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UM GAROTO COMO QUALQUER OUTRO

UM GAROTO COMO QUALQUER OUTRO
Por: Rosa Ramos Regis - Natal/RN


Eu vou contar pra vocês
A história de um menino1
Traquinas - mui buliçoso
Desde muito pequenino:
Esperto - muito sagaz,
Inteligente e capaz.
Porém de um triste destino.

Começo pelos seus pais
Que, quando ele nasceu,
Não viviam muito bem
Porém já tinham de seu
Uma casa financiada,
Sem prestações atrasadas,
Com a ajuda de Deus!

E o moleque é recebido
Com todas as honrarias
Por seu pais, que um filho homem
Era o que mais queria.
E, assim, muito bem tratado,
Além de paparicado,
Aquele bebê vivia.

Mas, com apenas quinze dias,
O sarampo acometeu
Sua irmã, e o micróbio
Do mesmo ele recebeu.
E por seis meses e meio
Ele o guardou no seio
Quando, enfim, ao mal cedeu.

Mas antes disso, vejamos
Como era esse menino:
Gordo, corado, bonito,
Porém mal dos intestinos:
Com dois meses quase morre
Com uma febre, ou virose,
Deixando os seus pais sem tino.

Uma desidratação
Ao moleque prostrou.
Sua avó paterna, disse:
- É olhado que alguém botou!
E a mãe, na grande asneira
De levá-lo à benzedeira,
Ir ao médico, demorou.

Quase teve convulsão!
Porém se recuperou.
E foi só aos sete meses,
Quando o sarampo o pegou,
Que ele, outra vez, caiu
Doente – e não se partiu
Mas bem “quebrado” ficou:

O sarampo recolheu
E, em frações de segundos,
Viu-se o moleque morrendo!
Se despedindo do mundo!
Com febre interna, a parar
Os intestinos e queimar
Sua consciência de mundo.

Um médico muito capaz
O atendeu, prontamente!
E Garamicina injetável
Receitou ao inocente.
- Remédio maravilhoso!
Da dor da picada ao gozo
Do xixi, foi um repente.

Daí p’ra frente, o bebê
Seguiu seu crescer em paz.
Nem mesmo uma Coqueluche
Pode derrubá-lo mais!
Só lá pelos cinco anos
A Rubéola, um mal insano,
Fez que desse um passo atrás.

E aos três anos e meio
Mais ou menos, ele entrou
Na escola: no Jardim.
E de início já mostrou
Ser um grande sacrifício,
Pra ele, imenso suplício!
Desde que à Escola chegou.

Chorava!  Esperneava!
Criava dor de barriga!
Grudava às pernas da avó
Que com ele sempre briga:
- Entra na escola, danado!
- Não estudar é pecado!
E Papai do Céu castiga.

- O homem que não estuda,
Jesus Cristo não ajuda!
Nossa Senhora despreza!
E é um deus-nos-acuda:
Sua vida é desgraçada!
Além de tê-la caçada
Pela  “perna cabeluda”!

O garoto não ouvia
Ou fingia não ouvir,
Já que sempre pensou ver
Uma perna lhe seguir:
Uma “perna cabeluda”,
Com olhos, boca, e chifruda,
Que não o deixa dormir.

E seu pai:  impaciente,
Cabeça-quente e brigão,
Dizia sempre que ele
Teria que ser machão!
Que não devia apanhar
De ninguém! e revidar
Qualquer tipo de agressão.

- Homem tem que ser valente!...
“macho”!  E nunca apanhar
De qualquer outro na rua,
Pois isso demonstrará
Fraqueza de sua parte!
E isso foi  um desastre
Na forma de o educar.

Mas não só isso! Pois que
O garoto, em si, já tinha
A tendência para briga
Como um galo de rinha.
E p’ros moleques da rua
A palavra era a sua!
De quem o comando vinha.

Já perto dos nove anos,
Sua mãe, na LEGIÃO
BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA,
Ganha meia internação
De dois dias por semana,
Numa Clínica bem bacana!
Que tratava “danação”.

É que o moleque, impulsivo
Que era, não controlava
O seu gênio agressivo
E com a irmã brigava.
E o que caísse às mãos
De um dos dois, na confusão,
Eles, um n’outro, jogavam.

A menina só passou
No tratamento seis meses.
Mas o garoto, que era
Pior que ela três vezes,
Ficou por um certo tempo
Tomando medicamentos
Para curar-lhes os revezes.

Um eletroencefalograma
O neurologista pediu,
E, ao ler o resultado,
A causa, ali, ele viu
Daquele comportamento
E, então, um tratamento
Mais específico pediu.

