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SONHO - PARTE II


                                   SONHO - PARTE II

Entrámos no rio com água até à altura do joelho e iniciamos as lides da pesca. Nunca antes havias experimentado esta saudável actividade. Percebeu-se que a emoção te invadia. Um cardume de peixes aproximou-se de nós e um deles, talvez um jovem veio beijar-te o pé. Ficaste calma a observá-lo. Possivelmente o peixinho também te achou linda. Dado o beijo, afastou-se e regressou ao cardume, que abaixo e acima percorria com alegria o leito do rio. Ficamos por algum tempo a olhá-los sem sentirmos inveja da felicidade deles, porque nós, também estávamos felizes. Quisemos ousar desafiar a sua felicidade e num lançamento, sentiste que o teu anzol estaria preso. Puxaste a linha e um peixe veio preso ao anzol, lutando para se desprender. Vi em ti uma sensação mista de alegria e tristeza. De alegria pela emoção desta tua primeira captura e de tristeza pela mesma. Próximo de nós, nos penedos junto à margem havia pequenas crateras escavadas pela erosão e cheias de água, ainda da anterior cheia. Fomos lá colocar o peixinho para o podermos observar bem de perto, donde regressaria à sua casa (rio) antes de virmos embora. A seguir fizemos um intervalo na pesca e resolvemos banharmo-nos na mesma água daqueles simpáticos companheiros. O sol já aquecia em força, seriam talvez 11 horas da manhã. Quisemos emitar os nossos mais recentes amigos e nus como eles, fizemo-nos à água e nadamos até junto do cardume, que curiosos pela nossa presença, nunca antes vista, abriram os olhos expressivamente e num sinal de espanto passaram entre eles mensagem de que queriam ser nossos amigos. Percebemos e também ficamos amigos deles. Como prova da nossa amizade não mais voltamos a pescar.
A profundidade máxima da lagoa permitia que de pé nos molhássemos até ao peito. A leve ondulação da água beijava-te os seios com doçura, enquanto eu enchia as mãos em concha e despejava-ta pelas costas abaixo. Depois, deste meia volta e ficaste de frente para mim. Olhaste-me e abraçaste-me com intensidade. No fim um prolongado e sonoro beijo passou da tua boca para a minha. Um belo momento que os nossos corações gravarão a ouro. Depois saímos da água para nos secarmos.  A toalha que nos secaria foi trocada pela força dos raios solares. Já secos, vestimo-nos e fomos procurar alimentos que constariam de frutos silvestres à semelhança dos que havíamos comido durante a caminhada.
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 29/10/2007
Código do texto: T715178

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Sobre o autor
Povo Lusitano
Portugal, 61 anos
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Povo Lusitano