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FIZ VERSOS DE TRIPAS E CORAÇÃO**

Fiz meu verso com tripas e coração, tropeçando nos verbos e advérbios, comendo bola na pontuação, mas segui em frente contra a crítica, os desafetos e os donos da situação.

Fui rimando, assim, tudo em ão.
Sem saber se teria leitor, crítica,
palavra de consolo ou só desolação.
Fiz minha vida comprando a vista,
pagando caro, tomando leite com água,
arrancando do diabo o amassado pão,
mas segui em frente, na adversidade,
abri picada contra a acomodação

Fiz do meu enredo minha prosa
e da minha vida poesia possível.
Lavrei terra, plantei suor e colhi sons
e palavra que por hora me enrosco,
tentando fazer versos certos,
poesia terra, chão. Poesia asfalto.

Colhi restos de palavras e rejeitos
de Whitman, Lorca e Drummond.
Da mesa farta recolhi migalhas,
palavras esquálidas, rejeitadas...
Nos becos e bocadas recolhi olhares
e bocas fartas de fome e desesperança.
 
Com o tempero da revolta e indignação
refiz tudo em versos toscos,
emendando rimas.
Fiz no chão a literatura possível -
poesia iletrada, capenga, pé quebrado -
poesia crua, nua, refratária em si.
Destinada a ser nada na vida.



cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33472

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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