Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto
- Leia todos os cordéis do autor, clicando no link abaixo.
Read all JB Xavier's popular poetry. Click HERE.
 
- Assista a todos os vídeos do autor no YOUTUBE, clicando no link abaixo 
Click to watch all JB Xavier's works on YOUTUBE:
 
- Adquira o livro de contos "Caminhos" de JB Xavier, clicando no link abaixo.
Purchase JB Xavier's short stories book "Paths". Clik HERE.
______________________________

NOVA CONSTITUIÇAO
J.B.Xavier


Nesses dias de sandice
Não agüento o presidente
E sua tagarelice
Cada vez mais impotente;
Com a cultura ainda pouca,
Gozando de mim e de você
Usando como uma touca
O boné do MST!

Nesses dias vergonhosos,
Prenúncio de tenebrosos,
Em que o mundo assiste aflito
O povo que há pouco deu
Os sinais tão luminosos
De séria democracia,
E agora vê o conflito
Tomar conta da nação;

Nesses dias de tumultos,
De tanta semvergonhice
Que me fere o coração,
De ainda mais tagarelice,
Em que o povo ouve os insultos
DO próprio judiciário
Engravidando uma greve,
Para aumentar seu salário;

Logo o Judiciário!
Com duas férias por ano,
Num país só de misérias,
Que, para não dizer excesso,
E manter no povo o engano,
Chamam uma, sim, de férias,
À outra chamam “recesso”.

Logo o judiciário!
Das togas e das perucas
Do martelo e venda cega,
Não percebe ser o centro
De toda a Democracia!
E querem ser gente séria,
Mas num país de miséria
Resolvem fazer pilhéria
Na baderna e na folia!

Nesses dias de invasões,
Em que a baderna campeia,
Confesso que já nem sei
Se os sem-terra e os sem-teto
E agora os nossos juízes,
São ou não foras-da-lei!

Estar fora ou estar dentro
De uma constituição movediça,
Não é questão de pudor.
É, como disse Einstein,
Puramente relativo,
E depende apenas de onde
Se encontra o observador!

Se está fora dos ditames,
Da carta maior da nação,
Para não ser mais um infame
E não criar mais contenda,
Com fita adesiva à mão
Fazem-lhe mais uma emenda!

Se está dentro e lá não cabe
Seus intentos vergonhosos,
Dizem estar démodé
O tal artigo ou inciso,
E sempre de improviso
Pra não haver reprimenda,
Armam-se de uma tesoura
Cortam e fazem outra emenda!

E criticamos “Tio Sam”
Por seus tantos desenganos,
Mas lá a Constituição
É a mesma há duzentos anos!
Lá hasteiam a bandeira
Em tudo que é sala ou praça,
Fazem dela cerimônias,
Fazem chorar, fazem graça,
Mantendo sempre o otimismo
De, ainda que à sua maneira,
Manterem o patriotismo!

E eu, aqui, o que digo,
Para o filho que indaga:
“Pai, mas não há um artigo
para evitar essa praga?”
Digo-lhe: “Há, mas depende
De quem lê o tal artigo.”
Ele ouve e compreende
Que, seja lá quem o ler,
É melhor ser seu amigo!

Mas os juízes venceram!
Sem votos e sem campanhas,
E sem nenhum eleitor!
Ameaçando o Estado
Dizem que vão parar
O que há muito está parado!
E nosso legislativo,
Homens sem fibra ou matizes,
Quedaram-se indecisos
E renderam-se aos juízes.

Resta ao Grande Falastrão
Explicar essa derrota
Com sua voz de emoção
E mostrar que não é grota
O buraco em que caímos.
Depois há de nos pedir
Que pelo nosso sofrer,
Ao invés de reclamar
Temos é que agradecer!

Depois vêm os idiotas
De movimentos escusos
Com idéias belicosas
Em seus cérebros obtusos
Dizendo que agora, sim,
Farão a revolução!
Che Guevara é seu guru,
E dizem até na TV
Que aprenderam tudo isso
Com os russos e o PT!

