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SONHO - PARTE VI


                                  SONHO - PARTE VI

Sol radioso espreitava por trás do monte que ao fundo do horizonte e a considerável distância, fortificava uma extensa planície. O astro rei convidava a uma caminhada equestre.  A sugestão foi comummente aceite. Na sequência visitamos o picadeiro da coudelaria de Luís Miguel da Veiga, onde são adestrados os cavalos. Nos teus olhos vi brilho ao observares as manobras de treino que os cavalos recebiam e que são de facto belos exercícios rítmicos. De entre as dezenas de exemplares  observados, dois prenderam-nos especial atenção quer pela beleza da pelagem quer pela elegância do trote. Uma égua de pelagem escura e listrada de branco e um cavalo todo branco, com patas escuras que mais pareciam meias, ambos de porte altivo, caudas exuberantes e fartas crinas pendentes, centraram as atenções. A égua chamava-se Pirata e o cavalo chamava-se Alex. Abeiramo-nos do picador e quisemos saber pormenores acerca dos animais que pretendíamos alugar para um passeio. O picador de nome Ambrósio, revelou-se simpático e prestativo e falou-nos deles com ar feliz de quem tem naqueles animais os seus mais directos e fiéis amigos. Quis saber da nossa experiência de "cavaleiros", ao que lhes dissemos não ser nenhuma. Tranquilizou-nos e disse-nos que a Pirata e o Alex são dóceis e que seguramente não cometeriam "diabruras".  A primeira batalha já estava ganha, a batalha do medo, do receio. Em todo o caso, deveríamos ter um ligeiro treino de adaptação para que os animais ficassem a conhecer a nossa voz e cheiro, dizia o Sr. Ambrósio. Ficamos surpreendidos com estas dicas porque não pensávamos que os cavalos fossem tão inteligentes. O Sr. Ambrósio colocou os arreios em cada um dos animais enquanto nos fomos vestir a preceito. Botas altas equipadas de esporas, calças e jaqueta cavaleiras e bonito boné de pala comprida. Já vestida quiseste-te ver ao espelho e dirigiste-te ao WC.  Miraste-te, remiraste-te  e saíste "equipada" com largo sorriso que espelhava sonho e fantasia nunca antes experimentado.  Olhaste-me e riste muito pela elegância da indumentária. Estava prestes a acontecer o nosso baptismo de cavaleiros.  Acariciamos os nossos "próximos amigos", tratavamo-los pelo nome e eles agradecidos pela nossa deferência cumprimentávam-nos com a cabeça, executando repetidas vénias. O Sr. Ambrósio deu-nos uma abreviada  "lição" teórica das diversas funções dos arreios, desde as rédeas ao freio, estes na qualidade de preponderantes na condução do cavalo. Falou-nos também das esporas e do cuidado a ter no seu uso. Dizía-nos que as esporas são para o cavalo como o acelerador para o automóvel, aliás acrescentava que as rédeas são o guiador e o freio o travão.  A "lição" prática viria logo a seguir e um ligeiro nervosismo apoderou-se de nós que o sr. Ambrósio dissiparia pela garantida bondade dos animais que iríamos montar. O Sr. Ambrósio ajudou-te a subir para a montada e complementou com algumas breves palavras tranquilizadoras, a que eu também prestei atenção. Seguraste as rédeas, deste um ligeiro toque com as esporas na barriga da Pirata e a marcha iniciou-se ora virando à direita ora à esquerda consoante a manobra das rédeas.   Testaste o freio e o animal obedeceu prontamente. Digamos que a máquina estava afinada. Estes primeiros passos foram acompanhados de perto pelo sr. Ambrósio que à ilharga nos fazia "guarda de honra" , montado no seu cavalo preferido, de nome Lusitano, que era o cavalo que habitualmente usava para todas as deslocações ou em apoio a demonstrações como esta, e a que não nos poupava de alguns elogios. Ao fim de 20 a 30 minutos de treino  e depois de algumas voltas dadas ao picadeiro merecemos a aprovação geral pelo desempenho e a certeza podermos avançar para o nosso propósito. Alugamos os cavalos para um dia inteiro e lá saímos esperançados que este dia ficaria bem gravado para todo o sempre.  Pormenor curioso e que nos sensibilizou foi o beijo dado pela Pirata e pelo Alex no momento da partida. Não quisemos ficar atrás e também nos beijamos. O Sr. Ambrósio quedou-se a despedir-se de nós desejando-nos um agradável dia de namoro. Já à distância, olhámos para trás e o Sr. Ambrósio mantinha-se impávido até desaparecermos da vista e também feliz porque sabia de saber feito experiência que os namorados que encetavam  este tipo de caminhada equestre, vinham reforçados no amor.
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 31/10/2007
Código do texto: T717173

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Sobre o autor
Povo Lusitano
Portugal, 61 anos
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