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Nas Mãos de Deus

A Vila Vicentina de Bom Despacho, entidade dirigida pelos vicentinos e freiras do Sagrado Coração, constitui-se de pequenas casas que ocupam um quarteirão. Normalmente, ocupam-nas pessoas idosas sem parentes ou desprezadas pelos familiares. Recebem, além da moradia, alimentação, vestuário, assistência médica. Porém o mais valioso é a afeição das freiras, a palavra amiga dos irmãos vicentinos, a visita solidária de voluntários da comunidade.
Ali realizam-se forró, festa junina, brincadeiras folclóricas. Se os moradores não podem participar, só de olhar divertem-se a valer.
Vez ou outra, a Vila recebe moradores que não se encaixam no perfil tradicional da entidade. Foi o que aconteceu com Dª Divina Maria de São José e seus cinco filhotes.  Expulsa de casa, trocada por outra pelo marido, todos os residentes, carinhosamente, acolheram-na com os filhos. E ela foi à luta, trabalhando ora como faxineira, ora como lavadeira e passadeira. Fazia o serviço que aparecia, vencendo a lida de cada dia.
Dª Divina Maria ficava com o coração apertado, quando seu filho caçula, Antônio Carlos, segredava-lhe, os olhos brilhando, que queria ser médico. Como, meu Deus? Em silêncio, seguindo o exemplo de outra Maria, a Mãe de Deus, rezava e guardava um pensamento no coração: “Meu filho será médico.”
Antônio Carlos, magrinho, bom de bola, jogava pelada com os moleques da rua e deles ganhou o apelido de Bat Fino. Só era chamado assim. Bat Fino cresceu, chegou a hora de levar a sério os estudos, disso não se descuidou. Chegou também a hora do vestibular. Jamais desistira da antiga aspiração. Bem sucedido, matriculou-se na sonhada faculdade de medicina da UFMG. “E agora, José?” Onde ficar? Como alimentar-se? Para tudo dá-se um jeito. Bate Fino ficou dormindo na garagem da Viação Irmãos Teixeira. A mãe, todos os dias, levantava-se cedo, preparava a comida e a levava à rodoviária, para que fosse entregue ao filho pelo chofer do ônibus da empresa. Bat Fino esperava ansioso o singelo almoço, como se fosse um manjar dos deuses, porque representava a única refeição do dia.
Passaram-se os difíceis anos das vacas magras. Bat Fino se formou. Tornou-se o Dr. Antônio Carlos. Solícito, cuida das pessoas carentes de São Sebastião do Oeste. Outro dia, fomos por ele convidados a demonstrar os exercícios da Unibiótica, nas ruas da cidade. Depois nos recebeu para um delicioso lanche no jardim de sua bela casa.
Dª Divina Maria, segurando nas mãos do Filho de Deus e da Virgem, toda sorriso e encantamento, acompanhou e abençoou o encontro, tal o faz com os movimentos da vida inteira do filhote.





fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 11/02/2006
Reeditado em 15/09/2010
Código do texto: T110676
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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