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O milagre da Lagoa da Pampulha.

Por muito tempo ainda não vou me esquecer do ocorrido na Pampulha...

Ao terminar a caminhada com a mulher, Cruz tinha sede. Calor de norte a sul do país. Belo Horizonte nem se fala. Caminhar pela Otacílio Negrão de Lima às margens da Lagoa da Pampulha, é para um mineiro e simples auxiliar de mecânica, uma realidade alternativa ao sonho das praias do Espírito Santo e do Rio.

A sede o levou a um bebedouro instalado na área do museu de arte. Um gemido ou miado de gato em cio, não tinha certeza, o incomodou. O quer que fosse ou não fosse, estaria à margem da lagoa. Mais gemidos e antes de se saciar por completo, Cruz foi checar. Ao olhar, viu a uns três metros na água, um saco desses de lixo doméstico a boiar.

Um cinegrafista que estava a registrar a Pampulha, “uma marca de JK, um orgulho de BH”, atraído e curioso com os gemidos, disse que era “absurdo alguém fazer isso com um bicho”. Com um galho seco, Cruz tentava puxar o embrulho inflado. A cada tentativa mais abismado. Inferiu que pudesse ser uma criança. “Não, é um gato”, disse o vigia do museu, que com torcida o ajudava. “Deus do céu, é uma criança!” Tomou o embrulho nos braços e na segurança da verde grama, rasgou o plástico preto. Estupefatos, e já não eram mais três, viram descortinar de tiara e vestidinho rosa, um bebê. (Posso imaginar e sentir o cheiro do bebê). A água que que havia entrado no interior do saco não havia afetado tanto a criança quanto a fome que a aplacara, como se notou no hospital, pela disposição com que sugava a mamadeira.( Pesa 3,6 quilos e aparenta ter dois meses. Chegou com muita fome e tomou uma mamadeira inteira).

“Um Brasil de audiência” viu pela TV, as imagens feitas pelo homem que só foi registrar a proeza de JK. Com choro o cinegrafista disse numa entrevista para a tevê, nunca ter filmado algo mais fantástico em toda sua vida.

Soube-se depois que alguém vira uma mulher, assustada e de sandálias na mão, correndo como se fugisse de algum mal que lhe quisessem impingir, um assalto talvez. Teria uns quarenta anos.

Vinte e nove. A polícia constatou. Era a mãe. A criança acabara de ser retirada da maternidade pois nascera prematura e então ficara um bom tempo para chegar àquela formossura que brotou do saco. Iara, era o nome que a genitora lhe dera. “Seria um peso para sua vida” acrescentou em seu depoimento na delegacia.

Vinte e nove de janeiro de 2006. Isso ocorreu ontem. Ainda por muito tempo não esquecerei do ocorrido na Pampulha. Milagres: a sobrevivência à tentativa de assassinato na lagoa e antes, é bem provável, às tentativas de aborto. Fiz algo que tinha perdido o hábito de fazer: orar. Orei para que a vida daquela princesinha seja abençoada.

Um tanto piegas estou ficando, é o que parece? Então fodam-se os homens (e mulheres também) que não têm boa vontade!
 
                            www.cronicasdojoel.blogspot.com

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Joel Rogerio
Enviado por Joel Rogerio em 30/01/2006
Código do texto: T105995
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Sobre o autor
Joel Rogerio
Colatina - Espírito Santo - Brasil
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