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HISTÓRIAS DO MEU SERTÃO – A RECUMENDA DAS ARMA.



I
CERTA VEIZ, EU FUI PRÁS BANDA
DA FAZENDA DOS MIRANDA,
LÁ PERTO DE TATUÍ;
TAVA NA SUMANA SANTA
E MUNTA GENTE SE ISPANTA,
COM QUE VÔ CONTÁ AQUI.

II
NAS QUARTA E NAS SEXTA-FÊRA,
OS HÔME, ABRINDO AS PORTêRA,
PELAS NOITE IA REZÁ;
E VARANDO AS MADRUGADA,
NAS POBRE ARMINHA PENADA,
ÍA A DEUS RECUMENDÁ.

III
LÁ NA FRENTE, OS MATRAQUERO
QUE TOCAVA O TEMPO INTÊRO,
NUNCIAVA A RECUMENDA;
EM FRENTE AS CASA PARAVA
E TODO MUNDO CANTAVA,
BEM ARTO, LÁ NA FAZENDA:
“ACORDAI, IRÃO DAS ARMA,
E DISPOIS, REZEMO JUNTO:
-AH! ´PAI NOSSO, AVE MARIA,
PELAS ARMA DOS DIFUNTO”.

IV
NINGUÉM ABRIA A JINÉLA,
POIS VERIA, TRAVÉIS DELA,
UMA TERRIVE VISÃO:
-VERIA AS ARMA PENADA,
CUMPANHANDO, PELA ESTRADA,
TODA RECUMENDAÇÃO.

V
ANSIM QUE O GALO CANTAVA
A RECUMENDA PARAVA
E CAVAVA A PORCISSÃO:
É QUE MAL CHEGAVA O DIA,
AS ARMA SE RECOÍA
E VORTAVA PROS CAXÃO.

VI
TODOS OS ANO ISSO ACONTECE
E, PRÁS ARMA, SUAS PRECE,
NINGUÉM DEXA DE FAZÊ;
PRÁ TERMINÁ ESSA HISTÓRA,
PRA VASMICÊ CONTP AGORA,
O QUE FOI ACONTECE:

VII
A MARIA MACULADA,
DISPOIS QUE FOI INTERRADAA,
VIVIA O POVÔ A DIZÊ;
-ERA MESMO UMA SANTINHA!
A NOSSA MARIAZINHA
FOI PRÚ CÉU, SEM PADECE.

VIII
O SEU PAI, LÁ NA FAZENDA,
DISPENSÔ A RECUMENDA
PRÁ MARIA MACULADA.
MAL ACABÔ DE FALÁ,
DA JINELA QUIS OIÁ,
PARA AS ARMINHA PENADA.

IX
O SEU ORGÚIO CESSÔP
QUANDO A MARIA AVISTÔ,
TOMBÊM PIDINDO ORAÇÃO;
DISPOIS DE CHAMÁ PUR ELA,
ELE CAIU DA JINÉLA
E MORREU DO CORAÇÃO!

X
SE FOI O NOSSO SINHÔ
QUE A RECUMENDA ENSINÔ.
ALI PREGADO NA CRUZ,
NÓIS NUM TEMO ESSE DEREITO,
DE DUVIDÁ DO PERFEITO,
DE DUVIDÁ DE JESUS!
Marcos Coutinho Loures
Enviado por Marcos Coutinho Loures em 31/07/2006
Código do texto: T206406
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Sobre o autor
Marcos Coutinho Loures
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
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