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Duas Trapalhonas de Carteirinha

Ana e Cristina são duas trapalhonas de carteirinha. Nasceram com o talento para as enrascadas da vida, haja vista, a quantidade de situações embaraçosas que estão sempre metidas. Uma coisa é certa, quando não são as protagonistas de alguma história engraçada ou vexatória, são, pelo ao menos, coadjuvantes de uma boa confusão. 

Nem sempre se saem bem, mas sobrevivem aos vexames rindo delas mesmas, tocando a vida pra frente sem nenhum problema ou trauma. 

Outro dia, as duas malucas resolveram dar uma volta de ônibus na hora do “rush”, quando todo mundo estava voltando do trabalho.Ônibus lotado, gente empilhada uma nas outras, lá foram as duas quase dependuradas, porque não havia nenhum lugar para se sentar. Como elas também não se desgrudam e precisam confabular o tempo todo, torcer o pescoço para trás é um dos exercícios preferido das duas. Procurar alguém conhecido é, então, é uma condição sinequanon. Coitada da vítima, se achada, porque na certa vai passar por constrangimentos. 

E não deu outra. 

De repente, Cristina avista um rosto que lhe parece conhecido. Na dúvida pergunta: 

- Ana, aquele lá na frente, atrás do motorista, de camisa verde clara, não é o Vitório? 
  Ana estica o pescoço para ver melhor de responde:
- Parece que é. Não tenho certeza.
Estica ainda mais o pescoço e confirma:
- É, é ele sim. 

Vitório percebeu a presença das duas e fez tudo para não olhá-las de frente. Ele sabia o risco que corria, e como é um conceituado músico, pouco conhecido do grande público, mas reconhecido no seu meio, não queria arriscar-se passar por um vexame frente a alguém que pudesse reconhecê-lo.. 

Porém, as duas não desistiam, e na ponta dos pés, segurando-se apenas com um braço, começaram a acenar para ele. 

Ele ficou firme, como não tivesse visto as duas. 

Não satisfeita, Cristina resolveu chamá-lo pelo nome.
- Vitório!!!!! OH! VITÓÓÓRIO, tudo bem? 

Como não havia outra maneira, ele respondeu quase monossilábico:
- Tudo ótimo! 

Cristina entusiasmou-se com a resposta e resolveu potencializar a conversa.
- Ô VITÓRIO!!!!!, você se lembra daquele dia? - adorei conhecer o seu instrumento. 

Vitório ficou meio vermelho e respondeu:
- Que bom!!! 

Ana que observava o resto da galera do ônibus já interessada no assunto, confidenciou baixinho no ouvido de Cristina:
- Para de falar, o pessoal tá todo olhando para nós duas e o Vitório parece não estar gostando nada dessa conversa.
- Que isso, Ana. O Vitório é gente fina. Eu fui ver ele tocar e adorei. Ele até me deixou experimentar tocar umas notas. 

Cochichando, Ana respondeu
- É ruim dele ter deixado, hem!!! Um músico como o Vitório deixar alguém como você mexer no instrumento dele. Você com certeza iria desafinar todas as notas, além de você não entender nada de música. E pára Cristina, o pessoal tá levando o caso para outro lado.
- Que nada. Você Ana fica imaginando coisas e querendo adivinhar o pensamento dos outros. 

- VITÓÓÓRIO, continuou Cristina, a Ana não está acreditando que você deixou eu tocar o seu instrumento e me disse ainda que você não deixa ninguém pegar no seu instrumento, porque só você sabe tocá-lo bem.
Vitório ficou roxo e o pessoal do ônibus inteiro caiu na gargalhada.
Vitório não respondeu mais nada e desceu no primeiro ponto que pode.

Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 05/02/2006
Reeditado em 22/11/2008
Código do texto: T108322

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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