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Correria de fim de ano



Nesta época do ano, todos nós nos vemos envolvidos numa movimentação exagerada.
Confraternizações, compromissos familiares, formaturas, bailes e tantos outros compromissos que muitas vezes nos desorientamos, nos perdendo em meio a toda esta agitação. E isso tudo sem falar nas compras...
Ah! As compras natalinas são realmente algo que até hoje ninguém consegue definir com precisão. Quase compulsivamente todos, dentro de suas possibilidades, não resistem e se dedicam ao ato de passear pelas lojas e levar um pouquinho de sonho para seus lares.
Indiscutivelmente esta época é das mais belas do ano. Todos parecem predispostos a amar, perdoar, relevar os desencontros, esquecer os desafetos, como se no coração apenas coubesse o amor.
Sem dúvida um tempo encantador!
Foi neste clima de verdadeira paz interior que uma conhecida minha, moça centrada, responsável, um tanto distraída é verdade, mas sem dúvida alguma alegre, dirigiu-se a São Paulo, junto ao esposo, com o objetivo de realizar as tão decantadas compras.
Andaram, pesquisaram, consumiram, enfim, aproveitaram o dia numa energia esfuziante, que apenas declinou no fim da tarde pelo cansaço.
Em dada hora, enquanto subiam a escada rolante, rodeada de espelhos, minha amiga, numa reação típica de entusiasmo grita ao marido que a irmã mais velha vinha vindo na direção deles. Cansado, porém sempre atencioso, o esposo procura, olha e vasculha toda a área em volta deles, sem que encontrasse a cunhada.
Não poupando esforços para agradar sua companheira, mesmo sendo contra seus princípios, viu-se elevando a voz para chamar a cunhada, preocupado que estava com o desencontro, uma vez que o shopping encontrava-se lotado. A esposa por sua vez, agitada ia abrindo espaço pela escada, quase correndo, também com receio de não alcançá-la.
O ambiente era festivo e podia-se ouvir músicas da época, sininhos de Papai Noel, o burburinho do aglomerado de pessoas que no local encontravam-se presentes; e tudo isso impedindo que fizessem contato com a irmã.
Conseguindo juntar-se a esposa, consolou-a pela impossibilidade de terem tido a oportunidade de estarem juntas, esclarecendo que não havia conseguido também chamá-la e que a perdera em meio à multidão.
Como perdera?  Indaga espantada sua esposa.
Mas ela ainda está lá! Replica sem entender bem o que o marido falava e aponta na direção do lado direito.
Foi depois de alguns momentos de agitação na escada, que o esposo começou a compreender o que, de fato, havia acontecido.
Quase mortificado por ter chamado a atenção de todos os que passavam por eles, percebe que sua querida esposinha havia apenas olhado no espelho, e confundido seu próprio reflexo com a presença da irmã. Mesmo sendo ambas parecidas nada poderia justificar tal atitude.
Quando se aproximou dela para avisá-la do equivoco, apenas tocou em seu ombro e quando foi contar sua descoberta, percebe que ela também havia compreendido.
Muito sem graça a esposa olha para o espelho, olha para o marido, torna a olhar no espelho e, com a maior tranqüilidade comenta:
Realmente meu bem, como pude confundir?  Afinal, minha irmã jamais se agitaria como eu...E além de tudo, nunca a vi usando este tipo de roupa!
O esposo, silente, recusa-se a fazer qualquer comentário!




Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 03/12/2005
Código do texto: T80578
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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1 e-livros (148 leituras)
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Priscila de Loureiro Coelho