Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Cordel - O dia em que bati na assombração


I
VÔ LI CONTÁ OUTRA HISTÓRA
QUE MI ALEMBRA, NA MEMÓRA,
DE TANTAS COISA PASSADA;
NAQUELES TEMPO, SEU MOÇO,
CUMO CARNE DE PESCOÇO,
ERA DURO NAS PARADA!

II
CERTA VEIZ, UM CORONÉ
MEXEU CUM MINHA MUIÉ
E CORTEI A SUA ORÊIA!
ELE CHAMÔ TREIS SORDADO
E AS COISA, LÁ NO ROÇADO
FICARO PRÁ LÁ DE FEIA!

III
EU BATI NOS TREIS MILICO
E SUBI, NUM PÉ DE ANGICO
PRÁ MAIS LONGE PODÊ VÊ:
VI CHEGANDO O CORONÉ,
QUE TIRANDO O SEU CHAPÉ,
VÊIO A PAZ ME OFERECE.

IV
DOTRA FEITA, NUM FORRÓ,
QUATRO IRMÃO DO ZÉ JILÓ,
VÊIO ME DISAFIÁ.
-SEU MOÇO, NUM DIGO NADA!
TOMARO TANTA PANCADA,
QUE COMEÇARO A CHORÁ.

V
EU NUM ERA UM VALENTÃO
MAIS, SE TIVESSE RÉZÃO,
FRIVIA O SANGUE NAS VÊIA!
PUDIA SÊ MÁIQUI TAÇO,
EU SENTAVA LOGO A BRAÇO
E ACABAVA NA CADEIA.

VI
UM DIA, ENVINHA EU SOZINHO
PELOS ESCURO CAMINHO
DE UMA NOITE SEM LUÁ;
NA MINHA FRENTE PULÔ
UM CABOQUINHO SEM CÔ,
RINDO, RINDO, SEM PARÁ.

VII
EU SÓ VIA OS DENTE BRANCO
MAIS NOTEI QUE ELE ERA MANCO
E QUIRIA MIM IRRITÁ,
ENTÃO DISSE PRÔ CABÔCO:
-RAPAIZIM, NUM SEJE LOCO,
SAI DA FRENTE, PREU PASSÁ!

VIII
EU NUM SEI DE QUE MANÊRA,
ELE DEU-ME TAL RASTÊRA,
QUE ROLEI PELO GROTÃO;
BEM DIPRESSA EU LEVANTEI
E CUM ELE ME ATRAQUEI,
E ROLEMO, PELO CHÃO.

IX
BRIGUEMO, MAIS DE TREIS HORA
E QUANDO ELE FOI-SE EMBORA,
JÁ TAVA NO AMANHECÊ.
FOI QUANDO, DEU-ME UM ISTALO;
O CABOCO DE QUE FALO,
ERA O SACI-PERERÊ!

X
HOJE, TÔ VÉIO E CANSADO,
NEM MESMO FAÇO UM ROÇADO,
NEM FORÇA TENHO NAS MÃO”
-MAS LI DIGO, COM ORGÚIO,
FOI MESMO NUM MÊS DE JÚLIO,
QUE EU BATI NA ASSOMBRAÇÃO!
Marcos Coutinho Loures
Enviado por Marcos Coutinho Loures em 01/08/2006
Código do texto: T206981
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Marcos Coutinho Loures
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
29 textos (3212 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 02:46)