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Requinte




       Perguntam-me se eu sei o que é requinte. Serei curto e grosso.
       Estamos num restaurante caríssimo. Tudo impecável. O couvert com as  arredondas e durinhas da mais pura manteiga neozelandeza, dispostas em uma concha de pura prata noventa, a salada à parte com esplendidas folhas verdejantes, ainda úmidas, de alface. Le prémier cours é peixe (quem quiser saber como foi preparado leia Pedro Vincentini) guarnecido com finas hervas e sem deixar esquecer as impecáveis azeitonas chilenas. O maître dispõe ao lado das taças uma reluzente cuia de cristal tcheco, onde serão depositados os caroços de azeitona e as espinhas.

       Em meu jantar com convidados, a manteiga é servida a temperatura ideal para que a faca pegue uma porção sem esforço, acondicionada em bela manteigueira própria. O alface será lavado e escorrido até ser imperceptível qualquer umidade. Nunca será servido peixe que o convidado terá que retirar as espinhas, mesmo que haja talhares adequados para isso e o acompanhamento com azeitonas jamais conterão o caroço.

       Os recipientes caros denotam bom gosto. Somente. Qualquer um pode possuí-los. Pergunto; onde o requinte aparece?
Raferty
Enviado por Raferty em 30/01/2006
Código do texto: T106163
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Sobre o autor
Raferty
Santos - São Paulo - Brasil, 58 anos
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