O remédio: Tegretol,
Para a disritmia,
Que o sarampo, recolhido,
Aos sete meses, teria,
No garoto provocado
Aquele estrago danado!
E seu destino mudaria.

Ficou somente onze meses
No tratamento... e mais
Teria que ter ficado
Mas a família, incapaz
De ver a necessidade
Que ele tinha, na verdade,
Não buscou. Não foi atrás.

E segue aquele menino
O seu destino – sem ver
O que este lhe preparava!
O que viria a ocorrer!
Sem vontade de estudar,
Vive somente de brincar
E bagunçar a valer!

E aos nove anos, dá
Um grande susto em seus pais
Quando cai de  uma árvore
Que quase a morte lhe traz
E que dá-lhe, como presente,
Um apelido “indecente”
Para alguém são e capaz.

Pois ao cair, ele fica
Seguro pelo nariz
Num galho da pitombeira
Da qual voar ele quis,
E ganha, assim, de presente,
Um nome inconveniente
Dado pela cicatriz.

Quebrou o braço aos três anos
E meio. E o pé, depois.
O nariz, veio em seguida!
E já sabem como foi.
Vivia se machucando!
A atenção dos pais, chamando.
Como à dos tios e avós.

Aos dez, tentou trabalhar!
E à mãe ele implorou
Que lhe comprasse uma caixa
Pra picolé – de isopor.
Relutante, ela cedeu,
E a caixa a ele deu.
Porém seu pai não deixou.

Disse-lhe ser perigoso,
E também desnecessário.
E a mãe teve que aceitar
Mesmo pensando o contrário
Pois, para ela, o “danado”
Que não ficava parado,
Seria bom ocupá-lo.

E já q’ele não gostava,
Nem um pouco, de estudar,
Teria, enfim, que ter algo
Que o fizesse gastar
Aquela grande energia
Que ela, com razão, temia
O pudesse prejudicar.

E, daí, segue o menino,
Que, agora, muda de Escola.
E, ao SOSSEGO DA MAMÃE
Ele já não mais amola.
Muda para o MARISTELA:
Com freiras – e gosta delas.
Mas logo, logo, cai fora.

O colégio era distante
De onde ele residia
Seus pais, então, perceberam
Que melhor mesmo seria
Pôrem ele e a irmãzinha
Numa escola que tinha
Mais próximo à freguesia.

E é no SAGRADA FAMÍLIA
Que eles vão estudar.
O ônibus pára na porta.
Não há que se preocupar.
Porém, é o segundo ano
Que, salvo algum engano,
A Escola os reprovará.

No SAGRADA, é reprovado
Outra vez – e é transferido.
E agora, com doze anos,
Não é grande, mas...  metido
A rapaz namorador:
Do “mal do primeiro amor”
Vê-se logo acometido.

E é Ana - a paulistinha,
Uma nova vizinha que
Ele ganhou ao mudar-se
Com a família, porque
Sua mãe resolveu comprar
Uma nova casa, e tentar
Uma nova vida fazer.

       ...
Uma casa financiada
Mas melhor que a anterior.
Ele – que de novidades
Sempre gostou – aprovou.
Escola nova, e amigos,
Ele ganhou – e lhes digo:
Disso, o danado gostou!

A ESCOLA ANTÔNIO PINTO,
Uma escola estadual,
Recebe em Oitenta e Sete
Esse “ser fenomenal”!
É no Cidade Satélite.
E ali, lógico, ele repete,
Outra vez, no Fundamental.

Repete também os feitos
Que o fizeram perder
A vaga no INSTITUTO
SAGRADA FAMÍLIA. É que,
Aqui,logo se envolve
Com “amigos”, e desenvolve
Tudo que o fará “não-ser”.

De início, se apresentando
À nova diretoria
Da Escola, ele prepara
Algo que traz alegria
Para os seus novos  “amigos”
Que o mostra amante ao perigo,
Á bagunça e à anarquia.

Toma de uma lagartixa,
Viva, presa a um cordão,
E, como um pêndulo, a prende
Na marquise do portão
Do Colégio Antônio Pinto,
Que, logo, no tal recinto,
Causa grande confusão.

Pois a primeira pessoa
Que ao Colégio adentrou
Foi a própria Diretora.
E vejam com que topou:
Com a lagartixa em seu rosto!
E que, ao tocar-lhe, um encosto
Do seu corpo se apossou.

E logo ficou sabendo
Quem fora o “espertinho”
Que preparara tal “graça”.
E então, bem de mansinho,
Deixando que ele ficasse
E, sem que o mesmo notasse,
Foi-lhe preparando o “ninho”.

