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KIKHO, O MACACO CIDADÃO.



Manoel Lúcio de Medeiros


1
Alô minha garotada,
Vou contar uma história,
Aconteceu na África,
Na cidade de Petrória!
Lá na casa de Jobynho,
Um macaco apareceu,
Fraco, cansado, estava,
Mas logo adoeceu!
2
Jobynho com seus cuidados,
O levou pra o hospital,
E lá sendo consultado,
Na veia tomou o soro,
Parece uma piada,
Ou até um desaforo,
Jobynho disse ao doutor,
“Se não cuidar dele eu morro”.
3
Cinco dias internado,
Tomou até aspirina,
O macaco apresentava,
Um distúrbio na urina,
Parece tinha pegado,
Uma grande infecção,
Acabou sendo curado,
Na bendita injeção!
4
Recebeu a sua alta,
Levou até um atestado,
Eu falei para o doutor,
Que era o meu afilhado,
Foi recebido em casa,
Para a convalescença,
Cuidar do Kikho, macaco,
Só vai com muita ciência!


5
Todos que estavam em casa,
Ficaram alegres, contentes,
Quando o macaco num pulo,
Arregalou os seus dentes!
Fez uma grande zoada,
Trazendo animação,
Mas detrás de tudo aquilo,
Havia grande traição!
6
Jobynho riu de verdade,
Com aquela arrumação,
O macaco mais teimoso,
Entrou logo em ação,
Pulou em cima da mesa,
E o seu prato quebrou,
Jobynho disse menino,
Agora à coisa lascou!
7
Jobynho comprou uma corda,
Pra o macaco amarrar,
O macaco era teimoso
Começou logo a pular,
Jobynho jogou o laço,
No seu pescoço laçou,
Mas o macaco ligeiro,
A corda logo tirou!
8
Começou um desmantelo,
Ali naquele lugar,
Até panela na mesa,
Ele se, pois a virar,
Comida por todo o canto,
Por um macaco sem jeito,
Jamais eu vi na sua casa,
Destroço por um sujeito!
9
Jobynho trouxe uma jaula,
E quis botar o bichinho,
Mas ele fez a careta,
Não gostou daquele ninho,
Jobynho passou à tarde,
Só com preocupação,
E o Kikho tão teimoso,
Batia sempre com as mãos!
10
Jobynho coçou a cabeça,
Mas que macaco atrevido,
Deve ter vindo da selva,
Ou de algum circo, iludido!
- Vou comprar umas bananas,
Para ele se aquietar,
E o macaco tão teimoso,
Começou logo a gritar!
11
Entreguei umas bananas,
Mas que bagunça ele fez,
Jogou uma casca pra cima,
Com maior estupidez,
A casa ficou bem suja,
Com aquela sacanagem,
E o macaco sem-vergonha,
Rasgou toda a embalagem!
12
Mas que macaco safado,
Que não obedece à gente,
Assanhou o seu cabelo,
Quando eu passei o pente,
Comprei até uma escova,
Para escovar seus dentes,
Ele quebrou o seu cabo,
E sorriu pra mim de frente!
13
Quando chegou o almoço,
Veja só o que ele fez,
Jogou meu prato pra cima,
Sem nenhuma timidez,
Minha mãe até gritou,
Que tamanho desrespeito,
O macaco até sorriu,
Batendo palma no peito!
14
Na hora da sobremesa,
Veja o que ele aprontou,
Pegou o doce na mesa,
E disse que era cocô,
Mas que macaco danado,
Teimoso e maldizente,
Conversa o que não sabe,
E ainda manga da gente!
15
A tarde veio o repouso,
Mas ninguém não descansou,
O lençol da minha cama,
Ele lá no chão jogou,
O quarto que era arrumado,
Só desmantelo ficou,
O balde que tinha água,
No chão logo derramou!
16
Minha mãe falou bem alto,
Ele aqui não vai dá certo,
Hoje aqui neste lugar,
Os meus ponteiros acerto,
Eu não sou de confusão,
Mas estou virando brasa,
Ou o Kikho vai embora,
Ou eu vou sair de casa!
17
Eu comprei doze bananas,
Coloquei lá no armário,
E o Kikho tão teimoso,
Puxou a penca de novo,
E jogou todas no chão,
Mas que macaco atrevido,
Que nunca me dá ouvido,
E brinca com o seu pão!
18
Logo que chegou a noite,
Ele até jantou comigo,
Meu pedaço de pudim,
Ele passou no umbigo,
Bebeu o meu copo dágua,
Sem ter minha permissão,
E arrotou na minha cara,
Sem ter uma educação!
19
Eu fiquei até nervoso,
E lhe dei logo um carão,
O macaco achou graça,
E saiu pulando o chão,
Foi pra porta da cozinha,
E gritou lá no quintal,
Espantou minhas galinhas,
Fez o maior carnaval!
20
Arrumei a minha cama,
E ele se deitou comigo,
Puxou todo o meu lençol,
Deixando-me sem abrigo,
Mas que Kikho tão safado,
Que não quer ser meu amigo,
Pois tudo eu faço por ele,
Mas ele é como um inimigo!
21
Quando amanheceu o dia,
O levei pra nossa mesa,
Ele saiu do seu canto,
E foi pro canto da Neuzha,
Comeu sua tapioca,
E espalhou todo fubá,
Mas que macaco danado,
Que tudo quer estragar!
22
Perdi a noite e o sono,
Pense num grande sufoco,
Passar as horas gritando,
Amanhecer logo rouco,
Vou exilar o macaco,
E antes que eu vire caco,
Vou dá um fim neste porco!
23
Resolvi então mais tarde,
Dar-lhe um banho na bacia,
Para ver se ele acalmava,
Enquanto eu ia à tia,
O macaco se molhou,
Mas não quis se enxugar,
A toalha ele jogou
