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EXTRATIVISMO

O mote deste artigo é o caso "Ronaldinho Gaúcho", que é mais um dos incontáveis acontecimentos que vêm marcando a história desta terra chamada por Pero Vaz de Caminha de Ilha de Vera Cruz. Depois de passarmos pelo estágio de Terra de Santa Cruz, finalmente nos marcaram com o nome de Brasil. É provável que este nome, ou esta designação, adveio de um peso de consciência, pois ficou para a História a idéia da homenagem à abundância da árvore Pau Brasil que existia no litoral nordeste. Em verdade, a ação predatória extraiu o que havia de Pau Brasil, deixando esta espécie no limbo da extinção.O custo foi altíssimo e o benefício direto para o Brasil a História não registra. Por inexistente.

A natureza proveu a Amazônia de madeiras nobres e minérios. Quantidades imensas desses produtos são extraídos há anos, mas, por falta de sentido pátrio, dessas ações se locupletaram (e o fazem até hoje) três grupos: maus brasileiros, poucos brasileiros e gentes alienígenas ao solo de onde originalmente essas riquezas adormeciam (e ainda adormecem).

No Brasil Colônia foi tamanho o extrativismo de ouro e pedras preciosas das Minas Gerais, que alguns brasileiros foram levados à revolta (Inconfidência Mineira). E Serra Pelada? O ouro de lá extraído, se as "autoridades" houvessem canalizado e administrado correta e patrioticamente, teria minimizado em muito a pobreza de boa parte da população.

Da segunda metade do século XX até nossos dias, há um sub-reptício extrativismo da nossa consciência cidadã e uma cruel xenomania é vivenciada sem que a maioria das pessoas se aperceba e, por falta de estímulos, informações e cultura, verdadeiras barbáries extrativistas são amparadas por "Leis". O rei de Portugal criou a "Lei" da Derrama; e soldados brasileiros a cumpriram. Era uma Lei. E dai? Foi furtiva e amoral.

A chamada "Lei Pelé" estipula que a partir de 26 de março de 2001 acaba o vínculo empregatício do atleta de futebol com o clube onde está exercendo suas atividades. Ronaldinho Gaúcho tinha contrato, ou vínculo, com o Grêmio até 16 de fevereiro(portanto, antes de passar a viger a Lei Pelé). Em pleno vigor do seu contrato de trabalho com o Grêmio, às ocultas, assina um pré-contrato com o PSG, da FRança. Certamente assim procedeu amparado por "Leis".

As épocas são distintas mas a comparação é inevitável; e até registraria de inequívoca. Pau Brasil, minérios, madeiras, ouro, pedras preciosas, Ronaldinho Gaúcho. Todas essas riquezas "foram embora" do Brasil de maneira extrativista. Amparados por "Leis", brasileiros e organizações estrangeiras deram um "jeitinho" de surrupiar valores de nossa terra. E dizem que o "jeitinho" é brasileiro! Se o for... bem, até este aspecto nos foi extraído.
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 02/02/2006
Reeditado em 06/11/2008
Código do texto: T107358
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23331 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá