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O MILAGRE DO AMOR


O MILAGRE DO AMOR

Por Rosa R. Regis
Natal/RN - 2006


Leitor, este nosso mundo
É cheio de ilusão
Uns choram de sofrimento
Outros de satisfação
E o homem desejando
O que não tem, vai passando,
Assim, os pés pelas mãos.

Deus deu a todos os seres
Humanos a inteligência
Para que eles usassem,
Certamente, com decência,
Trabalhando honestamente
E usando o que tem na mente
Com amor. Com consciência.

Porém alguns filhos seus
Não são capazes de ver
Que seus irmãos, seus iguais,
Também precisam ascender
E, assim, de forma safada,
Usam os mesmos como escadas
Para o seu próprio crescer.

Mas não me refiro aqui
Ao crescer do seu espírito
Que é o que o Senhor Deus quer,
Pois é um crescer bonito
E sim, o crescer em bens,
Em riquezas que a Terra tem
Que é somente um bem finito.

E aqui, leitores, começo
A história que, em si,
Mostrará como a inveja
Faz uma vida ruir
E leva junto consigo
A amizade de um amigo
E o faz parar de sorrir.

No ano Quarenta e Dois,
Do Século vinte, nasceu,
Em um Sítio, na Paraíba,
Margarida, o nome seu,
Uma menina sadia
Que seus pais com alegria
Das mãos de Deus recebeu.

Seus pais eram agricultores
Da terra alheia – não tinham
Recursos mas, detentores
De um grande amor que os sustinham
Juntos e, pros seus rebentos,
Adquiriam o sustento
Com que a todos mantinham.

Margarida cresce, fugindo
Dos males que quase mata
A todos os seus irmãos
E que, agora, lhe fazem falta,
E com as meninas vizinhas,
Que são suas amiguinhas,
Brinca. E é muito peralta.

Aos sete anos e meio,
Com a irmã, que casou,
Foi morar numa cidade,
Saindo do interior
Onde vem, de vez em quando,
Pois lá ficara morando
Seu pai - seu projenitor

E a sua mãe amada,
De quem não pode esquecer.
Mas o desejo de estudar
A faz, deles, se desprender,
Pois desde pequenininha
Uma grande vontade tinha
De aprender ler e escrever.

Mas um ano depois, seus pais
Resolvem também mudar:
Deixam o sítio, e na cidade
De Montanhas vão morar
Bem perto das suas filhas,
Suas duas maravilhas,
Que a saudade os faz chorar.

E na Cidade de Montanhas
Cresce e desabrocha a flor,
Com o carinho dos pais
Que lhe têm muito amor.
Porém não podem evitar,
Com as voltas que vida dá
A desgraça – o desamor.

Pois não é que Margarida,
Já mocinha, aos dezesseis
Anos de idade, decide
A, pela primeira vez
Arranjar um namorado,
E aí, seu pai revoltado,
Pratica uma insensatez.

É que o Seu Manoel da Luz,
Pai daquela linda flor,
É um homem crente em Jesus
E tem à filha muito amor,
Não querendo sua menina
Sofrendo com a triste sina
De casar com um malfeitor.

Pois o dito namorado
Que a sua filha arranjou,
É um cabra desajustado,
Não é um trabalhador,
E tem o costume feio
De pegar no que é alheio.
Veja só isso, doutor!

E assim, seu Manoel,
Usando do seu poder
De pai, decide lutar
Para a filha defender,
Proibindo a Margarida,
A sua filha querida,
Daquele malfeitor, ver.

Mas, leitor, o triste destino
Daquela pequena flor
Já fatalmente traçado
Ao bom pai, enganou,
E, assim, quando anoiteceu
Sua filha – o tesouro seu,
Foi embora – se mandou!.

Jogou fora a proteção
Da mamãe e do papai,
Entregando-se às mãos
Daquele louco rapaz
Que além de irresponsável,
Era mau, o miserável.
E, então, não teve mais paz.

Era um lobo que vestia
Uma pele de cordeiro,
Jurando àquela menina
Um amor puro e verdadeiro,
A quem ela se entregou,
Quando nele confiou
Corpo e alma – por inteiro.

Mas logo, ao ver-se distante
Da proteção dos seus pais,
Viu, com horror, quão diferente
Era o tirano rapaz
Que agora, sem esconder
Sua forma de proceder,
Faz o que bem lhe apraz.

Logo aos primeiros dias,
Longe dos pais da menina,
Ele mostra, com palavras,
Para ela, que a domina
E que, para ele, ela é nada:
É só uma “descarada”!
E que, ele,  a abomina.

Diz pra ela: - O que eu queria
Eu já tive!  E tem mais
O que eu queria mesmo
Era me vingar dos seus pais
Que achavam que a beleza
Da “sua bela princesa”
Era, para mim, demais.

- E não é só isso, benzinho,
Que eu tenho pra dizer, não!
Pois vou contar-lhe um caso
Que é de cortar coração,
Não o meu, endurecido,
Porém o seu, derretido.
Escute e preste atenção.

- Há vinte anos atrás
Meu pai morava no Ingá,
Com seus pais, os meus avós
Que viviam a trabalhar
Na agricultura – alugado,
Cuidando, pois, do roçado
De outro Senhor do lugar:

Do Senhor Sebastião!
Era o Senhor seu Avô,
O pai da sua mamãe
A quem meu pai muito amou
Mas que ela, orgulhosa,
Se achando rica e formosa,
O seu amor desdenhou.

O meu pai se declarou.
E ela o esnobou
Dizendo: - Eu já sou noiva!
Fique o Senhor sabedor.
Meu noivo é Manoel da Luz
A quem, juro por Jesus!
Dedico o meu amor.

E o meu pai, humilhado,
Fitou-a bem e jurou:

(... aguardando editoras de cordel interessadas. rrrs.)
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 16/08/2006
Código do texto: T218213
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Regis
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 67 anos
383 textos (153761 leituras)
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Rosa Regis

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