No fim do ano chamou
A sua mãe e lhe deu,
Sem que ela esperasse,
A notícia que o filho seu
Não mais podia estudar
Ali naquele lugar.
E isto ele mereceu!

E sem contar a encrenca
Que ele também arranjou
Com os vizinhos do lado
Logo assim que chegou
Na casa nova, em defesa
Do irmão – que fora presa
De um moleque agressor.

Pois o irmão, pequenino,
Com apenas sete anos,
Levou uns catiripapos
De um dos “irmãos paulanos”
Que, mais velho que o irmão,
Pagou pela agressão.
E isso trouxe alguns danos.

É que o pai dos “paulanos”
Correu à Delegacia
Do Menor, e prestou queixa,
Q’era o que sempre fazia,
Sem nem procurar saber
Se os pais iam resolver.
Sem qualquer diplomacia.

         ...
Foi essa a primeira vez
Das muitas que se seguiu!
Não por motivo tão fútil
E que muito aos pais feriu,
Coisas, por vezes, banais
Porém que, cada vez mais,
Sua imagem denegriu.

E ainda no ANTÔNIO PINTO,
Com os colegas do lugar,
Com o “primeiro baseado”,
Ele passou a fumar.
E fumando cada vez mais!
Foi ficando para trás.
Sem querer mais estudar.

Mesmo assim, a sua mãe,
Vendo sua competência,
Pois, mesmo sem copiar
A Matéria – e sem freqüência,
Ele conseguiu passar
De ano: em segundo lugar!
Cobriu-se de paciência.

Já que fora transferido,
Resolveu matriculá-lo
Em uma outra Escola,
Pelo menos pra testá-lo.
E no SACI PERERÊ
Matriculou-o, pra ver
Se esta iria aprová-lo.

E, no SACI, conheceu
Alguém bem à sua altura,
Que era a Supervisora,
Uma infeliz criatura.
E aí, sua mãe assiste
Como reage um ser triste,
Carregado de amarguras.

Pois ele, que não consegue,
Seus impulsos dominar:
Apronta! e a “criatura”
Que vivia a mastigar
Sua revolta, o castiga.
E, cada vez mais, instiga-o
A não querer estudar.

Mas o Diretor, homem manso
E ordeiro – concertou
A confusão existente
Que a  “malvada” criou
E que, aceita pelo pai
Do menino, quase sai
Vencedora. ... Mas pifou!

E ele continuou
Até o final do ano
Na Escola, muito embora
Pouco ou nada ligando
Pra o que era, em aula, dado.
Porque aquele coitado,
Aos poucos, ia afundando.

Ainda pede a ajuda
Da mãe que, sempre a chorar,
Não sabe mais o que faça
Para o seu filho mudar!
Dizendo: - Mamãe, me obrigue
A estudar! – Me obrigue!
Ou eu não consigo passar.

A mãe lhe responde: - Filho,
O que eu posso fazer
É ajudar nas tarefas
Que é meu e seu dever.
Porém no que diz respeito
Ao seu interesse, o jeito
Quem tem que dar é você!

Mesmo assim, ainda consegue
Que ele seja aprovado
Na Quarta Série - a última,
Aonde ele, atrasado
Que estava, recuperou.
E, finalmente, passou.
Deixando todos pasmados.

É que estava sem média,
E em recuperação
Em todas as Disciplinas,
E ainda, com distinção,
Em Português, que devia
Tirar quase Dez, ou teria
Mais uma reprovação.

Mas, superou todas elas.
Inclusive Português!
Que só mesmo Nove e Meio,
No mínimo, para ter vez!
E ele fez mais um décimo,
Tendo uma Série de acréscimo:
A Quarta. A última que fez.

Nesta época, aos treze anos,
Foi afastado do lar
Indo morar com uma tia
Pra tentar se concertar,
Pois, aí, já estava “andando”
Com um dos piores malandros
Conhecido no lugar.

A um tratamento sério
Ele foi submetido:
Com Neuro-Psiquitras,
Psicólogos escolhidos,
Que dele tratam com amor.
Mas de nada adiantou!
Foi mais um ano perdido.

Na casa da sua tia,
Que acreditou que o “bichinho”
Devia ser ajudado,
E o acolheu com carinho,
Ele aprontou com a prima,
Que lhe caiu logo em cima
E pôs formiga em seu ninho!

Mas seus pais o convenceram
A abrir o jogo e entregar.
E, do que ele tinha feito,
Resolveu, então, falar.
E, do primeiro delito
Que o deixaria  “frito”,
Conseguiu, pois, se safar.

