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O MITO DE DÉDALO E ÍCARO

Trabalho de final de semestre,
valendo para avaliação - UFRN - 2004.2
Disciplina: Hist. da Mitologia Grega.

O Exílio de Dédalo

Desde sempre o homem teve
uma grande vontade em si
a de voar como os pássaros
para o Céu atingir

Mas isso foi sempre sonho
pois que, na realidade,
por mais que ele deseje
não há possibilidade.

No entanto, a Mitologia
nos conta de um homem que
acreditou no seu sonho
fazendo-o acontecer:

Foi com um ateniense
que descende de Erecteu:
um artista e artesão,
que o fato aconteceu.

E não só ele voou
mas, com ele, mais alguém:
o seu filho Ícaro, que
com ele voou também.

Conta-se que as estátuas
que ele fazia ficavam
tão perfeitas que com vida
parecia que estavam.

Mas era mais conhecido
como o arquiteto/inventor
que, à Cidade de Atenas,
ainda mais bela tornou.
 
E o compasso geométrico,
a broca e o machado, são
descobertas importantes
de Dédalo. Sua criação.

E os modelos de velas
de navios, também são
criações dele, na época.
E grande importância terão.

E os atenienses, que
suas obras admiravam,
diziam que era Atená,
a deusa, quem o ensinava.

Porém outros, que o talento
do arquiteto invejavam,
buscavam fazer-lhe mal,
já que dele não gostavam.

O filho da irmã Perdix,
Talos, o seu assistente,
admira o seu trabalho
e o reproduz habilmente.

E as mandíbulas afiadas
de uma serpente lhe dá
a idéia de uma serra
que ele irá inventar:

Uma lâmina de metal
desgasta, criando dentes
que cortam muito mais rápido
que as mandíbulas da serpente.

E aí, o tio, orgulhoso,
à sua irmã mostrou
o que o sobrinho fizera
e que muito o orgulhou.

E Pérdix, rindo, ao irmão,
brincando, tenta alertá-lo,
dizendo: Talos, um dia,
poderá ultrapassá-lo!

E ele: - É o que espero!
Com isso vivo sonhando.
Porém, contra o seu desejo
o destino ia tramando

Pois a sorte para Talos
já tinha sido traçada:
não tendo direito a fama
pelo seu tio augurada.

E, da ponta de um rochedo
onde está a observar,
ao longe, a planície d’Ática
com o tio, Talos cairá.

Dédalo tentou segurá-lo
mas o pior ocorreu:
não conseguiu. E o sobrinho,
infelizmente, morreu.

E os inimigos de Dédalo,
seu azar aproveitando,
de ter matado o sobrinho
lhe foram logo acusando.

Levaram-no ao Tribunal
como queriam, acusado
de, por inveja ao sobrinho,
do alto tê-lo empurrado

Porém, sabe-se, eram eles
que a Dédalo invejavam
e temiam-lhe o poder
que os seus saberes lhe davam.

O achavam poderoso!
E, assim, por precaução,
aos amigos influentes
pedem a maior punição:

Aos juizes, seus amigos,
para Dédalo, sem pudor,
pedem a pena de morte
que aos amigos causa horror!

Não conseguiram. Porém
o grande artista será
banido da sua Terra
p'ra onde jamais voltará.

-
Foi um golpe atrás do outro
que o pobre Dédalo sofreu:
sendo banido da Terra
em que nasceu e cresceu

logo depois que ao sobrinho,
a quem sempre prometeu
passar-lhe todo o saber
que tinha, ele perdeu.

Duplamente amargurado,
ele embarcou, no Pireu,
e de perguntar o rumo
do Navio ele esqueceu.

Só a meio caminho andado
é que ficou sabedor
qual rumo o navio seguia.
Quando saiu do torpor.

...........
E aí, na Ilha de Cíclades,
ao leste, o navio parou:
em Delos, Naxo e Tera,
depois para o Sul rumou:
até Creta, a grande ilha
onde Dédalo se exilou.

Dédalo e Ícaro em Creta
Naquele tempo, era Minos,
o cruel filho de Zeus
e de Europa, o governante
de Creta onde o errante
Dédalo se estabeleceu
...
Na plenitude da glória,
com uma frota descomunal
e inumeráveis riquezas
reunidas, com certeza,
em Cnossos – a Capital.

