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O vendedor de sonhos

Caro leitor, peço que não conclua logo, antes de chegar ao fim deste texto, que ele seja apenas uma história irreal ou pura ficção sem lógica. Busque compreender o Porque, embora essa seja talvez uma das tarefas mais difíceis que o homem tenta realizar.
Boa leitura e parabéns se leram o texto até o fim e caso não leu tudo bem é um direito todo seu.




O vendedor de sonhos deixou sem querer uma lágrima cair, não pode conter e logo outras vieram.
As pessoas que á muito o conheciam foram logo falando:
- Como pode?  Isso não é aceitável! Assim quem vai querer comprar sonhos desse velho homem que deu pra chorar? Será que ele matou alguém, ou quem sabe não sabe amar?
Quem vende sonho tem que ser alegre, dá o exemplo de como sorrir.

Esses argumentos atingiram cidades, logo todos os continentes. Até os que nunca tiveram conhecimento deste senhor agora fragilizado, lançaram incessante criticas destrutivas.

 O senhor que ao nascer recebera de sua mãe o nome de Sonho, caminhava com dificuldade pela Rua da Maldade. Num tempo não tão longe ele dava cambalhotas e grandes saltos, passava a impressão que ai tocar as estralas. Mas hoje abaixo do peso e com seus sapatos gastos, lhe falta força pra segurar por muito tempo um beija-flor.

Os moradores de sua cidade natal chamada Imaginação, nem perguntam como ele vai.

Envolvidos nos avanços da tecnologia não chegaram á ouvir o simples pedido de atenção. Em seus carros do ano anseiam chegar aos seus lares pra bater papo via internet e discutirem sobre o próximo Pentium que será lançado no mercado, ou sobre a digitalização dos livros.

Ninguém lá da montanha ouviu o grito de dor, o Sonho dispensou a atenção que não veio. Em uma folha manchada de café, calou as falsas suposições dos cidadãos da nova era que não têm outra especialização se não, olhar para o próprio umbigo.

De: Senhor Sonho
Á. todos que quiseram ler.

- Aos que lerem essa epistola, saibam: esse menino que por muito chamado de velho fraco, entregou-se a desilusão. E começa mesmo sem querer abrir os pacotes da verdade.
Por muito tempo, o homem esquece que é um mortal e perde não se sabe onde, a razão.
 Cheios de ambições medíocres, esquece os amigos, traem os mais queridos, riem do que é triste, dispensam os livros os tão saudosos livros por uma caixa classificada em polegadas, impregnada de ódio, preconceito, mentiras e um tanto mais que esse eu seguisse citando, acabaria com a tinta da minha caneta.

Há ainda os que insistem em descobertas vãs de saber quem têm mais poder.  Será que tanta historia não é capaz de mostrar que somos meros mortais?  Não a historia pra maioria de nada vale. Já passou o tempo onde acreditei no poder da história. Ela não tem culpa é mais uma vitima e por mais que não queira, carrega sangue de inocentes. Dos mortos em batalha, dos doentes antingidos pela gripe Espanhola, dos que tiveram roubado todo o direito e nos campos de concentração foram extintos por lideres que nunca mostraram um pingo de arrependimento.

Minha vista cansa diante das recordações tão atrozes. Seus autores são humanos que gozaram temporariamente das dores dos excluídos, hoje não passam de pó.

Se chorei, foi por que enxerguei o que por décadas forcei meus olhos á não ver. A natureza do ser humano é má desde sua mocidade.

Amar não custa tão pouco doe, mas o homem não quer e assim rejeita fazer o bem!

Vivemos nos tempos modernos de Charles Chaplin   e a altivez o brio do homem o impossibilita ver que a máquina domina o homem.

Tão perto está o tempo de o homem virar máquina. Aí ao se cortar, não escorrerá mais sangue, e sim óleo.

Depois de pesquisar avidamente como funciona uma maquina descobri que elas não sonham. Logo não caberei na cidade. As máquinas também não lêem então os livros de uma vez serão esquecidos. Ai como doe ver tudo isso.

Quero por meio dessas palavras, pedir desculpas á minha mãe que dorme em paz, a ao Deus do céu, pois nada dá razão ao suicídio. Mas agora é a hora, e tenho certeza que se eu refletir um pouco mais não permitirei que meu corpo caía ao chão. É agora sem jamais um novo amanhecer.
Quero estar com as rosas e não ter mais noticias disso.




Jane Krist Coffee
Jane Krist Coffee
Enviado por Jane Krist Coffee em 25/01/2006
Reeditado em 05/11/2009
Código do texto: T103934

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Sobre a autora
Jane Krist Coffee
São Paulo - São Paulo - Brasil
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