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DESABAFO

A vida, muitas vezes, nos proporciona longos momentos de silêncio dando-nos a oportunidade de observá-la de longe, distanciados de conceitos e de opiniões.

Nestes últimos tempos, ao abrimos os jornais, acompanhanmos os jornalismos das TVs, lemos   notícias da internet, e nos deixamos,cada vez mais, nos contaminar pela massificação das idéias e ideais.Não paramos para pensar,analisar, muito menos para sentir o estrago causado a nós mesmos e aos outros pela nossa passiva aquiecencia. 

Proferimos duras sentenças aos nossos sentimentos com relação aos sentimentos das outras pessoas. E o pior, julgamos os outros sem dó.

Uma questão incomoda-me profundamente: a busca desvairada por essa tal de liderança, por sermos os melhores dos melhores.

Na visão atual, ser líder, ser o melhor dos melhores é ser bem sucedido. Não importa como isso aconteça. O negócio é ter sucesso a qualquer preço. É poder submeter todos os outros seres humanos a planos pre estabelecidos do que é bom, do que é felicidade.

É inocente pensarmos que não ligamos para o sucesso.Claro que ligamos. Ele faz bem a ego. Ele é o resultado de todo um esforço desprendido, na maioria das vezes, por muito tempo.

Porém, convenhamos, perdemos o fio da meada.  
 
A busca por ele anda sem freios.

Fórmulas mirabolantes são vendidas, em cartilhas, por preços a perder de vista.   

Compramos sem pestanejar, sem puxarmos os freios para pensar. O tempo urge, temos pressa de chegar a ele.

 

Nesse contexto, o indivíduo sai de cena para o lobo assumir a vida em sociedade como já observara Tomás Hobbes em sua expressão "O Homem é o Lobo do Homem" . Esquecemos de que esse lobo é indomável,devora tudo e todos, inclusive o tão cobiçado sucesso. 

Não percebemos, mas todos os dias somos alimentados com pequenas iscas, como os peixes.Até a hora de modermos o anzol que depois de agarrado em nosso céu da boca, nos matam sem chance de luta. 
 
Precisamos urgentemente colocar o pé no freio. Precisamos olhar para o lado e ver com nitidez a cara de quem está ao nosso lado. É preciso pausar um pouco os nossos anseios, para ouvir os anseios de quem precisa de nós.

Não podemos sair tropeçando sobre as pessoas, para em seguida pedirmos desculpas, sem sequer olharmos para elas. Não podemos ser os torturadores de nossa própria consciência. Não podemos recusar, a outro individuo, a oportunidade de estar feliz, seja ele uma pessoa de sucesso ou não. Cada um tem um papel importante na sociedade em que vivemos. Isso as formigas, os cumpins, as abelhas nos dão show de lição  para convivência equilibrada.  Precisamos apenas deixar a nossa voz interior ser cúmplice da voz interior do outro.   
Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 04/02/2006
Reeditado em 30/08/2010
Código do texto: T107935

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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