O luxo transparecia
nos palácios erigidos.
E os templos deslumbravam
a todos que ali chegavam,
deixando-os embevecidos.

Minos, o que mais queria
era a todos deslumbrar!
De forma que quem chegasse
em Cnosso, se abismasse
com a beleza do lugar,

faz uma visita a Atenas
e, aí, vê que enganou-se.
E o orgulho em ostentar
a beleza do seu lugar,
em Minos, evaporou-se!

Pois os templos; as estátuas;
a arte em primazia;
compreendeu: seu tesouro,
seu dinheiro, todo o ouro
do mundo não lhe daria.

Para trabalhos tão belos
teria que ter, então,
a técnica e a habilidade
de um artista de verdade
para guiar-lhe a mão.

E assim, durante o tempo
em que em Atenas ficou,
sempre que o impressionava
uma obra, perguntava
quem seria o seu autor?!

E a resposta sempre a mesma:
É de Dédalo, meu Senhor!

.........
Foi assim que Minos soube
quem era o grande inventor,
o inigualável artesão
de que o Mundo até então
se fizera conhecedor.

E voltando à sua terra,
o rei, que antes se achava
o mais rico e poderoso,
vem bastante pesaroso!
Pois, Atenas, invejava.

Embora nadasse em ouro,
Cnossos lhe parecia
medíocre e pobre agora!
E o temido Minos chora
por não ter o que queria.

- Oh, se eu tivesse um Dédalo!!
- Nada mais desejaria!
Repetia pra si mesmo:
sentado ou andando a esmo,
hora a hora, dia a dia.

Certo dia, estando Minos
em seu trono d’ouro sentado
com o pensamento distante,
um cortesão, exultante,
chega, deixando-o assustado.

E como é de costume,
saúda o rei em adulação,
dizendo-lhe que trazia
uma notícia que iria
alegrar-lhe o coração.

Porém o rei lhe retruca,
tristonho, desanimado:
- As notícias que me vêm
ultimamente não têm
da tristeza me afastado.

- Mas, agora, é diferente!
o cortesão lhe afirmava.
- Estou certo de que você
acaba, enfim, de obter
algo que mais desejava.

- Dédalo está em Creta!
Quer trabalhar com você.
E Minos, de pé num salto,
repete o que ouve alto,
mal podendo se conter.

- Vou dar-lhe as boas vindas
pessoalmente!! ele grita.
E com honrarias reais
recebe Dédalo. Ademais,
à Cidade toda agita.

E põe à disposição
do artista tudo o que
este afirmou precisar
p’ra começar trabalhar,
e o seu desejo fazer.

E o desejo de Minos
era o de embelezar
Creta o mais rapidamente!
Dédalo, incrivelmente!
o seu desejo fará.

E Cnossos, a capital
de Creta, agora teria
os mais belos edifícios
que, sem quaisquer sacrifícios,
o grande artista faria.

E também obras de arte
que a Dédalo dariam
os elogios de Minos,
pois eram “feitos divinos”!
que elogios mereciam.


Dédalo casa-se – nasce Ícaro

E muitos anos viveu
trabalhando Dédalo ainda
em Creta onde se casou
com Cíclades, uma moça linda
que lhe deu um filho: Ícaro.
Mas, muito jovem, se finda.

Órfão, nos primeiros anos
de vida, Ícaro aprendeu
a amar a arquitetura,
saber que seu pai lhe deu,
e à pintura e à escultura
ele o mesmo amor rendeu.

A sua grande ambição
era, do seu pai, herdar
o talento que tornara
Dédalo tão popular
a ponto do rei de Creta
o estar sempre a elogiar.

E entrando na idade adulta,
com Dédalo, construirá
em Creta, o LABIRINTO
que, ao Minotauro, irá
servir de confinamento.
e do qual jamais sairá.

O tal Minotauro era
um monstro devorador
de homens. Com corpo humano,
e cabeça?! Sim senhor!
de touro! Ao qual, Teseu,
herói de Atenas, matou.

E o rei, ao ficar sabendo
que Dédalo ajudou Teseu
na caça ao Minotauro,
salvando o povo, lhe deu
uma raiva incontrolável!
E, vingar-se, prometeu.

É que: há muito tempo Minos
daquele povo cobrava
um tributo todo ano,
e este, triste, lhe pagava:
catorze jovens1, que o monstro,
sem compaixão, devorava.

