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Histórias do meu sertão

I
VOU CONTÁ PRA VOSMECê
O QUE FOI ME ACONTECÊ,
QUANDO EU ERA MAIS CRIANÇA;
FOI NUMA NOITE ISTRELADA,
E A LUA, TODA INFEITADA,
DO CÉU DISCIA SUAS TRANÇA.

II
EU ZANZAVA PELA RUA,
NAMORANDO AQUELA LUA,
SEM NADA QUERÊ FALÁ;
EU PEGAVA OS VAGALUME
DAS FRÔ, TIRAVA O PERFUME,
SÓ PRU MODE DE EU CHERÁ!


III
DERREPENTE, UMA CABÔCA,
MUNTO BRANCA, A VOZ BEM RÔCA,
ME CHAMÔ PRÁ JUNTO DELA;
EU PAREI, DISCONFIADO,
FUI CHEGANDO, CUM CUIDADO,
E VI QUE ERA MARISTELA.

IV
ELA, A FÍA DO XEXÉU,
IRMÃ DA IVONE DO CÉU,
QUE MORAVA NA CIDADE.
-QUI FAZIA ALI, AGORA?
EU PREGUNTEI, SEM DEMORA,
ME DIGA, POR CARIDADE!

V
MARISTELA ME ABRAÇÔ
E MINHA BOCA BEJÔ,
NUMA PAXÃO DESMEDIDA.
NÓIS FIQUEMO ALI SOZINHO,
TROCANDO MUNTO CARINHO,
CUMO JAMAIS VI NA VIDA

VI
TUDO O QUE EU LI PREGUNTAVA
MARISTELA DISPISTAVA
ENVINHA ME CENSURÁ:
-É MIÓ FICÁ CALADO!
UM CASÁ DE NAMORADO,
SÓ QUÉ MESMO É NAMORÁ!


VII
ELA SE FOI E EU TOMBÊM,
SEM SER VISTA PRU NINGUÉM,
ANSIM QUE O DIA CHEGÔ.
DE CANSADO, FUI DRUMÍ,
NEM MEU ARMOÇO CUMI,
ME ALIMENTEI DESSE AMÔ...

VIII
QUANDO, INFIM, EU ACORDEI,
MARISTELA EU PRUCUREI
LÁ NA CASA DO PAI DELA,
TODO MUNDO ALI CALADO,
ME OLHANDO, MUNTO ASSUSTADO
SÓ NUM TAVA MARISTELA!

IX
SEU XEXÉU SE APROXIMÔ
E UMA CARTA ME MOSTRÔ,
PRÁ TIRÁ MINHA ALEGRIA!
ESTAVA INSCRITA ALI, NELA:
-SUA FÍA MARISTELA,
MORREU, JÁ FAIZ QUATRO DIA!

X
-IMPOSSÍVE! DISSE ANSIM,
MAS DISPOIS, DANDO POR MIM,
A NINGUÉM EU DISSE NADA.
-FOI MESMO ANSIM, SEU DOTÔ,
QUE LIBERTEI, CUM AMÔ,
AQUELA ALMINHA PENADA...
Marcos Coutinho Loures
Enviado por Marcos Coutinho Loures em 31/07/2006
Código do texto: T206407
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Sobre o autor
Marcos Coutinho Loures
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
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