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DE ALCAÇUZ PARA O ALÉM

DE ALCAÇUZ PARA O ALÉM
Por Rosa Regis
Natal/RN - 2006

Eram quinze? Vinte? Trinta?
Ninguém sabe quantos, não.
Todos de comum acordo,
Todos com a mesma intenção,
Preparam-se para a fuga.
É muito grande a tensão.

As "teresas" preparadas
Com lençóis e com torçais
Que faziam com os cordões
(dos trabalhos manuais)
Que lhes eram fornecidos
Pelas esposas e pais.

Armas: de fogo e cortante
Que, na parede, escondiam,
Telefones celulares
Que, de fora, recebiam
Não se sabe ao certo como,
Mais fogo lhes acendiam.

Chega, finalmente, o dia!
Tudo está preparado!
Será no início da noite
Como fora combinado.
E o sistema de energia
Terá que ser desligado.

Dito e feito! À hora agá
A mais negra escuridão
Toma conta do presídio!
E o grupo, em meio à tensão,
Com as celas já abertas,
Arrasta-se pelo chão.

A cadeia em polvorosa!
É um inferno total!
A Guarda atira a esmo
Em direção do local
Em que os vultos se movem.
E o resultado é fatal.

Ninguém consegue fugir.
E ao chegar a energia,
Num levantamento feito
A Polícia descobria
Que, em meio a fuga abortada,
Uma baixa de cinco havia.

São cinco vidas ceifadas,
Em plena flor da idade,
Que logo se esqueceria.
Essa é a realidade.
A não ser pela família,
Que é quem sofre, na verdade.

Seja esposa, seja mãe,
Seja pai ou seja irmão,
Um fato desse quilate
Deixa qualquer um cristão
Com uma marca feita a fogo
Dentro do seu coração.

E um filho! Como é que fica
O seu pobre coração
Que, certamente, terá
A grande desilusão
De ver estampada em letras
Vermelhas, de garrafão:

BANDIDOS TENTAM FUGIR
E, PARA SEU GRANDE AZAR,
SÃO DESCOBERTOS E MORREM!
Antes de ultrapassar
O paredão do Presídio
Ao à Polícia enfrentar.

E morrem as esperanças
Que tinham: a mãe, a mulher,
O filho, a filha, a irmã,
O pai, um amigo qualquer
De, um dia, ver o detento
Livre. Acabou-se e a fé.

Agora é só desespero!
E ninguém sabe quem matou.
E se souber, não se diz.
Pra quem morreu, acabou!
E feliz daquele que
Conseguiu safar-se! Escapou!

E a justiça, onde está?
É justo o que ocorreu?
A questão ficou no ar
E ninguém jamais respondeu.
- Mais uma pergunta, Doutor:
- Aonde foi o Amor?
- Será que ele morreu?
Rosa Regis
Enviado por Rosa Regis em 21/09/2006
Reeditado em 02/10/2010
Código do texto: T245362
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Regis
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 67 anos
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