E, ao ficar sabedor
que Dédalo havia ajudado
a Teseu, o rei perverso
esquece todo o passado,
e prende o artista e seu filho,
mostrando o quanto é malvado.

E no escuro da noite,
pai e filho são jogados
no Labirinto, que fora
por dédalo elaborado.
- E agora, como sair?!
Diz Dédalo. Desesperado!

- A escravidão é difícil,
em si, de ser suportada!
Mas p’rum artista é pior!
E com a alma amargurada,
se pergunta como irá
sair daquela enrascada.

- Como conseguir fugir,
e alcançar a liberdade?!
E seu filho lhe responde
que: só quem são de verdade
livres mesmo, são os pássaros!
É essa a realidade.

- Se voássemos como eles
poderíamos escapar
mas, infelizmente, os deuses
não nos quiseram alar!
- No entanto nos deram cérebro!
Diz Dédalo a pensar.

E Ícaro, em solislóquio,
ou a si memo falando:
- Oh, quanto seria bom
o poder sair voando...
e estar lá em cima, nas nuvens,
com os pássaros, viajando!
-
- E não somente com os pássaros
mas... com nuvens e com deuses,
o espaço disputando!


A ousadia de Dédalo

E, aí, Dédalo já estava
com o pensamento voltado
para a idéia que lhe surgira.
E deixando o filho de lado,
fixamente, ele olhava
o Céu, e já maquinava
algo de louco e ousado.

...
Persífae, esposa de Minos,
que não tem a crueldade
do marido, com freqüência,
faz, aos dois, a caridade
de uma visita amiga
que alivia a fadiga
causada pela maldade.

E, estando ainda absorto
quando Persífae chegou,
Dédalo saiu do seu “sonho”
e logo desabafou:
falando da escravidão
que lhe atava as mãos!
O que lhe causava dor.

E a rainha lhe diz:
- Eu nada posso fazer!
- Se eu os tirar daqui,
Minos os mandará prender
outra vez. Porém lhe diz
algo que o faz feliz
e nova esperança ter.

- Chegaram novas de Atenas
que o deixará animado:
o seu amigo Teseu,
como rei foi coroado!
E, achando que fora um erro,
Dédalo! o seu desterro,
por ele, foi revogado.

- Finalmente!! Grita Dédalo.
Vendo-se livre, afinal.
- Agora eu posso voltar
à minha Terra Natal!
- Ainda não é agora,
diz-lhe a rainha... a hora
da liberdade total.

- Minos, ao saber que Atenas
esperava o seu regresso,
diz Pasífae, ficou louco
de raiva. Ficou possesso!
E toda a Greta cercou
com guardas, com o temor
de vê-lo livre. Liberto.

- E temendo a sua fuga,
até mesmo o litoral
ele mandou vigiar.
E nas portas, de forma tal,
o rigor da vigilância
é tanto, que a esperança
de fuga morre, afinal.

- Ainda quero ajudá-lo,
mas não sei como! Ela diz.
- Traga-nos penas – diz Dédalo.
não importando o matiz
das mesmas, podendo ser
de cisne, águia... e até
de cegonha e abutre. Diz.

- Como você tem certeza
que isto vai funcionar?
Pergunta-lhe a rainha.
E Dédalo a resposta dá:
- Traga-nos penas, lhe peço!
E deixe comigo o resto
se quiser mesmo ajudar!

A rainha impressionada
com a determinação
dele, decide ajudá-lo!
Pois, já que, se havia, então,
alguém capaz de tentar
fazer asas p’ra voar,
seria ele. Outro, não.

E no outro dia, Pasífae
já começou a mandar
supri-los com o que pedira
Dédalo, mas, devagar:
aos poucos, para poder
ocultá-las. Assim é que
Dédalo passa a trabalhar.

E mãos à obra ele põe.
E, com grande habilidade
e arte, ligava as penas
com cera e, na verdade,
era um trabalho penoso,
delicado, mas gostoso
por sua finalidade.

Exigia paciência
e tempo. Mas, afinal,
era a única saída
daquela vida infernal
onde ele e o filho se viam
presos, e precisariam
superarem-se, para tal.

As asas ficam prontas.
E são perfeitas.

Eram quatro, sem diferença
das dos pássaros no formato,
porém bem grandes, e o peso,
por certo, multiplicado.
Porque mesmo o homem tendo
pouco peso, finda sendo,
que o pássaro, bem mais pesado.

