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"ZÉ MALAQUIAS"


No recôncavo baiano
onde há anos não chovia,
morava um moço solteiro
seu nome Zé Malaquias,
travava luta com a terra
que nada lhe produzia.

Já muito aborrecido
de trabalhar sem ter nada,
trabalhava sol a sol
com as suas mãos calejadas,
dormia as noites sonhando
com o cabo da sua enxada.

Andava de pés descalços
com sua roupa rasgada,
só reclamando da vida
e daquela seca danada,
pedia pra Deus tirá-lo
daquela sina malvada.

Suas terras eram abundantes
porém não tinham valor,
por ser terras muito secas
nunca colheu o que plantou,
só lhe restava apelar
para Deus nosso senhor.

Um dia Zé Malaquias
acordou de manhanzinha,
olhou para o céu azul
sentiu que algo lhe vinha,
viu umas nuvens voando
como fumaça branquinha.

Ficou entusiasmado
com aquilo que ele via,
quanto mais ele olhava
outra nuvem aparecia,
que foram escurecendo
de repente já chovia.

Desabou uma tempestade
quase levou seu casebre,
gritou correndo na chuva
que a noite ardeu em febre,
quem acredita em Deus
tudo que pede consegue.

No outro dia bem cedo
levantou muito disposto,
plantou o que deu vontade
de tudo plantou um pouco,
trabalhou noite e dia
até parecia um louco.

A chuva caia forte
dia e noite sem parar,
Zé agradecia a Deus
e não parava de plantar,
havendo chuva na terra
tudo que se planta dá.

O sol reapareceu
mas não era um sol forte,
Zé agradecia a Deus
por ter lhe mandado sorte,
tinha trabalho a vontade
mas Zé tinha os braços fortes.

No fundo da sua casa
transformou-se uma lagoa,
água descia da serra
água cristalina e boa,
Zé parecia um menino
andava sorrindo a toa.

No dia de São José
avizinhando a São João,
Zé tinha Milho de sobra
verdura, arroz e feijão,
se esqueceu até da seca
que queimava a plantação.

No mês de Junho era festa
por toda a redondeza,
Zé tinha comida de sobra
pra botar na sua mesa,
o que faltava pro Zé
era achar uma princesa.

Zé construiu uma casa
muito bem feita e decente,
com um jardim bem cuidado
com um alpendre na frente,
ia fazer uma festa
e convidar muita gente.

Na festa foi muitas moças
da roça e da cidade,
Zé falou consigo mesmo
sem modéstia e com vaidade,
- Desta vez tenho certeza
que arrumo uma cara metade.

O Zé já não era o mesmo
comprou roupas e botou dentes,
já não andava banguela
faltando os dentes da frenta,
ficou um moço vistoso
surpreendeu muita gente.

Agora as moças da festa
só davam bola pro Zé,
além de ficar bonito
não era um rapaz qualquer,
agora tinha prestigio
deixou de ser "Zé Mané".

A moça que mais gostou
era a filha de um banqueiro,
herdeira de uma fortuna
em fazendas e dinheiro,
Zé foi pedindo em namoro
a filha do fazendeiro.

A moça era simpática
não ligava para status,
Zé não pensou em herança
pois era um moço pacato,
só conhecia os costumes
daquela gente do mato.

Namorou a noite inteira
com a filha desse Doutor,
só apenas nessa noite
o Zé se apaixonou,
já falava em casamento
quando a moça lhe falou.

- Zé meu querido, me escuta,
adorei estes momentos,
mas uma coisa é namoro
e a outra é casamento,
não convencerá meu pai
nem tendo mil argumentos.

Zé ficou aniquilado
com as palavras da moça,
não sabia que as palavras
pudessem ter tanta força,
mas eu convenço esse velho
e que Jesus Cristo me ouça.

Continuou namorando
escondido do pai dela,
mas uma amiga da moça
era muito tagarela,
contou para o pai da moça
sobre esse namoro dela.

No outro dia bem cedo
Zé malaquias acordou,
colocou água no fogo
foi lavar o coador,
quando ia coar café
alguém lá fora o chamou.

Zé deixou tudo de lado
foi ver a porta ligeiro,
levou um susto danado
quando viu o fazendeiro,
pai da moça que amava
o cumprimentou primeiro.

- Bom dia Doutor! Que honra!
É bom recebê-lo aqui,
desculpe estar sem camisa 
nem deu tempo de vestir,
pode entrar fique a vontade
e obrigado por vir.

-Não precisa cerimônia
é breve o que vou dizer,
diz respeito a minha filha
e diz respeito a você,
dependendo da conversa
eu digo o que vim vazer.

- Namorar com a sua filha
foi Deus quem me deu a sorte,
desculpe-me ter escondido
mas não sou um caça dotes,
apaixonei-me por ela
e o meu amor é mais forte.

- Está bem jovem rapaz
vi que você tem talento,
se está apaixonedo
eu aceito o argumento,
não vou lhe causar problemas
eu consinto o casamento.

Fez um convite pro Zé
cordialmente educado,
pra no próximo Domingo
oficializarem o noivado,
não demorou muitos dias
os dois estavam casados.

       =FIM=









Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 28/10/2006
Reeditado em 29/10/2006
Código do texto: T276148
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Hugo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
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