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Miss...escolheram...

 
Vivíamos aos risos, adolescentes inocentes, que éramos. O clube na mesma rua da minha casa, chic, bem freqüentado, era bom de se assistir o futebol de salão dos meninos, e domingos matinês dançantes, a noite mamãe marcava em cima, se uma mãe não fosse, podia esquecer qualquer convite.
Um dia fomos abordadas e convidadas para um concurso, só para quem freqüentava o clube, uma seleção de meninas; para cada uma representar um estado, eita que euforia, lá ia eu pela primeira vez pisar uma passarela. A primeira reunião era pra sortear o estado que cada uma representaria, sorteei o estado da Paraíba, torci um pouco o nariz, queria um estado mais do sul, mas não demonstrei, me contentaria, só estar ali , era uma festa, até que alguém veio até e mim e perguntou se eu trocaria por São Paulo, afinal São Paulo era um estado mais importante e iria ficar muito bem representado por mim. Santa inocência!
Dezesseis anos e uma ingenuidade que faria vergonha às meninas de hoje, lá fui feliz da vida trocar minha faixa bordada, linda. Vieram as entrevistas, algumas representantes, eu entre elas foram convidadas para ir a rádio falar alguma coisinha, nada muito interessante só fazer propaganda do clube  e mostrar a moçada que o freqüentava.
Depois o jornal de maior circulação fotografou o mesmo grupinho, e olha eu lá de novo, nesse dia quase repeti de ano, por conta do tal concurso fiquei de exame de matemática e quase perco o dia, ah não fosse um bruta sorte e acho que um pouco da simpatia do meu professor de matemática e eu me ferrava.
Corre corre pra fazer um vestido bonito mas não caro, mamãe não tinha grana sobrando mas era costureira. Eu trabalhava então banquei o tecido, o sapato e luvas comprei na loja de um vizinho meu que tinha comércio também no bairro. Ainda era assim nos bairros antigamente, a gente era fiel às lojas, e os donos sempre moravam por perto, quantas vezes comprávamos até depois do horário.
Tudo corria bem, fizemos muitos ensaios, tivemos aula com um estilista e artista plástico famoso na cidade e mais uma professora de etiqueta, até que chegou o grande dia. Eu me sentia realmente uma miss, e miss São Paulo, era a glória!
Clube lotado, a sociedade ali muito bem representada, todos em trajes sociais, a passarela bem ornamentada, muitas flores, e nós, o centro das atenções.
 Desfilamos uma a uma, posamos juntas pra fotos, álbuns, jornais, ganhamos flores e na hora da escolha da miss, quem ganhou?
Miss Paraíba....nunca falei nada a niguém sobre a troca proposta a mim, como tantas outras coisas na vida, que para não criar confusão, me calei. Perdi no entanto a confiança em concursos, coisas que mui raramente participo, fujo sempre que posso.
Ainda hoje eu me assusto com o tanto de coisas que calei para não ver titica sendo jogada no ventilador...
Ingenuidade ou burrice, não sei, não me arrependo, eu tenho a consciência limpa.
Angélica Teresa Almstadter
Enviado por Angélica Teresa Almstadter em 17/01/2006
Código do texto: T100189

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Sobre a autora
Angélica Teresa Almstadter
Campinas - São Paulo - Brasil, 62 anos
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1 e-livros (247 leituras)
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Angélica Teresa Almstadter