...
E eram tão bem feitas as asas
que até os deuses do Olimpo
as teriam invejado.


O VÔO DE FUGA

Chega a hora de fugir

Usando duas correias de couro,
Dédalo um par de asas prendeu
nos braços e nos ombros de Ícaro,
fazendo isso mesmo nos seus.
E, testando, balançam os braços
pai e filho, p’ra cima e p’ra baixo,
quando o teste final ocorreu.

Tudo pronto p’ra fuga! E Dédalo
fita o filho, Ícaro, a dizer
para ele que a viagem é difícil
e que o caminho que irão percorrer
é um longo caminho! E o cuidado
que terão terá que ser dobrado
para um bom resultado obter.

- Não podemos voar muito baixo
pois as penas seriam molhadas
pelas ondas do mar, que fariam
com que as mesmas ficassem pesadas.
E, tampouco, voar alto seria
aconselhável pois derreteria
a cera que deixa as penas coladas.

- Devemos, pois, viajar devagar:
em velocidade e altura constantes
como as cegonhas, para que possamos
ter mais segurança e ir mais distante.


Dédalo é precavido

Ícaro é jovem! E está ansioso,
querendo saber quando chegarão
em Atenas, e, ao pai, curioso,
inquire do tempo que eles gastarão.
Porém o seu pai, que é cauteloso,
respondeu ao filho: - Eu acho que não
devemos ir p’ra lá! Minos, furioso,
poderá atacá-la só por punição.

- Se Atenas acolhe a nós dois, irá
tornar-se inimiga desse rei algoz
que, sem compaixão, a irá atacar.
E, assim, será preciso que nós,
se possível, busquemos o pior evitar
para que depois não ouçamos a voz
da nossa consciência a nos acusar
de culpados por algo terrível e atroz.

........
- Eu o seguirei! Diz Ícaro ao pai.
Iremos para onde você decidir!
- É assim que se diz. - É assim que se faz.
- O momento é chegado, devemos seguir.
Um momento em que os homens jamais
poderão esquecer! E dizendo, a sorrir:
- Siga-me. E lembre-se do que lhe falei:
Para tal ousadia, o cuidado é lei.

E eleva-se ao Céu, sempre a balançar
suas grandes asas que, com maestria,
passou tantos dias a confeccionar
e que, agora, no ar, lhe traz a alegria!
A ele e a Ícaro que, com ele, estará,
dali a algum tempo, curtindo a euforia
de, em liberdade, poderem-se ver
após tanto tempo de imenso sofrer.

Enfim, livres!

Logo estão em liberdade!
Sobrevoando, afinal,
o palácio do rei Minos
com todo o seu cabedal,
que, ao vê-los, grita, exclamando:
- Eu nunca vi nada igual!!
- Pasífae! Eu estou sonhando?!...
ou são dois deuses voando
no Céu? Que fenomenal!

- Deuses mesmo! Respondeu
Pasífae, e, em seguida,
virou-se para o outro lado
p’ra passar despercebida
a emoção de que estava
no momento possuída.
Pois nada se igualava
ao que agora passava...
Pensava abstraída.

Voando tranqüilamente,
mantendo a velocidade,
vão pai e filho, contentes!
Vêem a primeira cidade:
uma Ilha em meia lua:
Era Tera, na verdade!
ou o que dela sobrara
depois que o vulcão queimara
seu centro – mais que metade.

Os dois seguem para o Norte,
em vôo, onde verão
a Ilha de Dionísio:
Naxos. E depois irão
ver Delos e o grande templo
de Apolo. Seguindo, então,
sobre um imenso mar aberto
que eles vêem de perto,
a pulsar-lhes o coração.

A inconseqüência de Ícaro
causa-lhe a morte

Ícaro está radiante
com suas asas! E assim,
segue o rumo. Mas, diante
do Universo sem fim...
livre... inconseqüentemente
e sem malícia, um querubim!
faz brincadeiras: descendo
e subindo, esquecendo
do quanto isso é ruim.

Ruim para suas asas,
que ele já esquecera
como o seu pai as fizera,
pois emendou-as com cera.
E ainda o advertira
para não fazer besteira:
aconselhando-o a manter
o vôo estável, p’ra que
permanecessem inteiras.

Porém Ícaro, deslumbrado
com o que via pela frente
e confiante demais,
não ouviu, lamentavelmente,
os conselhos do seu pai.
E, assim, infelizmente,
como Faeton, destinado
a um triste fim, o coitado
se entrega inconsciente.

