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Décimas avulsas



Conheci minha flor na primavera
e me apaixonei por seu encanto
todavia a mulher que amo tanto
hoje está diferente do que era
Margarida que estava na espera
para um dia abrir como jasmim
E por ela mudar tanto assim
já não posso sentir felicidade
pois eu sofro as dores da saudade
mesmo ela estando junto a mim

Esses versos que estou escrevendo
num estilo medido e rimado
são vagões de sentido figurado
de um trem de poesia se movendo
E as rimas que você está lendo
são paradas em uma estação
O bilhete da interpretação
você paga pra ser um passageiro
da viagem que faz nesse roteiro
pelos trilhos da imaginação

Nesse mundo eu já tinha observado
que a maldade costuma triunfar
e aquele que passa a praticar
a bondade é sempre castigado
E buscar na maldade resultado
essa foi a mancada que eu dei
Quando soube o mundo que errei
num instante o castigo me enviou
Só pra mim é que ele funcionou
Quis dar uma de esperto e me ferrei

Se a mulher que me ama possuir
uma herança enorme pra gastar
e meu preço vier me perguntar
seu dinheiro não vai me seduzir
Eu só tenho apenas que sentir
que seu beijo e abraço tem calor
não me dando motivos pra supor
que o interesse é apenas passageiro
Eu não tenho amor pelo dinheiro
e dinheiro não compra meu amor

Poesia em sentido figurado
é um fruto da imaginação
Seu sabor é a interpretação
Sua polpa é o verso inspirado
O pomar onde ele é cultivado
é o grande pomar da estesia
Nesse fruto o leitor se delicia
com a casca, o gomo e a semente
O bagaço é cuspido e somente
a essência do fruto nos sacia

Definir a beleza da mulher
é querer limitar o infinito
e nem mesmo o verso mais bonito
poderia cumprir esse mister
Hoje sei que o poeta o que mais quer
é criar para ela um doce hino
e que ser nossa musa é seu destino
cada dia, semana, mês e ano
e é por isso que afirmo sem engano
que sou fã do semblante feminino

Foi no tempo que eu tinha uma rede
que eu buscava um livro para ler
uma água de côco pra beber
e um gancho fixado na parede
Com a água eu matava minha sede
com o livro aprendia uma lição
com o pé eu só dava um empurrão
para ver se a rede balançava
e com esse balanço que ela dava
eu dormia com meu livro na mão

Carlos Alê
Enviado por Carlos Alê em 11/11/2005
Reeditado em 02/06/2013
Código do texto: T69924
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Carlos Alê
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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