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A Reza do Terço

                Marcou a família um costume piedoso: o de todos os dias rezar o terço. Quando o relógio marcava nove da noite, nosso pai, infalivelmente, puxava o terço, acompanhado de todos nós. Podia até ser edificante ver as crianças, ainda pequenas, eu teria uns oito anos, chamando o pai à oração... Mas nada de piedade. Estávamos com sono e, sem rezar não se dormia. Às vezes, rezávamos em cima da cama, porque depois do último “Em nome do Pai”, era colocar a cabeça no travesseiro e “cair nos braços do Morfeu”.
            Numa dessas noites, justamente na hora do terço, faltou energia elétrica. Continuamos a rezar, enquanto mamãe foi à cozinha buscar uma vela. Neste instante, pensei em revirar uma cambalhota em cima da cama, pois com o escuro ninguém perceberia, não seria censurada pela peraltice. Se pensei rápido, mais rápida ainda foi a ação. Só que errei a pontaria, caí no chão, perdendo os sentidos. Ao dar por mim, já na cama, o pai me chamava e a mãe me oferecia um copo d’água.
As irmãs espantadas testemunhavam a cena. Mas logo fiquei boa, o terço foi retomado. Ninguém entendeu o súbito desmaio. Depois de muitos anos, hoje, revelo o segredo da cambalhota.



fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 07/02/2006
Reeditado em 17/08/2010
Código do texto: T109150
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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fernanda araujo