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A Barata e Eu ou, Eu e a Barata

Como a imensa maioria das pessoas, eu odeio barata. Normalmente não sou uma pessoa nojenta, mas basta surgir aquele ser andador de cor vermelha em minha frente, para toda a minha química interna me transformar em uma exterminadora da natureza. E se ela tiver asa então, sou capaz de gastar todo um tubo de aerosol de uma só vez sem dó. Chego até a acreditar que as manifestações de agressividade contra as baratas fazem parte de uma memória genética do ser humano, e que corre em nossas veias e nas “veias” da barata, antipatias mútuas, ancestrais e eternas. 

Eu tenho NOJO, mas eu a MATO!!!! 

Não saio correndo dela para não lhe dar a menor chance de me enfrentar e nem o prazer de subir sobre o meu corpo. 

Quando meus filhos eram bem crianças, eu morava numa linda cidade chamada Monte Santo de Minas, no sudoeste de Minas Gerais. Cidade onde a vida rural predomina por ser um dos grandes pólos da produção de café de nosso país. Muita mata, muito verde, e muita, mas muita barata voadora que à tardinha gostava de invadir as casas aterrissando como um Boeing em nossos móveis, com direito a barulho de alguns decibéis e tudo. 

Essa experiência me deu algumas habilidades para lidar com as armas de extermínio desses seres invasores. Numa dessas batalhas, quando eu não podia correr o risco de usar um veneno potente para não causar nenhum acidente doméstico às crianças, e no desespero para não deixar aquela inimiga se entocar, passei a mão num spray de cabelo, daqueles que em cinco minutos deixam os fios sem movimento e apliquei-o sobre aquele ser ágil, esperto e nojento. Que alegria! Descobri, aí, o meu gás paralisante de barata. Bastava apertar o gatilho do spray por poucos segundos, e lá estava ela, imóvel, dura, sem nenhuma necessidade de ser pisoteada. A partir daquele momento, todas as vezes que pintava uma emergência e precisava da super mãe, da mãe maravilha, a minha presença era garantida como dona de um poder infalível para o grande combate na guerra contra a barata. 

O tempo foi passando, as crianças foram crescendo e eu sonhando com quando meus filhos fossem no meu lugar para o campo de batalha. E qual não foi à minha surpresa ao ver quatro marmanjos sempre gritando por socorro diante da fera, sem sequer esboçarem uma reação combativa. Nem meu cachorro tem coragem de matá-la. Quando consegue pegá-la, ele apenas a coloca debaixo da pata e fica levantando devagarzinho para ver se a barata está viva. E meu cachorro não é um cãozinho, é quase um lobo. Mas de lobo só tem cara. 

Hoje, foi um desses dias. Uma barata passeava tranqüilamente pelo muro de meu quintal, quando toda a casa foi acionada para o combate. Um com vassoura,outro com um chinelo velho de matar barata (porque chinelo de matar barata não é usável), outro fornecendo o trajeto do bicho e o cachorro em pé com as patas esticadas, sem saber direito o que estava acontecendo, enquanto eu procurava o aerosol para detoná-la. No agito, não achei nada e sem alternativa fui obrigada a cutucá-la para num piso certeiro dar fim aquele bichinho. 

Barata morta, equipe desfeita, eu ainda precisando jogá-la no lixo. Que nojo! 

As antenas ainda se mexendo denunciavam a existência de vida . Felizmente, minha secretária achou o spray e para ter certeza que a barata não estava mesmo se fingindo de morta, encharquei seu corpo com inseticida e a remeti definitivamente para sua a derradeira morada.
Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 07/02/2006
Reeditado em 22/11/2008
Código do texto: T108893

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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