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CORDEL URBANO

CORDEL URBANO

Meus amigos de leitura
Vejam como a vida é dura
Nessa cidade medonha
A gente vê cada figura
Agüenta as amarguras
De uma vida tristonha

Acorda de madrugada
Com uma dor danada
Do colchão que tá no osso
Se lava com água gelada
Pega a marmita amassada
Companheira do almoço

Sai de casa meio tonto
Pois tem que chegar no ponto
Pra pegar ônibus lotado
No bolso num leva um conto
O pobre nunca ta pronto
Se sente um desgraçado

Chega morto no serviço
Magro feito um caniço
E tem que aturar o encarregado
Que não ta nem aí pra isso
Quer honrar o compromisso
Senão ta dispensado

Na hora de comer
Vai a marmita aquecer
Procura um canto escondido
Porque ninguém pode ver
O menu é de doer
Tem miojo e ovo cozido

A tarde passa lenta
Ele quase não agüenta
Ta louco pra ir embora
A dor no corpo aumenta
Queima feito pimenta.
Como se arrasta a hora!

O sinal vem finalmente
Lá vai nosso valente
Bater o seu cartão
Ele tenta passar na frente
Mas, com sua perna dormente
Ë o último a sair pelo portão

Antes de ir para o lar
Da uma passada no bar
Toma uma caracu com ovo
Quer a patroa encontrar
Porque quando o dia raiar
Começa tudo de novo.




Edil Franci
Enviado por Edil Franci em 29/10/2007
Código do texto: T715409

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Sobre o autor
Edil Franci
São Paulo - São Paulo - Brasil
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