Os russos aí estão,
Lotando os cemitérios
Com os mortos de suas máfias,
Pois foi tudo o que restou
De seu poderoso império!

Che Guevara que embarcou
No navio da aventura
Dele tudo o que restou
Que ainda se pode ler
Foi “Hay que endurecer,
Pero sin perder la candura”

É exatamente a candura
Que o povo está perdendo,
E assim vai comprometendo
Toda sua vida futura!

Não serei mais paciente,
E mesmo não sendo jurista
Farei algo diferente:
Vou me aliar a essa gente
E para combater o mal
Não vou fazer mais emendas.
Vou dar a base legal
Às demandas das elites.

Tentarei, se Deus quiser
Reescrever nossa Carta,
Magna, ao menos no nome.
Por louco ninguém me tome,
Pois quem tem a mesa farta
Não tem mesmo o que temer.
Já ao pobre, que nem come,
Comida então lhe darei
E vou lhe arranjar guarida.
Nessa Carta tentarei
Melhorar a sua vida.

Esta Constituição
Virá da alma do artista,
E também do coração!
Mas os artigos primeiros
Eu em nada mudarei.
Também digo, “os brasileiros
São iguais perante a lei!”
Porém estou estudando
Proceder a algum ajuste
E assim ir melhorando
Sem que isso nada custe.
Um parágrafo amigo
Eu então colocarei
Nesse primeiro artigo
Que deverá virar lei:

“Apesar de alguns senões,
São iguais perante a lei,
Com algumas exceções”.

São estas que agora passo
Com cuidado a enumerar
Pois há muitos brasileiros
Da gema, do coração,
Que morrem de trabalhar,
Que já provaram que são
Diferentes dos demais.
A esses, cuido ligeiro
De incluir em artigos
Muito, muito especiais!

E no Artigo Primeiro
O Poder Judiciário,
É um exemplo acabado!
Não é justo nem correto,
Compará-los em ardor
Ou mesmo em intensidade
Com nosso trabalhador.
Por estar sempre presente
Nesse nosso dia-a-dia,
E por ser democracia,
Por ser assim, tão correto,
Aqui, no meu inventário,
O Poder Judiciário
Eu considero exceção,
E está fora do projeto
Dessa Constituição.

Já no Artigo Segundo,
Não posso nunca esquecer
Do nosso legislativo.
São os nossos deputados,
Senadores, coisa e tal,
Os que me dão bons motivos
De, defronte o mundo inteiro,
Eu me sentir orgulhoso
Porque nasci brasileiro!
Por ser do Paleolítico
Essa idéia atrasada,
Esse clamor tão funesto,
De pensar que o político
É sempre alguém desonesto,
Eu também irei deixar
Esses senhores de fora.
Assim, eu fico à vontade
E não cometo injustiça,
Pois lhes basta a imunidade
Que se diz “parlamentar”.
Pois pense bem, não são eles
Que dão um duro danado,
E que, vivendo tão mal,
Vão e voltam de avião
Para o Planalto Central?
Eis pois que a classe política
Eu considero exceção
E está fora do projeto
Dessa Constituição.

Artigo Terceiro: temo
Estar acordando o Demo...
Mas há também a caserna
Da qual não posso esquecer
Sem que algum coronel
Eu venha a fazer sofrer.
São eles, os militares,
Senhores da integridade,
Que nossa soberania
Defendem com unha e dentes.
Seja PM ou Marinha,
Exército ou seus quetais,
Lembrarei dos generais
E brigadeiros brilhantes,
Lembrarei dos almirantes,
E do grumete ao recruta,
Estarei sempre na escuta
Lembrando suas missões
Cujo heroísmo enfeitiça!
A estes a Carta Magna
Importa menos que aos outros
Pois têm a própria justiça.
E por isso, então decreto
Que os considero exceção
E estão fora do projeto
Dessa Constituição.