.......
Assim tem sido e será.
A sorte ninguém engana.
Contudo, a humanidade
precisa ser mais insana:
deixar que seus jovens ajam
com ousadia, com gana.
O jovem precisa ser
bem mais ousados do que
o velho, que só reclama.
-
E Ícaro era ousado.
Quanto mais alto subia,
mais exultante ficava!
Pois o Sol lhe atraía
como um ímã, e o conselho
do seu pai, ele esquecia.
E quando Dédalo voltou
a cabeça e o procurou,
ele já não o seguia.

Em pânico, o pai esquadrinha
o Céu, olhando ao redor
e para cima, e o que vê
tão só causa-lhe horror:
Ícaro é um pequeno ponto.
Desesperado, gritou:
- Ícaro! Ícaro, volte!
Porém cumpriu-se-lhe a sorte:
Ícaro não o escutou.

E o que Dédalo temia,
em pouco tempo ocorreu:
O Sol esquentou-lhe as asas
e a cera derreteu.
E as penas se espalhando,
a triste certeza deu
ao pai que, ao filho amado,
corajoso e arrojado,
sua ousadia venceu.

Ainda tentou pegá-lo
quando ele, desesperado,
descia, batendo as asas
mas, como uma pedra, pesado,
o seu esforço foi vão.
Ícaro passou ao seu lado,
e nos braços líquidos do mar
ele, enfim, vai encontrar
o seu fim inesperado.
-
E usando as asas, Dédalo,
o corpo do filho leva
até a ilha mais próxima
e, lá chegando, o enterra.

.......
E a partir dali, a Ilha
de Icária foi chamada.
E Ícário, chamou-se o mar
que a deixa circundada.
E em todo o mundo é lembrado
sempre o seu nome, e louvado,
quando quer-se homenagear
àqueles que deram a vida
em uma luta renhida
para o seu sonho alcançar.

E Dédalo, profundamente
abalado, só deseja
afastar-se p’ra bem longe
de tudo que lhe enseja
a lembrança dolorida
pela perda por si sofrida,
e, assim, ele voou
para a Sicília. E ali,
tentaria, então, carpir,
finalmente, a sua dor.

E logo que aterriza,
o que primeiro ele faz
é destruir suas asas,
que tristes lembranças traz.
E, em troca de proteção,
logo depois ele, então,
seus serviços oferece
ao rei Cócalo, que consente.
Aceita imediatamente.
E ali ele permanece.

É com grande satisfação
que o rei Cócalo o recebe!
E projeto importantes
às suas mãos deixa entregue.
E segundo o que alguns falaram,
pelas suas mãos passaram
as Muralhas poderosas
de Acagras que, famosas,
também famoso o deixaram.

Minos procura Dédalo

Minos não ficara parado,
de braços cruzados!...
quando Dédalo fugira.
E bem assessorado
por bravos soldados,
logo ele partira.

Com uma frota que
esbanja poder
ele, ao mestre artesão,
espera encontrar,
e à Creta voltar
com ele nas mãos.

E sabendo que, do mestre,
onde quer que estivesse,
por ser muito querido
ninguém lhe daria
notícia, ou faria
algo nesse sentido

Minos, que é manhoso
e muito cauteloso,
um engenhoso ardil
emprega, e obtém
o que lhe convém,
por se mau – por ser vil.

Não revela a ninguém
o que em mente tem;
o que ele procura;
mas consigo carrega
algo que ele emprega
na sua loucura.

Loucura ou maldade!
Pois que, na verdade,
não é nada bom!
E ele leva consigo
um presente do amigo
Deus do mar, Trinton:

uma concha que tinha
poderes que vinha
de quem a doou:
de Triton, o deus marinho
que, parece, ao El-Niño
foi quem inventou

Pois sendo soprada
na parte delgada,
no pequeno orifício:
temporais e ventos
se tinha em momentos,
pondo vidas em risco.

E onde ia passando
Minos, sempre mostrando
a concha, inquiria
se alguém, de tentar
bom dinheiro ganhar,
enfim, gostaria.

E a sua proposta
não tinha resposta
pois ninguém conseguia
fazer um fio entrar
pela boca e passar
até a outra via

Pois, em aspiral,
a concha é, afinal,
no seu interior.
E Minos bem sabia:
ninguém conseguiria!
Como ele pensou.

