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Homem e Mulher: amor e ódio

Basta virar a medalha e veremos a face do monstro



Chama a atenção, na história da civilização, homens e mulheres sempre se terem procurado e se tornarem o foco das relações de amor e ódio, atração e violência. Oscar Wilde na "Balada do Cárcere de Reading" havia emitido o veredicto: “Todo homem mata aquilo que ama".
Os desencontros entre o homem e a mulher passam pela macroestrutura social: milhares de anos de dominância masculina e violência contra a mulher, as diferenças educacionais e salariais, repressão da sexualidade e dependência financeira, ou melhor, tudo aquilo que as ciências sociais nos ensinam. O que discutiremos aqui é a abordagem dinâmica das relações amor/ódio entre os dois sexos.
Onde há amor, acompanha-se o ódio. Quando os relacionamentos muito estreitos, repletos de "amor", terminam e o “ódio” aparece é que se dimensiona a dinâmica desses sentimentos opostos. Basta virar a medalha e veremos a face do monstro. Entendamos, como amor, um conjunto de sentimentos positivos onde é muito importante o bem-estar do outro. E, como ódio, os sentimentos negativos que visam à destruição.
Toda essa estória tem um ponto de ficção: homem e mulher, por serem incompletos e viverem se procurando, exatamente por isso, nunca se encontram. Cada lado fantasia uma forma de amor do outro lado, o que na prática não corresponde à realidade. O homem tem duas mulheres na cabeça e na mulher, igual à cabeça de juiz, não se sabe o que ela pensa. Sim, a mulher guarda, por décadas, mágoas, ideais deliróides e outros sentimentos que os levam para a eternidade. Ele se debate entre a lansã, guerreira, competitiva e a Ogum, dona de casa e maternal. Ela idealiza muitos príncipes encantados. Por serem seres desencontrados, as labaredas de fogo do amor logo se transformam em cinzas e o ódio renasce das brasas. O positivo muda em negativo, a energia construtiva vira destruição e sofrimento.
Quando o amor acaba, o objeto intenso de desejo, o indivíduo do sexo oposto, passa a ser objeto de ódio. Quando desejamos com intensidade tornamo-nos onipotentes: pensamos que tudo será feito segundo a nossa imagem, sem limites, como sonhos. Mas o outro, no mundo real, não é a representação perfeita das nossas idealizações, aquelas que tanto buscamos como rejeitamos. Aí, vemo-nos impotentes em nossas onipotências, sentimos raiva da parte idealizada que no fundo está em nós mesmos. O ódio dos outros é a vontade de destruir o nosso lado fracassado. O ódio do outro é também o ódio de si.
Quando Oscar Wilde afirmou matarmos o que mais amamos é porque destruímos o imaginário, o sonho, a ilusão, o que mais queríamos. Por isso, o amor dói e "No fundo é amargo e triste" tal qual os versos de Manuel Bandeira.
Amamos a nós mesmos no outro. A morte desse narciso é o ódio da incompetência humana. Somos violentos, odientos com o ser amado quando queremos que ele seja a nossa imagem.
Os homens e as mulheres, por serem incompletos, se procuram nos caminhos tortuosos do existir, tanto no sexo quanto no afeto. Iludem-se,  desiludem-se, iludem-se novamente, num eterno ciclo de amor e ódio. O amor e a guerra entre os sexos sempre foram e sempre será.
A agressão entre os sexos, mascarada e disfarçada no amor, é bilateral. É ilusão intelectualista ou sociológica acreditar que só o homem violenta a mulher. Muitos movimentos feministas, não todos, visam a agredir os homens, isolá-los na "produção independente" de ter filhos sem pai, de educar filhos sem pai – ("meu filho só tem mãe") – ou excluir o amor em benefício da carreira. Embora úteis, os movimentos feministas, às mais das vezes, expõem as feridas narcísicas do ódio entre os sexos. “Racionalizam-se”, afirmando apenas uma das verdades: é o reflexo de milênios de opressão.
Por que as mulheres matam ainda no ventre (abortam) mais fetos do sexo feminino, quando sabem do resultado dos exames pré-natais? Por não quererem que as filhas sejam sofredoras como as mães? Por ser a mulher a maior inimiga da mulher, como dizia Arthur Schopenhauer? Por se identificarem com os objetos de ódio, os homens? Por rejeitarem seus lados femininos?
Já os homens violentaram e violentam as mulheres por muitos e muitos anos, de forma gritante. Violentam-nas no trabalho, na mão de obra mais barata, na tripla jornada, na prostituição, no estupro, na pornografia.
O caso específico da prostituição demonstra que a violência dos sexos tem mão dupla. Para o homem, Freud explicou, em 1912, que a prostituta é o anverso da mãe idealizada, o elemento proibido, como a mãe o foi. A prostituta, na visão da psicanálise substitui a mãe. Mas, excetuando-se os mostruários de prostituição em classes de baixa renda, muitas mulheres no afã de serem livres, são instrumentos ativos da prostituição. Se isso não for verdade, a culpa é de Mr. Freud
Nem sempre elas são vítimas inocentes dos homens. Em certas ocasiões, facilitam a opressão. São as mulheres "facilitadoras" que utilizam a vitimologia como maneira de fugir da responsabilidade pela própria agressão e da conseqüente culpa.
Nessa guerra dos sexos, tem-se de compreender que homens e mulheres são seres diferentes e desencontrados nas fantasias, nos desejos, nos testes neuropsicológicos, nos tempos e espaços psíquico-sexuais, nos cérebros direito e esquerdo, na química cerebral dos neurotransmissores e em muito mais. O resultado da guerra são a impotência masculina e a frigidez feminina. Mesmo assim continuam se amando e se odiando.

Maurilton Morais
Enviado por Maurilton Morais em 02/02/2006
Código do texto: T107366
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Sobre o autor
Maurilton Morais
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 69 anos
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Maurilton Morais