que se tem
Para enriquecer depressa
De forma "lícita"! Ora essa!
E sempre em nome do Bem.

E é usando o nome Santo
De Deus, o Nosso Senhor,
Que muita gente enriquece!
Em detrimento, que horror!
Da massa pobre e oprimida
Que tão somente da vida
Teve, como herança, a dor.

Aqui eu passo a falar
Da forma, em si, de agir
De grupos religiosos
Que têm por fim conseguir
Sempre, sempre mais adeptos.
Tendo, assim, como certo,
Sempre a quem extorquir.

Com promessas absurdas
Tal como a salvação
Do espírito e a cura
Dos males!... conseguirão,
Usando, indevidamente,
O nome de Deus Clemente,
Saciar sua ambição.

Ambição pelo poder
E por bens materiais
Que leva tão só o ser
A querer sempre ter mais!
Sem se importar com a dor
De um irmão sofredor.
Tão só finge. E nada mais.

E é construindo templos
Espalhados pela Terra
Que algumas pessoas vivem
Sem o sentimento que encerra
A verdade, e o Amor
A Deus o Nosso Senhor,
Numa ganância que aterra.

...
E roda, roda a sacolinha
Os obreiros do Senhor!
Roda, roda, recolhendo
Grande ou pequeno valor
Daquele povo sofrido
Que espera ter merecido
Assim, alívio p'ra dor.

Entregando a sua grana
À bandidagem canalha
Que usa Cristo de tema
E pelo mundo se espalha:
Aos incautos iludindo.
E, assim, subtraindo
O suor de quem trabalha.

Abre uma igreja aqui,
E logo tem capital
Para abrir um'outra ali,
Da primeira, filial.
E, de repente, só vendo!
Vai crescendo, vai crescendo...
A bandidagem legal.

Os obreiros e obreiras
Cercam, por todos os lados,
As portas dos "santos" templos,
Como fiéis bons soldados:
-Dinheiro?!... Oh!... é ninharia!!
Estão cheios de alegria!"
Pois saíram do pecado.

Estão salvos!... E, alegres,
Trabalham para ajudar
Ao chefão, que prometeu
Q'eles salvos iam estar.
Mas, mesmo assim, como herário,
Dez por cento do salário
Eles têm que ofertar.

Porém, p'ra eles é nada!
ao fazer comparação
Com o futuro garantido
No Céu, com a salvação!
Pois a coitada da massa
Trabalharia de graça
Em prol da religião.

É assim! Os grandes chefes
Do Evangelho, senhores!
Tal como nossos políticos,
Na mentira são doutores!
E a massa necessitada,
Espera deles, coitada!
Alívio p'ras suas dores.

Espera, quando morrer,
Ter, lá... no Céu! um lugar
Onde não há mais sofrer!
Pois com Jesus estará
Mas, p'ra que tenha direito
A tudo isso, é o jeito
Com o dízimo, ao Chefão pagar.

Mas o dízimo é para a Igreja!
Para a Messe do Senhor!
Diz o Chefe. Nem gagueja!
Nem sua expressão mudou.
E o poder vai subindo,
Se expandindo. Evoluindo.
Conta do mundo, tomou.

Pois, não só dízimo, a sacola
Roda, roda, sem parar!
Como antes já falei,
Até os bolsos raspar
Dquele povo inocente,
Necessitado, carente,
Que a paz julgou encontrar.

De início, um "espia",
Contratado para tal,
Faz uma oferta bem gorda,
"Doando" um bom capital.
E as doações vão seguindo,
Com o valor diminuindo.
Mas todos doam, afinal.

Finda a primeira rodada
De "assalto programado",
Cantam-se umas duas músicas,
Visando por animado
Àquele povo que ali
Veio tão só p'ra pedir
Perdão para os seus pecados.

E p'ra pedir a Jesus,
O Senhor dos miseráveis,
Dos pobres, dos esquecidos
E das coisas insondáveis.
Mas, p'ro pedido chegar
A Jesus, têm que pagar
somas inimagináveis.

Pois terão que desfazer-se
Das coisas materiais!
E, alguns, desesperados,
Às vezes, rico demais!
Fazem tudo o que deseja
O Comando da Igreja.
E dão somas colossais!