.........
E Minos andou todo o mundo
sem nunca encontrar ninguém
capaz de passar o fio.
E, de volta, à Sicília vem
desafiar o rei Cócalo,
que leva a tarefa à quem?!

A Dédalo, o hábil inventor,
de quem o Saber provém!
E este, enfim, encontrou
a solução que ninguém
antes havia encontrado.
Mas isso não lhe convém.

Untou com mel a fissura
estreita da concha, e pôs
do lado da abertura
uma formiga, que foi
presa à perna por uma linha
fininha. E solta depois.

E atraída pelo doce
cheiro do mel, a bichinha
atravessa a aspiral,
trazendo consigo a linha,
e chega ao pequeno furo
como o rei em mente tinha.

Cócalo muito orgulhoso,
ao rei Minos voltou
com a concha trespassada
que, alegremente, mostrou
ao rei mau que, vendo aquilo,
logo em Dédalo pensou.

E no mesmo momento, soube
quem conseguira fazer
um trabalho como aquele,
pois que do seu conhecer
só um homem era capaz:
Dédalo! Só podia ser!

- Isto é obra de Dédalo!
Exultante, ele exclamou.
- Traga-o imediatamente!
Cócalo titubeou,
porém da ira de Minos,
temeroso ele ficou.

Não tinha a menor vontade
de o entregar ao desumano
cretense, porém teria
que levar em conta os danos
que ao seu reino causaria
a ira do rei tirano.

Prometendo entregar Dédalo,
convida-o a desfrutar
da sua hospitalidade
enquanto tenta acalmar
o povo que, indignado,
Dédalo não querem entregar.

É que, na ilha, ninguém
tinha a menor intenção
de deixar que o mestre caísse
no poder de um ser mal-são
como era o rei de Creta:
um ser vil – sem coração.


O inglório final do rei Minos

- Preferimos lutar a trair um homem
que procurou a nossa proteção
e fez coisas tão belas para nós!
Gritava o povo com indignação.
E Cócalo, vendo o estado de ânimo
do seu povo, decide entrar em ação

...
E aos conselheiros mais próximos
convoca para tentarem,
de uma forma conjunta,
um meio p’ra se livrarem
do rei Minos, e diz: enquanto
não encontrarem, não parem!

E preparam, afinal,
um banho letal
para a Minos matar:
É um banho bem quente
de água fervente
que o escaldará.

E assim, na certa
o ataque de Creta
se evitará!
alegando acidente
d’onde o rei temente
não escapará.

É o fim sem glória
que fica na história!
Porém, Minos será,
lá no Hades, juiz.
Foi Zeus quem o quis!
E nada impedirá.

Injustiça e maldade
com a humanidade
ele praticou.
Porém, na verdade,
ele era deidade!
De Zeus se gerou.

E os humanos têm,
por mal ou por bem,
enfim, que aprender
que à vontade dos deuses,
mil e uma vezes,
irão aceder

-
não importando que seja
injusta ou não seja,
pois essa peleja a Zeus vai caber.

Atenas recebe, enfim,
Dédalo de volta

Dédalo voltou à Atenas,
finalmente, onde passou
os últimos dias de vida
e aos jovens ensinou,
trabalhando, a verdadeira
arte que ele tanto amou.

E já no final da vida,
uma escola ele fundou
a qual recebeu seu nome,
e muito tempo durou:
centenas de anos. E grandes
artistas ela formou.

-
E os artistas que ali formaram-se,
que foram muitos, chamaram-se:
Dedálides. O que os honrou.

.......

Assim, acaba a história,
ou o Mito do homem que
sonhou um dia ser pássaro
e que sentiu o prazer
de voar por algum tempo
ainda que um triste evento
lhe causasse padecer.

Contei O Mito de Dédalo
e de Ícaro. Ou recontei,
melhor dizendo, já que
seu formato transformei!
Pois o que foi lido em prosa,
agora, eu: Dona Rosa,
em pobres versos tornei.

E peço ao caro leitor
que leia com atenção,
criticando com justiça;
dando sua opinião
no trabalho para que
eu possa o mesmo revê
e fazer-lhe a correção.

-
Mas se gostou, que o diga!
Afague-me o coração.
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 12/05/2006
Reeditado em 19/05/2016
Código do texto: T154582
Classificação de conteúdo: seguro

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