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O Dono da Verdade

Minha ex-mulher me acusava de ser “o dono da verdade”. Respondia a ela que só não podia ser “o dono” porque ainda não tinha pago todas as prestações(rs).

O fato é que minha mãe me ensinou desde cedo, com bastante seriedade: “meu filho,mentir é feio”. E eu levei a sério. Hoje ela própria me diz que eu uso de uma “franqueza que ofende”. Como todos os seres humanos, eu minto. Mas minto pouco, para ser sincero, o que me traz problemas. Um deles é que perco muito tempo exigindo dos meus semelhantes que hajam da mesma forma. O resultado é que não obtenho o retorno que gostaria, e acabo sendo injusto com a humanidade.

Felizmente, ao acordar hoje, percebi o grande engano em que me bato desde criança. Os seres humanos não têm outra alternativa, a não ser mentir, em maior ou menor grau.

Explico-me: as exigências da civilização, da religião e da moral são muito altas para a maior parte de nos outros. Se nos cobram algo acima do que podemos fazer, então só nos resta mentir para continuarmos vivos e em um estado relativo de boa saúde e conforto.

Contudo, há um porém (rs): se muitos que mentem fossem obrigados a viver à altura do que são (ou se acham) capazes, talvez tivessem que se contentar com uma palhoça na beira do rio. Isto quer dizer que, vítimas da insanidade do sistema, mentem para sobreviver, mas logo descobrem que a mentira pode lhes proporcionar muitas benesses por parte do mesmo sistema, ainda que às custas dos que procuram a verdade. A mentira então torna-se um cômodo meio de ascensão social e obtenção de privilégios. Eis a grande mentira.
Nelson Oliveira
Enviado por Nelson Oliveira em 15/02/2006
Reeditado em 15/02/2006
Código do texto: T112066
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Sobre o autor
Nelson Oliveira
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 55 anos
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Nelson Oliveira