Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A minina do Canindé

I
A HISTÓRA QUE VÔ CONTÁ,
O POVO DO CEARÁ
NUM CANSA DE REPITÍ,
-PREGUNTE PRÁ QUEM QUISÉ,
QUEM NASCEU NO CANINDÉ,
NUM VAI DEXÁ EU MINTI.

II
O VERÃO TAVA INCLEMENTE
E SUFRIA TANTA GENTE,
NESSE CLIMA ABRASADÔ;
UM CASÁ DE CEARENSE
LARGÔ TODO SEUS PERTENCE,
PRA AMAZONA SE MUDÔ.

III
MAIS PORÉM, UM BELO DIA,
A SUA QUERIDA FÍA
PARA A MATA ISCAPULIU;
O CASÁ DISISPERADO
PROCURÔ PRU TODO LADO
A MININA QUE SUMIU.

IV
NUM SABENDO SAÍ DESSA,
FIZERO, INTONCE, A PROMESSA
DE UMA ISTÁUTA CONSTRUÍ;
ISTAUTA QUE ELES FARIA
DE CÊRA E DISPOIS DARIA,
PRÁ SÃO FRANCISCO DE ASSÍ.

V
OITO DIA SE PASSÔ
E QUANDO A NOITE CHEGÔ,
A MININA PARECEU,
MUNTO FELIZ E CONTENTE,
FALAVA PRÁ TODA GENTE
DE UM FRADE QUE A SOCORREU.

VI
DISPOIS DE REZÁ, CUM FÉ,
OS PAIS FÔRO A CANINDÉ,
LEVANDO A ISTÁUTA DA FÍA;
PUSÉRO A MESMA NO ALTÁ
PARA ALI REPRESENTÁ,
GRATIDÃO, PAZ E ALIGRIA.

VII
NO MEIO DE TANTOS SANTO,
A ISTÁUTA CAUSAVA ISPANTO
E MUNTA GENTE ISTRANHAVA;
MAS A MININA CONTENTE,
COM SUA ISTÁUTA NA FRENTE,
TOMBÉM PRÁS OUTRAS OIÁVA.

VIII
CUM SEU JEITO MEIO ARISCO,
AO VER A DE SÃO FRANCISCO,
A MININHA GRITÔ:
-ESTE SANTO, EU JÁ CUNHEÇO
POIS DAS MATA – EU AGRADEÇO -,
FOI ELE QUE ME TIRÔ!

IX
PASSADOS JÁ TANTOS ANO,
PARA O SANTO FRANCISCANO,
NÓIS REZAMO A LADAINHA;
E FAZENDO SUAS PRECE,
O POVO NUNCA SE ISQUECE,
DAQUELA MENINAZINHA.

X
SE DO APERTO ELE A TIRÔ
E FOI O SEU SALVADÔ.
HÁ DE A TODOS ATENDÊ;
BASTA QUE REZE CUM FÉ,
NA IGREJA DE CANINDÉ,
QUE ELE VEM NOS SOCORRÊ...
Marcos Coutinho Loures
Enviado por Marcos Coutinho Loures em 31/07/2006
Código do texto: T206405
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Marcos Coutinho Loures
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
29 textos (3212 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 18:46)