E é usando o expediente
De nominar os pecados
Como sendo "isso" ou "aquilo"!
Que esse bando de safados,
De quem muito tem, nem digo!
Mas... de um povo, meu amigo,
Que mal tem para um bocado!

Tira a mais não poder!
Tira tudo! E ainda mais:
Entregando um envelope
Para todos os demais
Que não trouxeram agora.
E p'ros outros também, ora!
Dinheiro nunca é demais.

Assim, eles vão seguindo:
Sempre a ludibriar
As pessoas que acreditam,
Que são fáceis de enganar,
Dizendo: - Venham e doem!
-Para que Deus os perdoem
tão só basta acreditar!

E os coitados, que carecem
De uma ilusão p'ra viver,
Acreditam, cegamente,
Nas palavras de um ser
Que utiliza o Senhor,
Em um belo "caô-caô",
com arte, p'ra convencer.

Pois, bons malandros que são,
Muito bem se prepararam,
Estudando a Dialética,
Bons recursos engendraram.
E agora, é só usar
A palavra, e se fará
Da forma que eles pensaram.

Pois, aí, torna-se fácil
Convencer o outro lado:
A multidão, que é formada
Por um bando de coitados.
Pois mesmo aqueles que têm
Muita grana, e que ali vêm,
É que estão desesperados.

É um povo que acredita
Que ali estará curado
Das tristezas, da miséria,
Das doenças, do pecado.
E o Chefão ainda diz:
-Aquele que a mim desdiz,
Será um excomungado!

-Não terá direito ao Céu,
Quem o dízimo não pagar!
Quem da coleta de Cristo
Não quiser participar,
De fato não tem juízo!
Pois, direito ao Paraíso,
Certamente, não terá.

-E imaginem se terá
Direito a qualquer cura
Uma pessoa que não
Tem nada a doar, é dura!
-Será que, no Céu, terá,
Junto a Jesus, um lugar,
Essa infeliz criatura?!

-Não. A Igreja não nega
A tal pessoa o perdão
Dos seus pecados! Mas, ela
Tem que fazer doação
Em forma de mão-de-obra,
Já que ali tem de sobra,
Fazendo arrecadação.

E os desocupados ficam
Disponíveis a toda hora
Como "obreiros do Senhor"
Por esse mundão afora:
Convencendo os indecisos,
Os bobocas sem juízo.
Os azarados. Os caiporas.

Mas, rodando a sacolinha,
É onde trabalham mais:
Andando de um lado a outro
Para frente e para trás.
E até o último tostão
Que o "pecador", para o pão
Guardou! ele o subtrai.

E ainda grita o orador:
-Você aí!... lá atrás!
Que esconde o seu na meia!
Amigo, isso não se faz!
Doe-o a Jesus, amigo!
Assim, evita o castigo
E ele dar-lhe-á mais.

E o coitado, acreditando
Que o tal homem advinha
Por ser mesmo um homem santo,
Diz: -Meu Deus, que sorte a minha
Pois além de ter pecado
Por omissão, um trocado
Não sobrou nem p'ra farinha.

Mas, se consolando, diz:
-Cristo é bom! Já perdoou.
Amanhã, se Deus quiser!
Ganho mais e, ao Senhor,
Venho dar minha parcela.
E, sem falta, vem. E ela
É um décimo do que ganhou.

E a sacolinha que
Roda, roda,... sem parar!
Ainda passa por ele
E o induz a doar.
E ele, agradecido
A Deus, não nega o pedido.
E liso torna a ficar.

...
E roda, roda, roda, roda,...
A sacola, só parando
Quando ninguém mais se mexe.
Porém, no final, lembrando:
-Não esqueçam de levar
O envelope p'ra botar,
Para Jesus vos salvar,
O valor que está faltando.

...
Lembro: -Querido leitor:
Ouça a voz da razão!
Lembrando sempre que Deus
Ama ao fiel cristão:
Aquele que o coração
Mesquinheza não contém.
Arca do Amor e do Bem.
De Jesus, morada certa.
Este é que é o correto!
Único Caminho do Bem.

. Quem disse que para entrar no Céu será necessário que se pague?

 
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 25/04/2006
Reeditado em 28/10/2014
Código do texto: T145144
Classificação de conteúdo: seguro

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