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A Cobrinha Verde


A Cobrinha Verde

Quando meu pai vendeu a casa da Rua Rio Grande do Sul, fomos morar na Fazenda do Pontal, de meus avós maternos, Vovó Maria Teles e Vovô Cesarinho.
Como era grande a Fazenda do Pontal!
Bem cedo, começava o movimento na casa. Lembro-me de meu avô, fazendo o café no fogão a lenha, de minha avó dando milho para as galinhas, cuidando dos porcos e da horta...
Quando meu avô se dirigia ao curral, com sua longa capa preta, Luzia e eu pegávamos, depressa, nossa canequinha esmaltada e ficávamos à espera para tomar o leite espumoso e quentinho, tirado na hora de uma saudável vaca preta.
E tínhamos o dia inteiro para brincar, correr pelo pomar e, em companhia da Chica, que morava com minha avó, andar pelos campos, à procura de frutinhas silvestres: araticunzinho, mama-cadela, cu-de-pinto, murici...
Dava até para brincar na bica d’água que havia  na porta da cozinha. Uma água clarinha, que corria noite e dia!
O pomar me atraía, talvez pela grande variedade de árvores frutíferas. De acordo com a época, ora tínhamos mangas, ora laranjas, goiabas, jambos, jabuticabas, pitangas... Conhecia todas as árvores e procurava ser mais esperta que os miquinhos e passarinhos. Mas eles sempre se fartavam a valer.
Um dia, com meus quatro aninhos, saí sozinha em direção ao pomar. Época de goiabas, eu já sabia onde encontrar as mais bonitas. A goiabeira não era alta e eu consegui subir até as grimpas. Estava tranqüilamente saboreando a fruta, quando ouvi um barulhinho em cima de minha cabeça. Deparei-me com uma cobrinha verde, toda enroscada no galho, bem perto de meus cabelos e que me olhava com olhinhos fixos, mostrando sua linguinha vermelha bifurcada, mexendo-a, rapidinho, para um lado e para o outro.  Quase morri de susto! Com o coração batendo, disparadamente, não sei como desci de lá, mas, em poucos segundos, já me encontrava dentro de casa, tremendo  feito vara verde.






fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 07/02/2006
Reeditado em 24/06/2010
Código do texto: T108903
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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