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SONHO - PARTE I


                                   SONHO - PARTE I

Manhã cedo, talvez 6 horas, tocava o meu telemóvel. Ainda dormia, mergulhado em sono e sonho, mais sonho que sono. O contacto era o teu. Esfreguei os olhos para ver se não estava enganado. Não estava. Fiquei feliz e triste. Feliz pelo teu contacto, triste por me teres cortado o sonho, o sonho que estava  a ter contigo. Reconsiderei nesse pensamento e ouvir-te passou a ser prioridade. Saudaste-me sem palavras. Apenas beijos. Muitos beijos. Após saudação "partiste" a contar-me o propósito da chamada.  Falaste-me do sonho que querias materializar e convidaste-me para uma caminhada, que prontamente e sem qualquer objecção aceitei. A caminhada não teria destino nem hora de chegada. O improviso faria o destino, o sol e a lua marcariam a hora. Fiquei radiante.  Saltei da cama, cuidei da higiene pessoal, vesti-me à pressa com roupas simples, leves e informais, calcei ténis. Às costas pus uma mochila carregada de sonhos. Nada de cartões de banco, nada de telemóvel, nem relógio. No fundo da mochila levei dois livros de poesia. Na mão, duas canas de pesca. Quando cheguei a tua casa , já me aguardavas ansiosa. Também tu já estavas de mochila às costas e vestida com informalidade. Estavas linda... Na tua mochila transportavas sonhos no mínimo, do tamanho dos meus.  Saímos de mão-dada. Conversamos, rimos, acertamos o destino. O interior esperava-nos. Já lá, buscamos as margens de um rio do qual nada sabemos, nem o nome. Percorremo-lo até à nascente. Dele sabemos que é um rio de águas tranquilas, calmas. serenas e cristalinas onde os peixes ainda são como antigamente, felizes para sempre. Perante isto, tu disseste: António, não sabemos o nome deste rio, também não importa, mas sugiro que o baptizemos  de Rio Manso, em homenagem às suas tranquilas águas. Lindo e pertinente nome. Assim ficaria para sempre o nome daquele rio e do qual mais ninguém a não sermos nós, o saberá. Aqui ou ali o curso do mesmo formava lagoas , não profundas, onde tu e eu nos banhávamos e nos observávamos, pelo efeito espelho que a sombra de árvores produzia. Até termos chegado a este local foram precisas duas horas de caminhada. Aqui ou ali recolhíamos amoras, framboesas e morangos silvestres e medronhos para retemperar energias. Bebíamos água proveniente de nascentes que em abundância se soltavam por friestas de penedos. No local onde resolvemos permanecer por longo tempo, descansamos, conversamos muito, rimos, fizemos brincadeiras que faziam lembrar a nossa meninice. Jogamos à cabra-cega, às escondidas...Só o céu testemunhava a nossa felicidade. Preparamos os artefactos de pesca e desafiados pelos peixes que diante de nós também brincariam à cabra-cega ou às escondidas, ousamos entrar na brincadeira.. Recolhemos minhocas para isco e quisemos desfrutar do prazer da "conquista". Da "conquista", disse eu. Palavra mágica de que nós muito bem sabemos o significado....
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 29/10/2007
Código do texto: T715174

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Sobre o autor
Povo Lusitano
Portugal, 62 anos
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