Isso sem contar as outras
“artes”, antes praticadas,
Que o levara a enrascar-se,
Mas que não dera em nada,
Pois o pai, que sempre teve
Boa amizade, conteve
O castigo às suas mancadas.

Mas, não parou por aí!

No final de Oitenta e Oito(1988)
Uma viagem ganhou:
E p'ra casa d'uma tia,
Em São Paulo, viajou.
E lá ficou por noventa
Dias – e o que inventa,
Só Deus sabe! Não contou.

A irmã, que viajara
Em Turismo – que ganhou
Nos quinze anos - passando
Por São Paulo, o pegou.
E aqui, os pais contentes,
Esperam os dois filhos, crentes
Que o rapaz se curou.

E ele chega tranqüilo,
Parecendo que mudou.
Mas, dura pouco a mudança!
Logo já recomeçou
As andanças; as “amizades”!
Que são, em si, na verdade,
A inimizade. O terror!

E os pais sentem-se, agora,
Em um buraco sem fundo:
Querendo dar fim a tudo
Que têm, e “ganhar o mundo”!
Mas, se isso não vai mudar
Seu jeito de se portar!
Os dois pensam um segundo:

- Enfrentemos o problema!
E lutemos pra mudar
A sua forma de vida,
Sua forma de se portar!
E procuram vários meios
Para sair do aperreio.
Pro seu filho “concertar”.

Religiões mais diversas,
Que prometem dar ajuda
Direta ou indireta,
Pedindo a Deus que acuda
A essa “ovelha perdida”,
Lhe dando paz e guarida.
Porém nada... nada... o muda.

Nos colégios mais diversos
Ele ainda passou:
FERRO CARDOSO, DINÂMICO,
O EXECUTIVO – que horror!...
Neste último, alguém acerta
O Diretor com uma pedra,
E a culpa ele levou.

E “O DINÂMICO” (Supletivo),
Foi mesmo o último, afinal,
Quando disse para a mãe:
- Mamãe, agora é real!
Quero fazer Supletivo,
Que é mais rápido – e eu sou “vivo”!
Vou pegar tudo em geral.

E a mãe ainda acredita
Que o filho vai mudar,
Faz a Matrícula e espera
Que  comece a estudar.
Mas ele só vai três dias!
E não mais nele confia!
Pois nunca mais volta lá.

E vai morrendo a esperança
De um dia seu filho amado
Ser aquele que, em criança,
Ela havia sonhado:
- Um Engenheiro; um Doutor;
Um exímio conhecedor
Do BEM – e a ELE, ligado.

E aos dezoito, ele apronta,
Junto com mais dois amigos,
Algo ruim, que poderá,
Enfim, lançá-lo ao castigo.
Mas o processo não corre.
É arquivado. E  morre
Entre Processos antigos.


Vira e mexe, e a coisa muda!

Ele continua ali.
Firme! Sem nunca parar
Para pensar que o castigo
Um dia, afinal, virá.
Pinta! Borda! E acontece!
E um dia o Diabo aparece
P'ra sua conta cobrar.

Apronta dez... quinze vezes!
Às vezes, até com o pai!
A droga rola a gosto!
Nova Lei de Trânsito sai.
E dando “rabo-de-arraia”,
Ele é preso na praia.
E aí “a casa cai”.!

Passa dois meses nas grades,
Em total abstinência
Das drogas.  Treme, pedindo
Que os pais tenham clemência.
E que remédio controlado
Pra ele, seja levado.
Pela Santa Providência!!

E a mãe lhe diz: -Meu filho,
A falta desta danada
Não leva ninguém à morte,
É o uso da desgraçada
Que leva o homem a morrer!
Esqueça dela, e você
Se livra. E a põe derrotada.

Ele sofreu, mas deixou
O Craque e a Cocaína!
Só a Maconha ficou
Como lembrança assassina.
Porém esta é bem mais leve!
Muito embora o homem erre
Em deixar-se tomar-lhe a crina.

          ...
E, finalmente, ele sai!
Depois de uma fugida
Que obrigou aos seus pais
A entrega-lo em seguida,
Antes que fosse lavrada
A fuga – e executada
A perseguição exigida.

É que ele chegou em casa
À Uma da madrugada,
Batendo à porta... chamando!
E a mãe, atarantada,
Perguntou: -Quem está aí?
E ele, danado a rir,
Disse: -Sou eu, mãe amada!

