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A revolta da Vi˙va...

Cheguei cedo no velório,
para ouvir o palavrório,
sobre um cabra assassinado.
Cada um contava história,
levantando tanta glória,
que fiquei, desconfiado...

Era morto conhecido,
tinha um rosto parecido,
que lembrava algum parente.
Quis tocar no falecido,
pra saber se era o marido,
de uma tia impertinente...

Fui chegando mais de perto,
tinha o morto, o olho aberto,
que cheguei a me assustar.
Não sabia se ficava,
Não sabia se olhava,
ou fugia do lugar...

O velório estava cheio,
do Deputado ao Coveiro,
foram lá prestigiar...
Gente velha, gente nova,
correndo perto da cova,
onde o morto ia ficar...

O cemitério lotado,
criança pra todo lado,
quando a viúva chegou.
Vestindo luto fechado,
com o rosto todo tomado,
de rugas, talvez da dor.

Foi isso que logo pensei,
confesso, porém, que errei,
e aquela tristeza era engano.
Pois quando olhou o presunto,
marido, agora, defunto,
calou depressa com o pranto...

Gritava com toda histeria:
É isso que tu merecia!
Quem mandou traçar tua tia?
Fui corna, mas tu morreu!
Teu bilau que não é mais meu,
no inferno, não tem serventia...


Day Moraes
Enviado por Day Moraes em 11/10/2005
Cˇdigo do texto: T58862
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Sobre a autora
Day Moraes
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
137 textos (4782 leituras)
(estatÝsticas atualizadas diariamente - ˙ltima atualizašŃo em 03/12/16 13:44)
Day Moraes