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I N D Í C I O S

          Os indícios formatam uma espécie de sirena, de alarme, um sinal de acontecimento próximo, normalmente seguido do observado. Exemplos: A) - Nos antigos cursos primários, aos alunos era ensinado que o descobrimento do Brasil se deu ao acaso. Das treze caravelas, capitaneadas por Pedro Álvares Cabral, após várias semanas no mar (calmarias?), foram notadas folhas e galhos nas águas e pássaros marinhos em pleno vôo. Eram indícios de terra próxima. O que se corfimou. B) - O Porto-Alegrense, Grêmio de futebol, da capital gaúcha, campeoníssimo por excelência, que já houvera caído para a segunda divisão brasileira (1991), dessa categoria esportiva, a partir de 2002 começou a dar indícios de que algo estava mal na sua administração. Não foi dada a devida importância àqueles indícios. E o que era indício se tornou realidade: pela segunda vez (2004) caiu para asegunda divisão. C) - No organismo humano, a febre e a dor são indícios de que algo não está bem. Que é necessário atenção. E poderíamos seguir numa infindável lista de exemplos. Passo a reportar um fato que julgo ser indício. De quê? Ainda não sei bem.

          Lia o jornal O Sul, edição de 11 de abril/2005, quando à página 14 uma expressão me deixou curioso. Um gráfico, dividido e numerado em quatro partes, demonstrava como seria escolhido o novo Papa. Na quarta parte, literalmente, constava: "Quando um novo Papa é escolhido, sai uma fumaça branca da chaminé da capela. Desta vez, sinos também vão tocar. Depois disso, um cardeal vai à janela e diz NUMA LÍNGUA CHAMADA LATIM: Habemus Papam, que quer dizer: temos Papa. O motivo do grifo (que é meu e não do autor daquele texto), justifica o que eu penso ser mais um indício. Que o latim é língua morta, é lato sensu (mesmo que o termo não seja muito apropriado). Ôpa! Lato sensu é latim! Mas então ainda não está bem morta. Aliás, os botânicos e os juristas a usam por demais. Melhor seria esrever "em desuso".

          Pois, nesse labirinto de observação e pensar (no qual, por pouco, não me perco), é das expressões NUMA e CHAMADA, do grifo acima, que retiro o que chamo de indício. É muito distante essa forma. Poderia simplesmente estar escrito: "Um cardeal vai à janela e diz em latim..." Salvo se o autor daquele texto nunca ouviu falar da língua latim. Seria isso indicium de tênue alicerce cultural. Este é o CQD deste "teorema literário". Será que em apenas quatro décadas o latim (morto ou em desuso)já é um estranho. Em 1961/62/63 no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, o Julinho, no antigo ginásio, ensinaram-nos o latim. Espero que esse fato (grifo) não seja um indício, mas apenas, e tão somente, uma manifestação equivocada ou dispersa. O que as línguas vivas diriam (se pudessem) a respeito da citação da língua mãe como "uma certa língua", "uma tal língua", ou como foi publicado, "numa língua chamada latim". Cabral, Grêmio, dor e febre forneceram indícios. Será que do presente texto se poderá tirar indícios de alguma coisa? De preciosismo meu, talvez? Ou é a cultura em geral está dando indícios de empobrecimento? Ou ainda, o que seria terrível, os indícios são pretéritos e estamos mergulhados na mediocridade lítero-cultural? Ôrra, meu! É o grito das tardes dominicais, ha mais de uma década. Será só indício?
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 08/02/2006
Código do texto: T109509
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23331 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá