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Zé Limeirando. Cordel do absurdo.

Autor: Daniel Fiúza
12/07/2006

Um galo cantou ao longe
Acordando a vizinhança
uma menina de trança
Foi reclamar com o monge
Um bode velho que tange
E pega boi na carreira
Se esconde atrás da trincheira
Com o pessoal do cangaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Passei um dia em Macau
Passeando de charrete
Jantei numa lanchonete
Comi feijão com mingau
Depois toquei berimbau
Pra deleitar uma freira
Que vei’ da ilha madeira
Navegando num barcaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Montado num elefante
Eu vi a banda passar
E um tatu me mostrar
Um dente fino e cortante
Tal qual um rinoceronte
Descendo a ribanceira
Montado numa esteira
Sem cometer erro crasso
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

O filho da veia kenga
Cujo nome não me lembro
Foi de abril a setembro
Trampando na lengalenga
Cabra que gosta de arenga
E de fumar com piteira
Carrega cesta na feira
Nas costa tem um inchaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Foi visto na madrugada
Aquilo que o bicho come
vestido de lobisomem
acompanhando uma fada
numa floresta fechada
plantada de seringueira
berrando a noite inteira
se ouvia até no terraço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Por cima tinha o vestido
por baixo vinha anágua
Com o olho cheio de mágoa
Por ser assim atrevido
Teimoso e maluvido
Gostar de dizer besteira
Fazendo arte ligeira
Com cobre, ferro e aço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Chiquinha fia do Zé
Neta da veia coroca
Morreu comendo paçoca
Na mesa dum cabaré
Jantando com Nazaré
Uma mulher encrenqueira
Nascida na Mantiqueira
Onde eu criava cachaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Uma cabrita lesada
Fugiu pro Rio de janeiro
Ficou até fevereiro
Voltou numa enxurrada
De bucho toda emprenhada
Pariu numa sexta feira
Lá dentro da geladeira
Nasceu um filho sem baço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Segui pegadas de cobra
mordido por urubu
Pulei do norte pro sul
Pra terminar uma obra
Comendo resto e sobra
Em casa de carpideira
Desci pela cumeeira
Quase levei um balaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé Limeira.

Quando estive em Canindé
Capital de Maceió
Onde nasceu minha vó
Quando inventou a colher
Forjada na coité
Na casa de João Teixeira
Afiador de peixeira
Bebendo pinga e melaço
Eu querendo também faço
Igualzinho a Zé limeira
Domfiuza
Enviado por Domfiuza em 12/07/2006
Código do texto: T192806
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Sobre o autor
Domfiuza
Santa Barbara D'Oeste - São Paulo - Brasil
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