Retorno espiritual
 
Já pensei algumas vezes
Voltar com o velho cordel
Esquecer que existe um véu
Vicioso dos sonetos
Tanto que logo me esqueço
Do verso o certo endereço
E começa um escarcéu
 
Mas que bom a liberdade
De escrever mais à vontade
Encurtar mais a distância
Entre a ideia, a peça chave
E a última instância
E expressar ainda criança
A inspiração que me invade
 
No caso é vida pós-morte
Revisto hoje na internet
E que me atemoriza
Como a quem nisso se mete
Sem a informação precisa
Pois quem detém essa sorte
É porque se especializa
 
Eu confesso que mantenho
Ao máximo a mente aberta
Jamais do tema desdenho
Pois é a certeza mais certa
Que por melhor desempenho
Em indústria, verso ou desenho
O ciclo ali se completa
 
Há as versões do depois
Das dimensões invisíveis
Desafio à compreensão
Do que se aprendeu plausível
Longe do feijão com arroz
Quem souber mais me perdoe
Isso dá um medo incrível
 
Pois é: condicionamento!
Eu sei, como noutros temas
O desconhecido assusta
(Pode ser que haja problema)
Pois aqui o sofrimento
Na vida desse momento
Faz que se adote esse lema
 
Penso às vezes que a existência
Palpável pelos sentidos
Dá à pessoa a ciência
Num limite concebido
Pela própria onipotência
Do Criador Referido
E o mais sendo experiência...
 
Testes, estudos, mergulhos
Fatos bem testemunhados
De quem quer que participe
Antigos e iniciados
Que ultrapassaram os muros
Viram e voltaram seguros
O que há do outro lado
 
E haja abordagem tosca
(Cá na minha reles mente)
Que não me acertam na mosca
Por razão talvez de gente
Cuja inocência marota
Ou necessidade louca
Tentam serem convincentes
 
Na verdade é compreensível
Crer nas coisas irmãmente
Dá mais força ao individuo
Prosseguir mais firmemente
Saber que conta com amigos
Seja a dimensão que siga
No futuro ou no presente
 
Bem, enfim há mil relatos
Exemplos, prática e crença
Literatura que é passo
Quase certo pra anuência
Mas deve ser penitência
Ou, com o perdão, o cagaço
Vir saber com antecedência