Bem nos peitos do Vilmar!
24
Mas que macaco teimoso,
Gritou logo a mamãe,
Só faz o que não se manda,
É traz muita confusão,
Que macaco tão moleque,
E não vai prestar assim,
Teimando com todo mundo,
Isto vai ser o seu fim!
25
Já estou de saco cheio,
Com as suas piruetas,
O bicho além de moleque,
Tem até perna zambeta,
Se não veio de encomenda,
Este é filho do capeta,
Não para um só estante,
É pior que carrapeta!
26
Resolvi dá um fim nele,
Pra acabar a confusão,
Eu sei que é muito difícil,
Mas tomei a decisão,
Vou levá-lo para longe,
Sair destes aperreios,
Sei que não tenho jumento,
Mas hoje arrumo os arreios!
27
Coloquei-o no meu carro,
E o levei para as montanhas,
Lá no meio de uma serra,
Parecia a de Aratanha,
Soltei então o teimoso,
Mas não quis nem me deixar,
Jogou-se, pois nos meus braços,
E começou a chorar!
28
Eu perguntei por que chora
Se não quer obedecer,
Macaco que é danado,
O dono não quer saber,
O melhor que a gente faz,
É deixar o Kikho no mato,
Procure um canto na selva,
E deixe de ser tão chato!
29
Se você obedecesse,
Você ficava em casa,
Mas como só dá trabalho,
As coisas tudo arrasa,
Tive tantos prejuízos,
Diante de tanta cena!
Já perdi o meu juízo,
Sei que não valeu a pena!
30
Ele olhou pra mim bem triste,
Uma lágrima desceu,
Enxuguei até seus olhos,
Que até pena me deu,
Nesta hora o coração,
Fala mais do que a gente,
Pra não perder meu macaco,
Vou pensar mais diferente!
31
Tive pena do bichinho,
E de volta o levei,
Não apronte outras coisas,
Sua atenção chamei!
Seja mesmo obediente,
Pra você poder ficar,
Se não lá na minha casa,
Tudo vai recomeçar!
32
Ele baixou a cabeça,
E com seus lábios mexeu,
Sussurrava bem baixinho,
Que tudo aquilo doeu!
Mas de agora em diante,
Seria um bom macaco,
Mas mal chegou lá em casa,
Foi logo enchendo meu saco!
33
Mamãe me disse meu filho,
Mas que macaco teimoso,
A gente briga com ele,
Mas é sempre buliçoso,
O safado é danado,
Parece que não tem jeito,
Revira tudo em casa,
Com o maior desrespeito!
34
Só tem um jeito pra ele,
Eu sei que vai funcionar,
Vou trazer uma macaca,
Para ele se aquietar,
Quem sabe ele se anime,
E pense até diferente,
Quem sabe ele depois,
Não fica amigo da gente!
35
Procurei por todo canto,
Uma macaca bonita,
Para ver se ele deixava
Esta danação maldita,
Num lugar que era tão longe,
Foi que eu pude encontrar,
Paguei um preço tão alto,
Esta gente é de lascar!
36
Foi só com dificuldade,
Que achei esta macaca,
Que comprei de um amigo,
Lá no meio de uma mata,
Levei-a naquela hora,
Pra ver o que ia dar,
O macaco mais teimoso,
Logo quis se apaixonar!
37
Naquela hora bendita,
Grande silêncio se fez,
O Kikho olhou pra ela,
Apaixonou-se de vez,
Amor à primeira vista,
Em todo canto acontece,
Vamos ver se as travessuras,
Este macaco esquece!
38
A partir deste momento,
Ele se aquietou,
Na mesa com sua noiva,
Muito bem se comportou,
Todos bateram as palmas,
E lhe deram os parabéns,
Macaco só é teimoso,
Se não tiver o seu bem!
39
Assim, pois, minhas crianças,
Termino minha história,
O macaco deu trabalho,
Mas tive a grande vitória,
Quem une a paciência,
Com um pouco do seu amor,
Pode sofrer nesta vida,
Mas sempre é vencedor!
40
Vamos trabalhar com força,
E fazer tendo coragem,
Vale a pena o sacrifício,
De ver vencer na viagem,
Um macaco transformado,
Parecendo um cidadão,
Morando na minha casa,
Como se fosse irmão!
41
E assim o macaquinho,
Viveu só com muito amor,
Toda aquela danação,
Ele logo acabou,
A paz voltou para casa,
E ninguém mais reclamou,
Os macacos se casaram,
E a festa começou!
42
Foi muita felicidade,
Toda casa se alegrou,
Encheram muitos balões,
Um colorido ficou,
Trouxeram muitas bananas,
Pra cima jogaram flor,
Só o amor tudo transforma,
Resolvendo toda a dor!
43
E assim os macaquinhos,
Viveram com alegria,
Lá dentro da nossa casa,
Acabou-se a agonia,
Toda briga que existia,
Transformou-se em amor,
Minha mãe, Neuza e Vilmar,
A ninguém mais reclamou!
44
Kikho foi muito feliz,
Com sua esposa Xikhita,
A briga virou um sonho,
Tivemos muita visita,
A felicidade existe,
Quando a gente não se irrita,
Só amor nos faz voar,
Alto como a periquita!
45
Assim, pois, aqui termino,
Fazendo o meu desfecho,
O Jobynho foi herói,
Mas quase quebrou o queixo,
Mas eu quero agradecer,
Crianças pela atenção,
É melhor criar macaco,
Que perder o coração!



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Malume
Enviado por Malume em 29/09/2006
Código do texto: T252314
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