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Éramos apenas cinco... 

Oito meses depois...

"Turma do Funil recebe visitas"
Tere Penhabe

A Turma do Funil, feliz
se põe em alto estilo
para receber visitas
desta vez mais de um amigo
lá do "Gente como a Gente"
que muito nos fez contentes
e nos deram mais sentido.

Sem mais salamaleco
vale prevenir a todos
não precisam ter medo
eu lato mas não mordo
delação que prometi
confesso já me esqueci
hoje é arquivo morto.

Brenda mostrou a que veio
com Xandra, ambas bonitas
foi tanta delicadeza
merecem laço de fita
sucos de cana-caiana
com pele de porcelana
sem ver ninguém acredita.

Também de primeira vez
veio ainda o Solitário
que diz ser da Madrugada
mas atingiu com seu raio
Sapeka nossa moleca
meio levada da breca
em afeto dois perdulários.

E doce lembrança tenho
da aura de uma mulher
Sperazzo, o sobrenome
ouvi-la é o que a gente quer
desbravou a madrugada
prosa sábia e apurada
que enobrece qualquer ser.

Não vou esquecer o Jorge
o nosso amigo Linhaça
que pela segunda vez
nos dá o ar da sua graça
seus discursos bem feitos
dos seres e seus defeitos
não merecem mordaça.

Não quero ser injusta
sem mencionar pra vocês
da presença afetuosa
do cão que late em francês
que veio junto nesse afã
a Inês e seu marido Jean
arranhando o português.

E como sempre estavam
os outros desbravadores
que fundaram essa turma
do poeta e seus valores
muito me orgulho disso
que dizer nem é preciso
vale a pena esses amores.

São eles os que aqui seguem
Ciducha, Tere e Tulipa
Marcial veio sem Neide
Zé e Lia bem na fita
Guida mais a Naida Terra
que sempre desce a serra
na turma é muito querida.

Mas quem conhece sabe
cordel é minha alegria
por isso eu aliso e bato
porque não faço elegia
sem magoar ou ofender
vou fazer gente saber
das gafes dessa folia.

Sempre há quem bebe demais
também quem come de menos
quem fala mais do que deve
quem não consegue fazê-lo
todos temem meu cordel
coitado, só tem o papel
de registrar o evento.

Quem faz que vai mas não vai
prometemos não contar
pras xixizentas da turma
fraldas vamos preparar
quem muito a cerva cobiça
bota a culpa na linguiça
o que importa é festejar.

A noite acabou perfeita
que entre tapas e beijos
de olhos arregalados
o Linhaça todo meigo
usava a demagogia
pra fazer apologia
espremido bem no meio.

No final duas das viúvas
episódio pitoresco
quase pelo amanhecer
recolheram-se ao leito
sem maldade ou receio
dois falecidos no meio
não há pior pesadelo.

O apogeu desse cordel
aconteceu no domingo
o tal cãozinho francês
Pitchou que é bom menino
censurava a peleja
da abertura da igreja
projetada por amigos.

Será a Igreja do Funil
o nome foi escolhido
todos os pregadores
são alcóolicos convictos
o slogam dessa doutrina
de ouro será a mina:
cevada, malte e lêvedo!

A diretriz foi bem vista
propagadora do amor
por certo:"Afunilando
os caminhos do senhor."
dizimistas são bem-vindos
que sejam feios ou lindos
o que importa é o penhor.

Hino, autoria de Jean
ajudado por Linhaça
tem de refrão a cerveja
que a Sapeka nela baba
que como diz a Ciducha
essa pequena miguxa
o limite não ultrapassa.

O evangelho em versos
segundo o alcoolismo
será bem elaborado
não carece eufemismo
de redação apurada
com alegria renovada
valerá a pena o dízimo.

Quem quiser se converter
não se faça de rogado
será bem recebido
e no bolso espoliado
A tal da Igreja do Funil
até hoje ninguém viu
do mundo melhor legado.

Não moram todos aqui
essa é a grande maçada
perde o melhor da festa
quem a deixa inacabada
se em Portugal vai pra Borga
aqui vamos é pra esbórnia
bebendo ou não a camada.

Santos, 10.09.2006_00:00 hs
www.amoremversoeprosa.com

Tere Penhabe
Enviado por Tere Penhabe em 20/09/2006
Reeditado em 20/09/2006
Código do texto: T244774

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Sobre a autora
Tere Penhabe
Santos - São Paulo - Brasil, 61 anos
252 textos (25810 leituras)
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Tere Penhabe