Artigo Quarto: Em breve
Empresas deste país
Se quiserem ir à greve,
Tal como seus empregados
Fá-lo-ão, e libertados
De suas CLTs
Porão no olho da rua
Todo aquele que atrapalha
E que o trabalho avacalha
Sem ter mais e nem porquês!
Esse pilar importante
Para qualquer sociedade,
Sustentáculo iracundo
De nosso padrão de vida,
Em minha Carta teria
Obrigação de pagar
- Como já faz todo mundo -
Impostos e correlatos.
Assim, pessoas jurídicas,
Graças às quais há empregos,
Teriam desassossegos
Transtornado suas vidas
Se fossem então incluídas
Em minha Carta Maior.
Eu, que não brinco em serviço,
Jamais prejudicarei
Esse setor importante
Que paga pra fazer lei!
Por isso, de coração
Os considero exceção
E estão fora do projeto
Dessa Constituição.

Artigo Quinto: me invade
Um senso de justiceiro
Por saber que o Financeiro
- sangue de uma nação -
está em franca sangria.
Seus lucros estão minguando
Seu prejuízo é enorme,
E ainda assim, educados
Por trás de algum guichê,
Vão vendendo seus serviços
A bobos como você!
Mas é justo que se diga
Que o sistema financeiro
Aqui e no mundo inteiro
Vive debaixo de briga.
É que os outros invejosos
Que criam gado, que plantam,
Fabricam embalam, montam,
Não entendem que é possível,
Que embora sendo incrível,
Ou coisa de milagreiro,
É possível ficar rico
Sem ofender o otário,
Mais que rico – bilionário!
Vendendo apenas dinheiro.
Então, nós os brasileiros,
Cultuamos esses deuses,
Que guardam a nossa grana
E que posam de bacana
Gastando-a no mundo inteiro.
Jamais atrapalharei
Com minhas leis de lascar,
A vida de algum banqueiro,
Cujo lucro financeiro
Passa sempre do bilhão!
E por isso, então decreto
Que os considero exceção
E estão fora do projeto
Dessa Constituição.

Artigo sexto: Não pense
Que eu iria esquecer
Os donos das emissoras
De rádio e de TV.
São eles que colaboram
Noite e dia, sem parar,
Omitindo o importante,
Divulgando o que entope
Os ouvidos de quem ouve.
Buscando apenas ibope,
Se a gente não se cuidar
As orelhas viram couve!
Para eles vale tudo
Na briga pela audiência
Mesmo que o preço seja
Abusar da paciência
De seu telespectador.
Com chuva, seca ou calor,
Não há mesmo quem resista
Ao charme do Grande Irmão,
Ou à Casa dos Artistas,
Ou mesmo ao Show do milhão!
Tem exorcismo eletrônico,
Tem água benta, da pia,
O fato é que em show de medo
Deus e o diabo não têm
Um minuto de folguedo.
Pois da Catedral da Fé,
O discurso é sempre o mesmo
Que o da Catedral da Sé:
Falar pra quem anda a esmo
E que na vida perdeu
O senso de direção.
É o perdido que adora
O discurso comovente,
Travestido de bendito.
Então, se agarra ao palito
Pensando ser uma tora.
Mas jamais eu haverei
De um dia interferir
Com esses donos da mídia,
Pois qual flor, qual uma orquídea,
Eles comovem de fato
Tocando no coração.
E por isso, então decreto
Que os considero exceção
E estão fora do projeto
Dessa Constituição.

Sétimo Artigo: retiro,
Parentes de generais,
Também aqueles que forem
Julgados “especiais”:
Traficante que dá tiro
Impune no transeunte,
E que ninguém me responde
Não sei e não me pergunte
Porque lhe dar liberdade.
Nem vou atrás dos motivos
Que tornam especiais
Bandidos empedernidos,
Luz vermelha e Escadinhas,
Ficando junto aos demais
Que de boa estirpe são
E, para não abalar
Os pilares sociais,
Vou dizendo de antemão
Que considero exceção
Esses tais “especiais”
E estão fora do projeto
Dessa Constituição.

