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DIA DAS MÃES

          O segundo domingo do mês de maio foi escolhido para que se fizesse uma reverência especial às mães. A comemoração é válida e pertinente, mesmo se sabendo que o estímulo à compra de presentes para às mães foi o propulsor dessa celebração. Um fato não invalida o outro. Afinal, todos gostamos da ação de presentear e, para quem tem viva a sua mãe, nada mais justo do que confraternizar nesse dia especial. Para as que já partiram, as saudades, as orações e as lembranças.
           Os acontecimentos que se sucedem na trajetória social humana são dinâmicos. As ocorrências históricas foram armazenadas nos livros e, modernamente, o são pela informática. Os repasses são executados pelas escolas ou colhidos de maneira autodidática. Os elementos folclóricos são transmitidos de geração à geração oralmente ou pelo aprendizado da prática. Assim, o Dia das Mães, criado a menos de um século, nos é entregue para que dele façamos as justas homenagens. Dessa forma, compete-nos dizer, em alto e bom som, Feliz Dia das Mães, a tantas quntas possam nesse Dia sentirem-se realmente felizes e, àquelas que o infortúnio as envolve, lembrem-se de que a vida gerada no seu ventre é maior e mais importante do que qualquer desventura.
          Em tempos idos, nos galpões das estâncias do Rio Grande do Sul, era chamado de Mãe-de-Fogo o tição que conservava o fogo para o dia seguinte. Observa-se claramente o sentido da existência da matriz fornecedora da vida. Nesse caso, a madeira Mãe-de-Fogo geraria, no outro dia, nova vida, ou novo fogo. Um poeta escreveu: "Olhamos a terra como mãe nutriz comum".
          Esses registros levam-me à lembrança uma outra mãe, não biológica, em contapartida, mãe que abriga todos os brasileiros, assim como está nos versos de Osório Duque Estrada: "Dos filhos deste solo, és mãe gentil. Pátria amada, Brasil". Neste, e em tantos outros, pretéritos e futuros, Dia das Mães, chocaria e escandalizaria a cena de um filho esbofeteando sua mãe, maltratando-a e, não raras vezes, matando-a. Lembrança ou projeção triste!  Mas, pesarosamente, nesses quinhentos anos "os filhos deste solo", em muitas ocasiões, assim procederam para com a "Mãe Gentil". Mãe tão rica e filhos tão miseráveis.  Miseráveis, sim, os ingratos filhos que se locupletam, colocando à margem do progresso milhões de irmãos. É a bofetada desferida por um irmão a deixar indignados tantos outros. Oh! Mãe-de-Fogo! Que o teu cerne de amor e patriotismo não se dissipe, permitindo que num porvir reacenda nos teus filhos o fogo da brasilidade. E, em se dando, então dir-se-á no singular: "Feliz Dia, oh! Mãe Pátria!"
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 29/01/2006
Reeditado em 08/05/2008
Código do texto: T105804
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23329 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá