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A história do caboquim bendito.


I
A MINHA CONVERSA ISTICO
SE FALO NO VÉIO CHICO,
O RIO MAIS BRASILÊRO!
EU, QUE BIBI SUAS ÁGUA,
MAIS MIÓ SUPÓITO AS MÁGUA
DOS MEUS SETENTA JANÊRO.

II
EU NASCI NAS TREIS MARIA,
ALI JUNTO DA BAHIA,
ONDE TIVE PÔCO ISTUDO;
CRISCI CUMENDO PINTADO,
MANDÍ, TRAÍRA, DORADO,
LAMBARI, BAGRE, CASCUDO.

III
PRU MODE SÊ PESCADÔ,
MINHA VIDA SE PASSÔ,
IM RIBA DUMA CANÔA;
E POSSO LI GARANTI,
A VIDA QUE JÁ VIVI,
TEVE MUNTA COISA BOA!

IV
QUANDO A CHUVA DEMORAVA,
LOGO O CHÃO SE ISTURRICAVA,
SECANDO INTÉ PENSAMENTO;
ERA ENTÃO DO VÉIO CHICO,
QUE DE PEXES É TÃO RICO,
QUE EU TIRAVA O MEU SUSTENTO.

V
ELE, O RIO BENÇOADO,
SE ME DEU TANTO PESCADO,
TOMBEM ME TROXE TRISTEZA;
ELE LEVÔ, DE MANSINHO,
NUM GRANDE RIDIMUINHO,
A MINHA FÍA, TEREZA.

VI
MARIA – MINHA MUIÉ,
QUASE FICÔ TERERÉ,
DE TANTO NISSO PENSÁ;
TODA NOITE ELA SAIA
E LÁ FICAVA A MARIA,
OIANDO O CHICO, A CHORÁ.

VII
PRÁ COMPENSÁ TAL DISGRAÇA,
O CHICO ME DEU A GRAÇA,
DESSA DÔ ALIVIÁ;
SAIU DELE UM CABOQUIM,
NUMA NOITE LINDA ANSIM,
PRÁ MARIA INGRAVIDÁ.

VIII
EU GUARDEI ESTE SEGREDO
POIS A MARIA, CUM MEDO,
ME PIDIU QUE FOSSE ANSIM.
MAIS TENHO O MAIÓ ORGÚIO
DE SABE QUE NOSSO JÚIO,
É FIO DE UM CABOQUIM.

IX
ADISPOIS, ELA MORREU,
MAIS ANSISM QUE DUECEU,
ELA QUIS SE CONFESSÁ;
QUANDO O PADRE LÁ CHEGÔ.
A MARIA SUSPIRÔ,
E DEXÔ DE RESPIRÁ.

X
ANSIM, ÀS VEIZ AQUI FICO,
OIANDO PRO VÉIO CHICO,
CUM AS VISTA ISTREMECIDA.
AO LEVÁ NAS SUAS ÁGUA,
OS MEUS SONHOS, AS MINHAS MÁGUA,
ELE LEVÔ MINHA VIDA....
Marcos Coutinho Loures
Enviado por Marcos Coutinho Loures em 01/08/2006
Código do texto: T206982
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Sobre o autor
Marcos Coutinho Loures
Muriaé - Minas Gerais - Brasil, 80 anos
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