Resta, enfim, a plebe rude!
E Deus do céu me ajude
Não permitindo que eu falhe!
Porque essa plebe lascada
Que tem morro por morada,
E que vive de aluguel,
Ou que paga em quatro anos
A prestação do seu carro,
O que rala o dia inteiro
Para ganhar o dinheiro
Que deixará no colégio,
Essa não tem privilégio,
E mesmo magro ou obeso,
Ela vai sentir o peso
De ter que seguir a lei!
Juro que não deixarei
Essa classe que trabalha
E que por isso atrapalha
Os citados lá em cima,
Jogar e bater de mão!
A esses, pouco me importa,
Se vão jogar pela porta
O despejo inadimplente,
Nem eles nem seus parentes
Por um dia escaparão
De sentir o peso desta
Minha Constituição!
Por isso aviso que devem
Salvo alguma exceção:


1 - Pagar os impostos,
Sob pena de prisão,
Mesmo os do município,
Que costumam esquecer,
Também os estaduais
Com taxas, emolumentos,
E, para evitar sofrimentos,
Tem ainda os federais,
Dos quais não há quem escape
Sem que haja algum sofrer,
Aquele que leva primeiro
Para depois devolver.
Tem a CPMF
Que não dá para evitar,
E por isso é bom pagar
Para evitar os problemas
E, talvez, também prisão.
É claro que destes artigos
Estão fora os meus amigos
E os grupos de exceção

2- quero aumentar a fé
em nosso povo sofrido,
Assim, farei virar lei
“Atos de Agradecimentos”.
Onde o povo humildemente
Terá que agradecer
E mais que isso, pagar,
Para o nosso Presidente
Poder, enfim, viajar!
Também quero que agradeçam
A escola e o hospital
Que o Estado dá de graça!
Graças a isso, afinal,
Não haverá quem capengue,
E jamais se dará mal
Quem contrair essa Dengue!
Também quero ouvir o canto
Desse agradecimento
Ao transporte, água e luz
E a todo o saneamento,
Desde, que, nunca atrase
O devido pagamento.

3 – também será proibida
Qualquer manifestação
De repúdio às notícias
Que, destilando malícias
Divulgam aos quatro ventos
Os salários dos ministros
Do Supremo Federal.
Se eles dizem: - “Não é
Possível ao cidadão
Sobreviver com padrão
ganhando só vinte mil”
Quero que o povo escute
E passe a acreditar
E se puder virar lei,
Eu juro que criarei
Feriado nacional
Para o “Dia da Vaquinha
Pró-Ministerial”
Será a ajuda do povo
A esse baixo salário,
“Ai” de qualquer salafrário
Que tencionar afundar
Essa mísera ajuda.
Porque, além de levar peia,
Esses anti-brasileiros
Também irão pra cadeia!

E, por parágrafo único,
Eu também vou revogar
Uma lei que é inata,
Por nascer já instalada
No coração dos humanos:
A “Lei da Indignação!”
Por ser uma lei ingrata,
E só trazer confusão,
Disseminar-se por anos,
Espalhar a ingratidão
E perturbar os tucanos,
Vou suprimir essa lei,
Que é pura malvadez,
E que ninguém a inventou.
Eu acho que desta vez,
Foi mesmo Deus que errou!!

Eu espero que esta carta
Acalme a todos, portanto,
Espero que nos traga sorrisos
E nos seque todo o pranto.

Assim, para evitar
Que se faça mais emendas
À nossa Carta Maior,
Que vai sendo recortada,
Aos sabor dos interesses,
Vou oficializar
Logo pra toda a nação,
Essa constituição.
Espero ao menos que ela
depois que a publicar,
- É essa a minha intenção -
Faça aquele falastrão
Parar de matraquear!

* * *

JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 17/06/2005
Reeditado em 16/01/2011
Código do texto: T25150
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Livros à venda

Sobre o autor
JB Xavier
São Paulo - São Paulo - Brasil
1049 textos (179072 leituras)
50 áudios (18291 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 01:16)
JB Xavier

Site do Escritor