Ela lhe abriu a porta
E disse – Vá tomar banho,
Comer algo e se ajeitar!
Eu, disso, muito me acanho!
E vamos deixa-lo lá
Agora mesmo. Já, já!
Diz ele: -Não, que eu apanho!!

Mas, assim mesmo, ele foi.
Obedeceu. Se entregou.
E após dois dias seguidos,
A Polícia o liberou.
E ele veio para casa,
Mas como pisando em brasa!
Pois logo, logo, “aprontou”.

E aí a coisa foi feia!
Pois, na primeira que fez,
Voou por cima de um carro
Uns dez metros!... e desta vez
Quebrou as duas canelas,
O braço... e, além das mazelas,
Foi direto pro Xadrez!

Não ao Xadrez propriamente!
Pois que, assim rebentado,
O Hospital não deixou
Que ele fosse levado!
E aí, depois que juntaram
Os pedaços e o emendaram,
O pai o levou, “roubado”.

E ele passou seis meses
Só assinando os chamados
Que a Polícia enviava,
Em casa – todo quebrado!
Tomando casca de ovo,
Mastrusso, e tendo socorro
Dos seus, e muito cuidado.

Mas... Ainda no Hospital,
No dia em que se “quebrou”,
Com dor, etcétera e tal,
Sua mãe lhe avisou:
-Escute o que eu vou dizer:
Não moro mais com você
Nem amarrada. Sacou?!

-Enquanto estiver quebrado,
Eu vou cuidar de você
Com cuidado, com carinho,
Até que possa fazer
As suas coisas sozinho,
E procurar seu caminho!
Um lugar para viver!

          ...
Porém, nem bem ficou bom,
Pois ainda estava a soltar
Pequenas farpas de ossos
Das pernas, a cicatrizar,
Foi “seguro” novamente
Pelos “home”, que, cientes
D’um “Processo velho” existente,
Fazem o mesmo revogar.


É aí que a “Casa cai”!

É que um dos seus amigos
Que não estava “rezando”
“Escorrega que nem muçum”,
quando o estão “agarrando”.
E assim, para o “segurar”,
A polícia vai buscar
Um “Processo caducando”.

E aquele Velho Processo
Que ninguém lembrava mais
“Segura” os três amigos
De quatro anos atrás,
E os leva pro xilindró!
E agora, na pior!
Não conseguem sair mais.

Oito anos e nove meses,
É o resultado: a Pena
Para dois daqueles três.
A Justiça só não condena
Um dos, aquele menino
De quem falo, que o Destino
Parece, agora, ter pena.

É que aquele rapaz,
Que os Senhores vão lembrar
Problemático desde cedo:
Consegue se esgueirar,
Provando que é doente:
Tem um desvio na mente!
E ninguém pode duvidar

Vai parar num Hospital
E fica custodiado
Para fazer tratamento
Com recursos do Estado.
Porém, danado que é!
E, por em nada ter fé!
Foge. E fica “PROCURADO”.

E, novamente, é preso
Para fazer tratamento.
Mas o Médico do Hospital,
Desconfiado e atento,
Cisma que o preso é sadio
E diz assim: -Desconfio
Da doença do detento.

-Vou pedir novos exames.
E se o que eu penso, eu acerto!
Eu o deporto daqui
Para a COLÔNIA, por certo!
E o danado sabendo
Do que estava ocorrendo,
Pegou “novo rumo incerto”!


E agora... Onde estará?
     Como estará?

Mas, como não se conforma
Em viver em “Santa Paz”,
Com pouco tempo já está
Vendo as grades por trás
Das mesmas. A mãe, coitada!
Triste e desalentada,
Uma visita lhe faz.

E é só uma, das centenas
Que poderá lhe fazer!
Pois ele, que está quietinho!
Ninguém poderá prever
O que vai na sua mente,
O que é que ele sente.
Não se deixa conhecer.

Aí, a mãe se pergunta:
-Será que eu sou culpada
Dessa sua maluquice
Que não o leva a nada,
Ou o leva a mais uma queda
Que à sua subida veda,
Deixando a vida TRAVADA?!

E o que pode ser feito
Para ajudar este Ser
Que esqueceu de onde vem
E que tem que ascender
Para que possa chegar
Um dia ao seu LUGAR!
Que o Lugar do SER?

        ...
Realmente, minha gente,
O que foi escrito aqui,
Salvo algum arrumadinho:
Assim... aqui e ali,
Representa o real!
A verdade em seu total!
Mas, eu peço a quem ouvir:
Ouça, esquecendo o mal.
Só deixando o Amor fluir!!









Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 07/05/2006
Código do texto: T152134
Classificação de conteúdo: seguro

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