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NATAL QUE NÃO ACONTECEU

NATAL QUE NÃO ACONTECEU


Mil e novecentos e cinqüenta e nove, na cidade do Rio de Janeiro ainda Capital da República, passeavam dois amigos Roberto velho político e seu amigo jornalista José. Roberto um político sério de causar inveja aos políticos da atualidade, já tinha sido governador do seu estado e prefeito da capital. Era um funcionário do alto escalão do governo da república, mas daqueles funcionários sérios, era pobre, pois naquela época quem se envolvesse em política morria pobre, dizia ele a seu amigo – tenho um problema que é de família todos que já partiram morreram de problemas do coração – seu amigo lhe disse - Roberto você deve ir com uma comitiva do governo nessas viagens ao exterior e tratar esse mal, dias atrás li num jornal que na Alemanha fazem um cirurgia que limpam as veias bem que podias fazer isso, – ele responde sou pobre não tenho dinheiro e nem quero usar desse expediente que você falou. Era tempo de Natal os dois amigos passando na frente de uma loja de brinquedos, Roberto parou olhou uma linda boneca de olhos azuis era um lançamento da Estrela a boneca falava “mamãe” ele entrou pediu a boneca para ver e depois pediu o preço e disse a seu amigo, - é muito cara eu não tenho esse dinheiro, bem que a Beatriz iria gostar dessa boneca. Roberto administrava um órgão do governo, mas não admitia negociata no exercício do seu dever isso causa inveja em nossos dias de vermos políticos desse quilate em nosso meio. José pensava – como temos homens sérios nesse país, que não se valem da coisa pública em seu beneficiar a si próprio. Continuaram o passeio José teve uma idéia - de comprar a boneca e entregar ao amigo para ele presentear a sua Beatriz, será que ele vai aceitar ou vou perder o amigo com essa minha atitude. – seu amigo perguntou Roberto você vai se mudar para Brasília depois da inauguração da nova Capital? – ainda não sei bem certo se no próximo ano estarei administrando esse órgão do governo, que sabe é só Deus. Quinze dias após esse passeio Roberto cai na rua fulminada, por um ataque cardíaco, José soube do infausto acontecimento pelo Programa da Voz do Brasil, órgão do governo no horário das dezenove e trinta horas.
Começou a relembrar o que tinha acontecido durante aquele passeio ficou mais frustrado que a Beatriz não teria naquele Natal a companhia do seu querido papai, a noite vai ao velório no Palácio do Catete sede do governo na cidade do Rio de Janeiro, e fica questionando-se, - porque um homem bom tem um final de vida tão trágico e lembrava o passeio com ele... Lá estava a pequena Beatriz com sua mãe aos prantos em torno do caixão recebendo as condolências de todos os amigos. José não suportava ver aquela cena, logo em seguida voltou para sua casa para descansar e no dia seguinte ir ao enterro do seu grande amigo.

São José/SC, 07 de dezembro de 2.005.
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www.mario.poetasadvogados.com.br
Asor
Enviado por Asor em 10/12/2005
Código do texto: T83493
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Sobre o autor
Asor
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